segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A surdez das ruas.




Fala-se muito nas vozes das ruas, ouvidas mais fortemente a partir de junho de 2013, quando  foram  realizados os  grandes  protestos populares. Mas o que se vê nas pesquisas de opinião a respeito das preferências pelos futuros governantes não  tem  nada a ver com o que foi dito nos protestos. Senão vejamos. O que as faixas diziam? Mais saúde. Melhor educação. Mais segurança. Fim da corrupção. Etc. E  estas cobranças são em cima de quem? De  quem  está  no governo. 

Então como explicar que Dilma e alguns governadores candidatos a reeleição apareçam pontuando nas pesquisas? Se está errada a forma de governar, não priorizando o que é importante para a população, o normal não seria substituir os atuais governantes? Ou será que o leque de opções é tão ruim que o melhor é deixar tudo como está? Ou quem sabe seria a inexistência de uma opção competente o suficiente para mostrar outro caminho à população? 

Acreditar em qualquer uma dessas possibilidades é ter uma visão negativa sobre o futuro do Brasil. Pior que não tentar mudar para melhor é se acomodar com o que não está dando certo. Por isso, para mim, a fotografia mostrada pelas pesquisas se apresenta como um grande enigma. Que inconformismo popular é este que se acomoda com a mesmice? O gigante acordou para quê? Ou por quê? Para virar de lado e adormecer novamente? 

Leio, esporadicamente, que estão sendo preparados protestos para os próximos meses, aproveitando a proximidade da Copa. Preparados por quem? Pelos mesmos organizadores das manifestações de junho? Pela oposição que finalmente viu “cair a fixa” da oportunidade? Da situação, que pretende se aproveitar do momento para fazer as vezes de oposição, iludindo o eleitor?

“Desculpe o incômodo, estamos mudando o país”. Juro que quando li esse cartaz achei que algo realmente diferente estava sendo gerado. Mas, sinceramente, tirando os tais de rolezinhos e a prisão dos mensaleiros, não vi nenhuma evolução significativa de lá para cá. O susto inicial dos governantes e dos políticos virou tranquilidade. Os problemas continuam os mesmos. O desvio de dinheiro público continua acontecendo. Isso tudo, associado as pesquisas de opinião, só tem contribuído para o meu pessimismo.  

Afinal, o que houve com a voz das ruas? 

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