segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Encruzilhada moral



Apenas uma semana após o término da eleição para a prefeitura de Porto Alegre já se começa a falar na montagem do segundo governo de José Fortunati. Com isso já começam também as pressões dos partidos que estão e estarão apoiando o prefeito. E são nove: PDT, PMDB, PTB, PP, PPS, DEM, PRB, PON e PTN. Cinco a mais do que a coligação que apoiou José Fogaça e Fortunati em 2008. Não obstante mais do que dobrar o número de partidos que esperam colocação no seu governo, José Fortunati terá que lidar com o desejo de ampliação de espaço dos partidos que integram sua atual gestão, respectivamente, PDT (que conseguiu eleger a maior bancada na Câmara de Vereadores), PMDB (que ocupa a vaga de vice-prefeito), PTB (que abriu mão da vaga de vice-prefeito em troca de mais espaço administrativo) e PP (que desta vez apoiou Fortunati no primeiro turno, contrariando desejo da senadora Ana Amélia Lemos).

Mas apesar desse problema político-partidário, Fortunati terá que lidar com outro bem mais importante para o seu futuro político (nos próximos quatro anos e depois).  Qual o perfil que dará ao seu segundo governo? Técnico ou político? Ou os dois? Neste caso, prá qual lado a balança irá pender? A resposta a todas essas questões se faz importante tendo em vista que o quesito gestão foi a tônica da eleição deste ano. Quem não se lembra das palavras inovação, experiência, competência, qualidade, e outras mais, exaustivamente pronunciadas por todos os candidatos, seja na propaganda eleitoral ou nos debates?

Essa é, ao meu ver, a grande encruzilhada moral de Fortunati. Ser fiel às urnas ou aos partidos aliados? Sim, pois essa é a resposta que os porto-alegrenses estão esperando do prefeito reeleito de Porto Alegre, no momento em que se prepara para a montagem da sua equipe de governo para os próximos quatro anos. Nesse sentido, o que importa mais? Ampliar o número de secretarias para poder acomodar os suplentes de vereador ou racionalizar a estrutura existente para fazer a máquina pública municipal ser mais eficiente e produtiva?

Porto Alegre, com os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol, se prepara para virar um grande canteiro de obras. Isso trará benefícios e aborrecimentos. Terá a prefeitura pessoal competente para coordenar e fiscalizar a execução desses importantíssimos investimentos? E a promessa de que aqueles serviços que ainda não melhoraram irão melhorar, terá gente capaz de torná-la realidade?

Como se vê, Fortunati tem muito mais perguntas a responder para os porto-alegrenses do que para os partidos aliados. Mas já que a bola da vez é a montagem do secretariado é bom o prefeito reeleito saber que a mentalidade do eleitor mudou e que ele (eleitor) está atento a todos os seus movimentos. Especialmente no que se refere ao cumprimento de promessas de campanha.

Imagem: portoimagem.wordpress.com

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