domingo, 11 de novembro de 2012


A China vem ai. Que medo!



Quando li num jornal especializado em economia, no início do ano, que o sonho de consumo da classe médica ascendente da China era adquirir bens duráveis de qualidade, produzidos fora do seu país, fiquei pensando: mas se eles não confiam nos seus próprios produtos como podem estar exportando tanto para tantos países? Que fenômeno econômico e social é esse onde o maior mercado consumidor do mundo não confia na sua própria indústria? A resposta, a meu ver, está no fato de que quem tem dinheiro quer produtos de qualidade. Ou seja, o preço está em segundo plano.

Sendo assim, a situação contrária também é óbvia. Para quem tem pouco dinheiro, o que importa na compra de um produto é, em primeiro lugar, o preço. Ah, e nisso a China é professoral. Claro que me refiro à confecção de produtos baratos, em termos de competitividade. Lamentável é a forma como isto se processa.  Com uma mão de obra volumosa e barata, a produção em larga escala da China está baseada basicamente em três pilares: baixa remuneração do trabalhador; jornada de trabalho que é quase o dobro da praticada nos países ocidentais; e um produto de menor qualidade, mas barato. É uma fórmula imbatível. Embora injusta socialmente e predadora comercialmente. Mas se tem mercado consumidor para este tipo de produto o que se pode fazer?

Pois é graças a essa “revolução industrial” que a China se prepara para, já em 2016, se tornar a maior a maior economia do planeta. Pelo menos é esta a projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).  Segundo o estudo, nessa jornada rumo ao topo do mundo econômico, a China irá superar a zona do euro dentro de um ano e os EUA até 2016, ano em que consolida sua condição hegemônica.

Mas se a tendência mostra-se irreversível, pelo menos em curto prazo, por que então o título desse artigo? Simples. O que a China vai fazer com todo esse dinheiro? Será que não irá buscar também o domínio político do planeta? Uma espécie de imperialismo oriental. Mas e daí perguntarão: Os Estados Unidos já não exercem essa função a nível ocidental? Sim, mas com uma diferença vital, chamada democracia.  Diferente do socialismo comunista da China.

Na mesma época em que milhões de americanos foram às urnas para eleger seu presidente para os próximos quatro anos, a China reúne, a portas fechadas no imenso salão da Praça da Paz Celestial, os 2.270 delegados do Partido Comunista Chinês (único e há 63 anos no poder) que irão decidir quem serão os governantes do país nos próximos dez anos. Ou seja, 2.270 pessoas decidem, sozinhas, o futuro dos 1,3 bilhão de chineses (18,5% da população mundial). É assustador ou não?

O que será do mundo com uma China socialista dominante economicamente, que demonstra comercialmente sua tendência predatória? Essa é a questão. Se esse domínio tão próximo se ativer apenas ao campo econômico a situação até que se apresenta interessante, sob o ponto de vista da competitividade. Mas se a coisa pender para o domínio político, temo pelo uso que ela possa fazer do seu obediente bilhão de pessoas e do seu poderio econômico.

Deu para entender?

Imagem: vespeiro.com

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