terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O PT finge que não discrimina,

 mas discrimina muito.







Não se combate preconceito com mais preconceito. Todo mundo sabe. Inclusive o PT. A diferença é que o PT faz de conta que isso não tem importância. A importância está em criticar e tirar proveito político do preconceito dos adversários. E usam essa incoerência com a maior desfaçatez, para não dizer cara de pau. É o que está acontecendo com a superexposição que os petistas estão dando às declarações do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), a ponto do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Jefferson Fernandes, marcar para o dia 20, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, um ato de protesto, com direito a projeção de vídeo, em defesa dos índios, quilombolas e gays.

Mesmo que as declarações de Heinze tenham sido discriminatórias – ele disse publicamente que não foi essa a sua intenção – o protesto de Jefferson Fernandes é demasiado. Não há justificativa para tanto. Isso não foi sequer pensado quando o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Mas é ano eleitoral e o PT, nesses casos, não tem nenhum escrúpulo em chutar as canelas dos partidos rivais. Cada um faz política como deseja, mas até na política é preciso ter ética e, principalmente coerência. Sob pena de estar desprezando a memória e a capacidade intelectual do eleitor.

Esse PT que chama Heinze e seus companheiros de partido de algozes dos pequenos produtores é o mesmo do governador Tarso Genro, o primeiro a subir nas colheitadeiras dos grandes produtores rurais nas solenidades que marcam o início da colheita da safra gaúcha de grãos. Se os pequenos produtores tem seu valor (e tem), pois são eles que abastecem a mesa dos gaúchos com produtos orgânicos, em sua maioria hortifrutigranjeiros, os produtores de maior porte também são imprescindíveis, pois são eles os responsáveis pela produção dos produtos agrícolas que mantém a economia gaúcha num patamar suportável. Enfim, ambos os segmentos são importantes.

Mas o PT, tal qual uma sanguessuga, nega a importância da vítima para a sua sobrevivência política. É o mundo do faz de conta petista. Quando são os seus que estão na mira da opinião pública, como no caso dos mensaleiros, se fazem de vítimas, negam os fatos e até mesmo organizam vaquinhas para arrecadar dinheiro para pagar a multa estabelecida pela justiça aos companheiros condenados e presos. Mas me digam: isso não é uma discriminação contra os brasileiros honestos? No caso anterior, quando defendem apenas o pequeno produtor não estão desdenhando (palavra que ameniza o termo discriminação) os outros produtores?

Mas que justiça petista é essa que só tem um lado? Que coerência é essa que só vale para si e para os seus? Agora mesmo, por ocasião do anúncio da criação da CPI da CEEE, criada pelo agravamento do fornecimento de energia elétrica no Rio Grande do Sul, cuja motivação se deu a partir dos fatos denunciados pela Operação Kilowatt, ocorridos durante o governo Tarso, o PT faz questão de apoiar a iniciativa sob o argumento de que nada tem a perder. Pode ser, mas tem muito a explicar. E como é de sua praxe, já trata de querer desviar o foco, trazendo o debate para os governos que o antecederam. “Temos que investigar desde a época do governo Britto”, dizem. Pois que investiguem, mas que não fujam das suas responsabilidades.

Até quando o PT acha que vai conseguir enganar os gaúchos e os brasileiros? Quanto tempo ainda irá demorar para que caia a máscara do PT e seja mostrado a sua verdadeira face? Mas estas são questões que certamente não serão mostradas no vídeo do deputado Jefferson Fernandes.  


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