sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O PT mente, manipula e discrimina.



A tentativa do presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, de transformar as declarações pontuais e pessoais do deputado Luis Carlos Heinze em estratégia eleitoral, a ser utilizada pelos deputados e líderes dos partidos que apoiam o governo Tarso Genro, rotulando-as como “uma concepção do partido dele (Heinze) e dos conceitos que eles têm”, seria cômica, não fosse trágica e mentirosa. Aliás, nada de novo, pois se tem um conceito enraizado no eleitorado gaúcho é o de que o PT mente. No caso, “mente tão completamente a dor que deveras sente”, desnudando o temor, agora escancarado, de não conseguir êxito no projeto petista de se manter no poder, reelegendo o atual governador.

Apavorado com a má imagem de gestor ineficaz, por não conseguir cumprir com as promessas (ou será mentiras?) de campanha, o PT tenta reutilizar uma ferramenta idealizada pelo próprio Tarso Genro, quando ministro da Justiça, de bombardear com factoides a imagem dos concorrentes ao Palácio Piratini e a dos seus partidos. No caso o PP e sua possível candidata a governadora, a senadora Ana Amélia Lemos, que aparece pontuando nas pesquisas de opinião até agora realizadas. E a aparição do vídeo com as declarações de Luis Carlos Heinze e a declaração de Vanazzi, poucos dias depois do PP gaúcho ter oficializado seu interesse pela candidatura da senadora, comprova o retorno da velha tática. Óbvio, se o vídeo data de novembro de 2013, por só agora foi divulgado? Esse PT é ou não maquiavélico e oportunista?

Mas vamos aos fatos. O que Vanazzi critica? Que o PP se opõe as minorias? Que destrata representantes das classes econômicas menos favorecidas? Que discrimina índios, gays e quilombolas? Que faz distinção de raça e credo religioso? De onde foi que ele tirou essa convicção? Dos documentos oficiais do Partido Progressista é que não foi. Procurei detalhadamente em todos eles e não encontrei nada disso. Pelo contrário, na transcrição da sua Matriz Doutrinária está registrado o seguinte:

Em absoluta contradição com o que estamos habituados a presenciar, nossa dignidade e o decorrente respeito dessa dignidade pelos demais e pelas instituições da sociedade não pode provir do que nos diferencia (bens materiais, títulos, idade, raça, beleza, força física, etc.) mas deve basear-se no que temos em comum. E é na condição de pessoa humana que ela se firma, como reconhece o primeiro artigo da Constituição Federal ao incluir a "dignidade da pessoa humana" como um dos cinco fundamentos da existência da nação”. E mais, para reforçar sua imagem o PP-RS criou e utiliza o slogan “Primeiro as Pessoas”.

E mais ainda, a senadora Ana Amélia Lemos, reconhecida como a parlamentar mais influente do Congresso Nacional, nunca deu qualquer declaração discriminatória contra quem quer que seja. Pelo contrário, sempre foi defensora dos direitos das minorias, quer na condição de jornalista ou na de parlamentar. Como encontrar, portanto, lógica na manifestação do presidente estadual do PT?  O que se pode detectar, isso sim, é uma tentativa desesperada de encontrar algo que possa servir, mais uma vez, de massa de manobra eleitoral. Esquece, porém, o líder petista, que seu partido tem muito pouco crédito com os gaúchos. Principalmente por ser um notório mentiroso e por sua constante desfaçatez.

Exemplo do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, é que no mesmo dia em que os jornais gaúchos publicavam a infeliz declaração do deputado Heinze, o jornal carioca, O Globo, estampava a seguinte notícia:
                           Deputado do PT reage à médica cubana e ataca sua vida pessoal.
“Quero dizer que essa médica foi é tarde”, declarou o petista

BRASÍLIA - Incomodado com a atitude da médica Ramona Rodriguez em abandonar o programa Mais Médicos, o deputado Zé Geraldo (PT-PA) reagiu atacando a vida pessoal da cubana. Em discurso no plenário na tarde desta quinta-feira, o parlamentar citou uma nota assinada pelo presidente do Conselho Municipal de Saúde de Pacajá, Valdir Pereira da Silva, na qual Ramona é apontada como uma pessoa que ingere bebida alcoólica.

A nota diz que ela tentou levar um homem para seu quarto na casa onde morava na cidade paraense, mas foi impedida por suas colegas de moradia. O texto diz também que Ramona se indispôs com enfermeiros e funcionários do hospital onde trabalhava.
- Quero dizer que essa médica foi é tarde - disse Zé Geraldo em seu discurso.

Na carta, o presidente do conselho municipal de saúde faz acusações contra a médica:
“Ao chegar em Pacajá a Drª Ramona fez amizade com um comerciante local passando a frequentar a casa do mesmo, e por várias vezes ingeriu grande quantidade de bebida alcoólica ficando visivelmente embriagada. Recentemente ao retornar à noite para casa onde se hospeda, trouxe consigo um homem estranho, no intuito de levá-lo aos seus aposentos e foi impedida pelas colegas que não concordaram com a presença do estranho por ser essa uma conduta proibida pelas regras de convivência da casa. Tal fato arruinou de vez a convivência da Drª Ramona com suas colegas de trabalho chegado a se indispor com enfermeiros e demais funcionários do hospital onde trabalhava”, afirma.

Ramona Rodriguez pediu ajuda ao DEM para obter asilo político e trabalhar no Brasil como médica. Ela disse que foi "enganada" pelo governo cubano, que percebeu isso pela diferença salarial dos médicos estrangeiros e cubanos. Nesta quinta-feira, ela decidiu entrar com uma ação na Justiça do Trabalho do Pará cobrando do governo a diferença salarial que teria deixado de receber no programa Mais Médicos.

A médica cubana será contratada para trabalhar na Associação Médica Brasileira (AMB), uma das entidades que se posicionou contra o programa Mais Médicos.

Diante de tudo isso a pergunta que não quer calar é: quem é mesmo que discrimina as pessoas? Ou no caso do PT gaúcho, poderá haver discriminação maior, desrespeito maior, do que usar a mentira como arma contra os seus adversários, manipulando as pessoas?  


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