Matadores de aluguel.
Quanto vale
uma vida? Se considerarmos a manifestação de Caio de Souza, responsável pela morte
do cinegrafista Santiago Andrade, ela vale R$ 150,00. É o que ele disse ter recebido
para participar do protesto que tirou a vida do jornalista. Caio não disse a
origem do dinheiro, mas seu advogado disse: “Sugiro a investigação de partidos
políticos, deputados e vereadores que teriam participação no recrutamento dos
manifestantes”. Segundo Jonas Tadeu Nunes, ônibus buscariam moradores de áreas
pobres para participar dos atos. E para piorar a situação, Nunes diz que não é
apenas dinheiro que é distribuído, mas também rojões e máscaras. “Eles tiveram
a liberdade tomada por quem fomenta o terrorismo social”, diz o advogado, na
tentativa de proteger seus clientes.
Se
confirmadas as declarações de Caio e do seu advogado, trata-se de terrorismo
subsidiado. Crime, portanto. E como as manifestações violentas se multiplicam pelo
país, um crime que não está sendo devidamente combatido. Como nossos
governantes podem, sob o argumento de que se trata de eventos cívicos, de
manifestação cidadã, permitir o aliciamento intolerável de nossos jovens? Como
permitem que se corrompa, por dinheiro e maus exemplos, a consciência de uma
geração que sequer sabe o real valor de uma democracia? Essa omissão estatal é
um crime mais horrendo e intolerável do que a morte de um trabalhador em pleno
exercício da sua atividade profissional.
E a
irresponsabilidade governamental é clara. Se não querem usar a força para
reprimir a violência nos protestos, que pelo menos usem a inteligência policial
para preveni-la. Como não identificar ônibus sendo utilizado para transportar
militantes de aluguel? Como não descobrir a origem da livre distribuição de
artefatos com poder destrutivo? Mas a responsabilização pela omissão
governamental não pode recair apenas sobre o Executivo. Também o Judiciário,
especialmente o Ministério Público, e o Legislativo, precisam fazer o mea
culpa. Como podem ficar na condição de meros espectadores? É a democracia que
está em jogo. Ou será que alguém pensa que os protestos violentos tem objetivos
pontuais, como por exemplo, a redução da passagem dos ônibus?
É hora de
mobilização. Não política, como a praticada nos protestos em questão, mas social.
Se o poder realmente emana do povo e em seu nome é exercido, que a maioria
pacífica e ordeira dos brasileiros, representada pelas instituições que formam
a sociedade organizada, tome em suas mãos as rédeas do seu destino. O regime
democrático, que permite o pluripartidarismo e a livre expressão, não pode ser
usado como pano de fundo para o alcance de interesses revolucionários de
minorias violentas e mal intencionadas. E essa reação não pode tardar, antes
que rojões se transformem em armas e a paz em guerra civil. As milícias civis
que começam a ser formadas para se contrapor ao terrorismo e ao avanço da
criminalidade que o digam.

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