Colega ou companheiro de luta?
Zero Hora
Após 43 dias de interrupção
forçada das aulas, finalmente a rotina do Colégio Estadual Júlio de Castilhos
poderá ser retomada. Durante todo o período em que a escola esteve fechada, a
exemplo do que aconteceu em dezenas de outras escolas, os alunos ocupantes, uma
minoria ligada a partidos políticos, incentivada pelo Cpers - uma entidade que
há muito deixou de representar os interesses da categoria para se dedicar ao
atendimento de interesses de político-partidários -, realizou atividades,
digamos, alternativas, como por exemplo, orientações sobre como ocupar uma
escola e noções básicas sobre socialismo e o comunismo. Pouco ou nada afetas ao
conteúdo curricular estabelecido pelos órgãos reguladores do ensino.
Na véspera da retomada das aulas
é importante fazer uma avaliação dos protestos. Os manifestantes já fizeram e
se orgulharam do resultado final da ocupação. “Conseguimos transformar o
Julinho numa escola de luta”, disse um dos coordenadores do movimento. Mas será
que a escola é o melhor local para esse aprendizado ideológico? Não seria
melhor usar espaços mais afins, como a sede das entidades estudantis e dos
partidos políticos ou as chamadas “casas do povo”, no caso as Câmaras de
Vereadores, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional? Penso que sim.
E os alunos que não participaram
do movimento de ocupação e não puderam assistir as aulas para receber o
conhecimento a que fazem jus, que avaliação irão fazer de tudo isso?
Conseguirão recuperar o conteúdo perdido? No caso daqueles que irão prestar
vestibular no final do ano, conseguirão concluir o 3º ano do ensino médio a
tempo de participar do concurso seletivo? E os professores? Conseguirão ter
férias, uma vez que precisarão recuperar as aulas que não foram dadas?
Como se vê, enquanto uma minoria
comemora a sua vitória de Pirro, a comunidade escolar (alunos, pais e
professores) trata de recuperar o patrimônio depredado pelos manifestantes,
preparando minimamente os estabelecimentos para o recomeço das aulas.
Mas na verdade, quem deve avaliar
os prós e contras desse tipo de protesto é a sociedade como um todo. A começar
pelos nossos governantes e legisladores. Para saber que tipo de geração de
jovens estamos construindo? Que tipo de mundo deixaremos para nossos filhos e
netos?
Enquanto isto não acontece, tenho
uma dúvida premente. Que tipo de denominação os estudantes ativistas irão exigir
dos demais, que não são, que seja capaz de identifica-los com a sua nova
postura revolucionária? Colega ou companheiro de luta? Talvez isso represente o
primeiro passo para um discussão séria sobre o futuro da educação no Brasil.
Tomara!

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