Que calorão!
Pronto. Bastou chegar o mês de
novembro e nós gaúchos já estamos padecendo com o calor exagerado. Tem razão
quem afirma que gaúcho é um sobrevivente. No Rio Grande do Sul é assim, ou é
muito frio ou é muito quente. O meio tempo é uma exceção. Uma raridade. E nos últimos
anos o período de calor tem vingado com força. E eu que não compreendia a saga
migratória anual dos gaúchos para o litoral, começo a acreditar que é em busca
de uma brisa qualquer ou de um local prá se banhar, mesmo que seja de água
marrom e fria.
Prá quem tem a sorte de morar em
cidade grande o apelo dos shoppings é cada vez maior. Pelas ofertas ou produtos
diferenciados? Não. Pelo ar-condicionado. E aqueles que não moram nas grandes
cidades? Esses apelam prá qualquer lugar que tenha ar-refrigerado. De supermercado
até câmara frigorífica de açougue. E se não tem mar por perto apelam prá banho
de rio, sanga, açude e até banho de mangueira. E cá entre nós. Como é bom um
banho de mangueira quando faz calor demais, né? Ah, e tem a piscina. Mas essa é
prá quem pode.
Mas quem sofre mesmo com o calor é
quem mora no campo. Deus do céu. Quando tem água encanada e luz elétrica ainda
dá prá agüentar. Mas quando não tem? Virgem, sofro só de pensar. Mas e os prejuízos
causados pela seca? Sim, pois aqui no Rio Grande do Sul quando faz calor de
verdade a conseqüência é a falta de chuva. Ou a estiagem, como alguns dizem. E
junto com a seca vêm os danos a lavoura. E com eles o prejuízo da economia gaúcha,
lastreada que é pela produção primária.
Mas se o calorão gaúcho se tornou
rotineiro, o que o governo (na acepção universal da palavra) está fazendo para
minimizar esta situação cada vez mais freqüente? Pelo que eu sei muito pouco.
Algumas barragens estão sendo construídas. Poucas é verdade. E quase sempre com
as obras andando em passo de tartaruga. Alguns poços artesianos foram construídos.
Não lembro bem, mas parece que o Estado mandou construir alguns açudes. Poucos
também. Mas isto não é um problema desse
governo. Dos anteriores também. Mas não dá prá negar que a situação piora a
cada verão, o exige colocar o assunto como prioridade de governo. De qualquer
governo.
Enquanto isto não acontece seja o
que Deus quiser. Ou seja, preparemo-nos para mais um verão daqueles.
Imagem: facebook.com

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