O PT mente, manipula e discrimina.
A tentativa do
presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, de transformar as declarações pontuais
e pessoais do deputado Luis Carlos Heinze em estratégia eleitoral, a ser
utilizada pelos deputados e líderes dos partidos que apoiam o governo Tarso Genro,
rotulando-as como “uma concepção do partido dele (Heinze) e dos conceitos que eles têm”,
seria cômica, não fosse trágica e mentirosa. Aliás, nada de novo, pois se tem
um conceito enraizado no eleitorado gaúcho é o de que o PT mente. No caso, “mente
tão completamente a dor que deveras sente”, desnudando o temor, agora
escancarado, de não conseguir êxito no projeto petista de se manter no poder,
reelegendo o atual governador.
Apavorado com a má
imagem de gestor ineficaz, por não conseguir cumprir com as promessas (ou será
mentiras?) de campanha, o PT tenta reutilizar uma ferramenta idealizada pelo
próprio Tarso Genro, quando ministro da Justiça, de bombardear com factoides a
imagem dos concorrentes ao Palácio Piratini e a dos seus partidos. No caso o PP
e sua possível candidata a governadora, a senadora Ana Amélia Lemos, que
aparece pontuando nas pesquisas de opinião até agora realizadas. E a aparição
do vídeo com as declarações de Luis Carlos Heinze e a declaração de Vanazzi,
poucos dias depois do PP gaúcho ter oficializado seu interesse pela candidatura
da senadora, comprova o retorno da velha tática. Óbvio, se o vídeo data de
novembro de 2013, por só agora foi divulgado? Esse PT é ou não maquiavélico
e oportunista?
Mas vamos aos fatos.
O que Vanazzi critica? Que o PP se opõe as minorias? Que destrata
representantes das classes econômicas menos favorecidas? Que discrimina índios,
gays e quilombolas? Que faz distinção de raça e credo religioso? De onde foi
que ele tirou essa convicção? Dos documentos oficiais do Partido Progressista é
que não foi. Procurei detalhadamente em todos eles e não encontrei nada disso. Pelo
contrário, na transcrição da sua Matriz Doutrinária está registrado o seguinte:
“Em
absoluta contradição com o que estamos habituados a presenciar, nossa dignidade
e o decorrente respeito dessa dignidade pelos demais e pelas instituições da
sociedade não pode provir do que nos diferencia (bens materiais, títulos,
idade, raça, beleza, força física, etc.) mas deve basear-se no que temos em
comum. E é na condição de pessoa humana que ela se firma, como reconhece o
primeiro artigo da Constituição Federal ao incluir a "dignidade da pessoa
humana" como um dos cinco fundamentos da existência da nação”. E mais,
para reforçar sua imagem o PP-RS criou e utiliza o slogan “Primeiro as Pessoas”.
E mais ainda, a senadora Ana Amélia Lemos, reconhecida como
a parlamentar mais influente do Congresso Nacional, nunca deu qualquer
declaração discriminatória contra quem quer que seja. Pelo contrário, sempre
foi defensora dos direitos das minorias, quer na condição de jornalista ou na de
parlamentar. Como encontrar, portanto, lógica na manifestação do presidente
estadual do PT? O que se pode detectar,
isso sim, é uma tentativa desesperada de encontrar algo que possa servir, mais
uma vez, de massa de manobra eleitoral. Esquece, porém, o líder petista, que
seu partido tem muito pouco crédito com os gaúchos. Principalmente por ser um
notório mentiroso e por sua constante desfaçatez.
Exemplo do faça o que eu digo, mas não faça o que eu
faço, é que no mesmo dia em que os jornais gaúchos publicavam a infeliz
declaração do deputado Heinze, o jornal carioca, O Globo, estampava a seguinte
notícia:
Deputado do PT reage à médica cubana e ataca sua
vida pessoal.
“Quero dizer que essa médica foi é
tarde”, declarou o petista
BRASÍLIA - Incomodado com a
atitude da médica Ramona Rodriguez em abandonar o programa Mais Médicos, o
deputado Zé Geraldo (PT-PA) reagiu atacando a vida pessoal da cubana. Em
discurso no plenário na tarde desta quinta-feira, o parlamentar citou uma nota
assinada pelo presidente do Conselho Municipal de Saúde de Pacajá, Valdir
Pereira da Silva, na qual Ramona é apontada como uma pessoa que ingere bebida
alcoólica.
A nota diz que ela
tentou levar um homem para seu quarto na casa onde morava na cidade paraense,
mas foi impedida por suas colegas de moradia. O texto diz também que Ramona se
indispôs com enfermeiros e funcionários do hospital onde trabalhava.
- Quero dizer que
essa médica foi é tarde - disse Zé Geraldo em seu discurso.
Na carta, o
presidente do conselho municipal de saúde faz acusações contra a médica:
“Ao chegar em
Pacajá a Drª Ramona fez amizade com um comerciante local passando a frequentar
a casa do mesmo, e por várias vezes ingeriu grande quantidade de bebida
alcoólica ficando visivelmente embriagada. Recentemente ao retornar à noite
para casa onde se hospeda, trouxe consigo um homem estranho, no intuito de
levá-lo aos seus aposentos e foi impedida pelas colegas que não concordaram com
a presença do estranho por ser essa uma conduta proibida pelas regras de
convivência da casa. Tal fato arruinou de vez a convivência da Drª Ramona com
suas colegas de trabalho chegado a se indispor com enfermeiros e demais
funcionários do hospital onde trabalhava”, afirma.
Ramona
Rodriguez pediu ajuda ao DEM para obter asilo político e trabalhar no Brasil
como médica. Ela disse que foi "enganada" pelo governo cubano, que
percebeu isso pela diferença salarial dos médicos estrangeiros e cubanos. Nesta
quinta-feira, ela decidiu entrar com uma ação na Justiça do Trabalho do Pará cobrando
do governo a diferença salarial que teria deixado de receber no programa Mais
Médicos.
A médica cubana
será contratada para trabalhar na Associação Médica Brasileira (AMB), uma das
entidades que se posicionou contra o programa Mais Médicos.
Diante de tudo isso a pergunta que não quer calar é:
quem é mesmo que discrimina as pessoas? Ou no caso do PT gaúcho, poderá haver
discriminação maior, desrespeito maior, do que usar a mentira como arma contra
os seus adversários, manipulando as pessoas?

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