A China vem ai. Que medo!
Quando li num jornal especializado
em economia, no início do ano, que o sonho de consumo da classe médica ascendente
da China era adquirir bens duráveis de qualidade, produzidos fora do seu país, fiquei
pensando: mas se eles não confiam nos seus próprios produtos como podem estar
exportando tanto para tantos países? Que fenômeno econômico e social é esse
onde o maior mercado consumidor do mundo não confia na sua própria indústria? A
resposta, a meu ver, está no fato de que quem tem dinheiro quer produtos de
qualidade. Ou seja, o preço está em segundo plano.
Sendo assim, a situação contrária
também é óbvia. Para quem tem pouco dinheiro, o que importa na compra de um
produto é, em primeiro lugar, o preço. Ah, e nisso a China é professoral. Claro
que me refiro à confecção de produtos baratos, em termos de competitividade. Lamentável
é a forma como isto se processa. Com uma
mão de obra volumosa e barata, a produção em larga escala da China está baseada
basicamente em três pilares: baixa remuneração do trabalhador; jornada de
trabalho que é quase o dobro da praticada nos países ocidentais; e um produto de menor qualidade, mas barato. É uma fórmula imbatível. Embora injusta socialmente e
predadora comercialmente. Mas se tem mercado consumidor para este tipo de
produto o que se pode fazer?
Pois é graças a essa “revolução
industrial” que a China se prepara para, já em 2016, se tornar a maior a
maior economia do planeta. Pelo menos é esta a projeção da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o estudo, nessa jornada rumo ao topo do
mundo econômico, a China irá superar a zona do euro dentro de um ano e os EUA
até 2016, ano em que consolida sua condição hegemônica.
Mas se a tendência mostra-se
irreversível, pelo menos em curto prazo, por que então o título desse artigo? Simples.
O que a China vai fazer com todo esse dinheiro? Será que não irá buscar também
o domínio político do planeta? Uma espécie de imperialismo oriental. Mas e daí
perguntarão: Os Estados Unidos já não exercem essa função a nível
ocidental? Sim, mas com uma diferença vital, chamada democracia. Diferente do socialismo comunista da China.
Na mesma época em que milhões de
americanos foram às urnas para eleger seu presidente para os próximos quatro
anos, a China reúne, a portas fechadas no imenso salão da Praça da Paz Celestial,
os 2.270 delegados do Partido Comunista Chinês (único e há 63 anos no poder) que
irão decidir quem serão os governantes do país nos próximos dez anos. Ou seja,
2.270 pessoas decidem, sozinhas, o futuro dos 1,3 bilhão de chineses (18,5% da
população mundial). É assustador ou não?
O que será do mundo com uma China
socialista dominante economicamente, que demonstra comercialmente sua tendência
predatória? Essa é a questão. Se esse domínio tão próximo se ativer apenas ao
campo econômico a situação até que se apresenta interessante, sob o ponto de
vista da competitividade. Mas se a coisa pender para o domínio político, temo
pelo uso que ela possa fazer do seu obediente bilhão de pessoas e do seu
poderio econômico.
Deu para entender?
Imagem: vespeiro.com

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