O voo solitário dos tucanos.
Quando não se sabe
para onde ir qualquer caminho é um destino. É o que parece estar acontecendo
com o PSDB gaúcho. Engessado por uma decisão antecipada do diretório nacional
do partido que lançou o nome de Aécio Neves à presidência da República, os
tucanos do Rio Grande do Sul ficaram praticamente sem opções de alianças com
outras siglas. É que os partidos pragmáticos (ou fisiológicos) que estão no
governo Dilma irão apoiar a reeleição da petista e os que pregam a
independência, mesmo estando na base de Dilma, tendem a apoiar a candidatura de
Eduardo Campos.
Assim, diante deste
cenário adverso, o PSDB gaúcho, valendo-se do seu privilegiado tempo de TV, voa
de galho em galho na busca de um parceiro que ofereça palanque para Aécio
Neves. Até agora sem sucesso. Nem mesmo aliados das últimas eleições, como o
PP, se predispõe a discutir uma possível aliança. E para agravar a situação dos
tucanos, a figura da ex-governadora Yeda Crusius, continua a assombrar a memória
dos gaúchos e, consequentemente, inibindo a aproximação de possíveis aliados de
campanha.
Mas não é por falta
de esforço que o PSDB tende a lançar candidatura própria ao governo do Estado.
A cantada mais recente dos tucanos foi encima do PDT de Vieira da Cunha, outro
pré-candidato já definido. A iniciativa valeu-se da necessidade de Vieirinha de
aumentar seu tempo de TV. Mas trata-se de um “namoro” difícil de acontecer. O
PDT jamais irá apoiar a candidatura de Aécio Neves. Aliás, está claro que a
estratégia dos pedetistas será aumentar o tempo de TV através da arregimentação
do maior número possível de pequenos partidos. Já vem fazendo isto.
Como se percebe, a
missão dos tucanos gaúchos é inglória. Sem aliados de peso, sem uma grande organização
partidária em nível de estado (diretórios, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores) e sem um nome de expressão para a vaga de governador, a tendência é e que o PSDB tenha um terreno pouco fértil, tanto para a eleição
majoritária (nacional e estadual) como para a eleição proporcional. Sem saída,
resta aos tucanos do RS apostarem todas as suas fichas (e orações) na
candidatura de Aécio Neves.

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