Afinidade
Justifica todas as ações tomadas como necessárias e imprescindíveis para o equilíbrio das contas públicas sem se preocupar, por exemplo, que a perda de conquistas e achatamento salarial irá se refletir negativamente na motivação dos servidores estaduais e, consequentemente, na prestação de bons serviços à população.
O mesmo ocorre com o apoio antecipado aos projetos de lei que irão transferir para a iniciativa privada serviços que hoje são executados pelo poder público, como a concessão de rodovias mediante pagamento de pedágio.
O texto não se refere em nenhum momento a total falta de iniciativa para o aumento da receita do erário público. Nem mesmo a única atitude do governo Sartori nesse sentido, o aumento de impostos, que passou a vigorar a partir de ontem.
Claro que a defesa da necessidade de redução da máquina pública, com a transferência de áreas lucrativas à iniciativa privada, é perfeitamente compreensível sob a ótica de uma empresa (ZH) que tem como objetivo maior a lucratividade e em segundo ligar a informação.
O que é inadmissível é que essa política seja adotada por um ente público. Cortar vantagens de servidores e onerar ainda mais o já combalido contribuinte, fazendo-o pagar mais tributos e pedágios, parece ser uma solução por demais simplista e injusta para que dê bons resultados. Para a sociedade, por supoesto.
O que o editorial não diz, propositadamente, é que o enfraquecimento do Estado é a derrocada da política cidadã, onde o bem estar do cidadão se sobrepõe ao interesse puramente comercial de uma corporação, de uma empresa ou de um empresário.
Vai chegar um momento em que o contribuinte se dará conta do seu papel meramente contributivo e aí, nessa hora, vai se perguntar: Afinal, para que serve o Estado?

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