Um
parlamento refém do povo.
Comemoremos. A Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno
e por UNANIMIDADE, a chamada PEC do fim do voto secreto. O primeiro foi sete
anos atrás, em 2006. O projeto agora segue para o Senado que igualmente irá
realizar o segundo turno da votação.
Mas se por um lado os parlamentares se mostram sensíveis ao
desejo da população, que elege mas em algumas situações (especialmente quando
se trata de cassações de mandatos) não fica sabendo do voto do seu escolhido, é
preciso reconhecer de que suas atitudes, tal qual um parto difícil, “nasceu à fórceps”.
Por pressão. No primeiro turno motivado pelo escândalo do Mensalão e agora pela
tragicômica sessão que manteve o mandato do deputado Natan Donaton, preso na
penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.
É isso precisa ficar bem claro para o eleitor. A repentina
sensibilidade popular dos nossos ilustres edis não aconteceu por convencimento
individual. Foi para salvar a pele. Afinal, tem eleição no ano que vem. Mas o que importa é que finalmente falta muito
pouco para acabar com esse instrumento antidemocrático que é o voto secreto. E
não apenas no Congresso Nacional, mas também nas Assembleias Legislativas e Câmaras
de Vereadores.
É preciso ressaltar, entretanto, as atitudes precursoras
dessa medida. O Parlamento gaúcho, por exemplo, desde 2006 não possui mais
votação secreta.
O que tirar como lição desse momento? Que as vozes das ruas
foram ouvidas? Não. Seria simplificar demais. Até porque o fim do voto secreto
não apareceu como pauta nos protestos. O que se mostra transparente nesse
avanço democrático, a meu ver, é que os políticos “acusaram o golpe”. Mostraram
ter medo do eleitor. O mesmo que em
época de eleição é visto pelos candidatos mal intencionados como ingênuo e despolitizado.
O que mudou? O político ou o eleitor? Ainda não dá para saber.
O que importa é o sentimento de que os
políticos passaram a temer o povo. E, como consequência, agir em conformidade
com o interesse público. É apenas o começo do muito que precisa ser feito, mas
é o bastante para fazer prosperar um clima de otimismo e de esperança. De termos
representantes e dias melhores.
Ainda é cedo para bradar, com convicção, que o “gigante
acordou”. Mas que ele dá sinais de vida dá. Aguardemos o tilintar do
despertador do dia 5 de outubro de 2014. É nesse dia e nas urnas que saberemos
se os brasileiros despertaram ou não para a sua força e importância. Até lá,
porém, é bom reforçar a cara de bravo e descontente que tanto bem tem feito à
democracia. Quem sabe o medo se transforme em respeito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário