A política do caos
Em tempos de clamor popular por transparência, comprovado pela queda de popularidade da classe política, é inadmissível que alguns segmentos da imprensa brasileira insistam em adotar uma disfarçada transparência em sua atividade. Tanto para a política, como para a imprensa, transparência é sinônimo de credibilidade. A inexistência dela é pressuposto de inutilidade cidadã. Mas ainda, é instrumento de engôdo é má fé.
Faço essas considerações tendo em vista a repetição de um comportamento no mínimo inadequado para a compreensão popular sobre as reais intenções e atos do governo gaúcho. Basta o governo preparar projetos recessivos, rotulados como medidas financeiras saneadoras, para que, antes do envio para a Assembleia Legislativa, um importante segmento da imprensa gaúcha dedique amplo espaço para as vantagens da sua aprovação.
E pior, massifica tendenciosamente a exposição dos prejuízos caso esses projetos não sejam aprovados. Trata-se, inequivocamente, de uma estratégia de pressão sobre os deputados da base aliada e uma ferramenta, do tipo patrola, de indução à submissão popular.
É o que ocorre hoje, por exemplo, no jornal Zero Hora que dedica capa, duas páginas e comentários em colunas, novamente às vésperas do envio de projetos para a Assembleia, de projetos da chamada sexta fase do ajuste fiscal. E o enfoque é sempre o mesmo do governo: o caos das finanças públicas. E o que diz a manchete? "Estado acumula déficit de R$ 3 bi em oito meses".
Pois bem, o que não é dito em nenhum momento na reportagem é que esse déficit foi muito reduzido se levarmos em conta a previsão inicial do governo que era de R$ 5,4 bilhões na ano. Ou seja, deveria ser de R$ 3,6 bi em oito meses. Isso significa que houve uma redução de R$ 600 milhões. Ora, se não é o bastante não há razão para não dizer que melhorou um pouco. E deve melhorar ainda mais até dezembro.
É isso que é incompreensível. Por que só destacam as notícias ruins? Não parece uma adesão a tese governista do caos financeiro? A pergunta que fica é: o que o RS ganha com esse terrorismo? Que reflexo isso acarreta na vida das pessoas e especialmente no mercado gaúcho? Parece que a palavra desenvolvimento desapareceu do vocabulário.
Já disse e repito. Sartori não foi eleito para ser o "salvador da pátria". Foi eleito para fazer o Rio Grande melhorar. E isso vai demandar um certo tempo pois o desmonte financeiro vem de muito tempo, executado inclusive por três governos peemedebistas. Querer recuperar o Estado em um ano ou num só governo é pensar milagrosamente. E o governador atual não é nenhum messias, por mais que julgue ser.
Por isso, ao meu ver, o grande problema do nosso estado não é apenas financeiro, mais cultural. Está na hora de investir o pouco que sobra naquilo que realmente está fazendo falta. Educação, principalmente, e segurança. E é isso que a imprensa tem que cobrar com a mesma intensidade com que vem proclamando o caos. Colocar o Rio Grande para baixo é que não vai resolver nada. Só vai piorar. Precisamos urgentemente de boas notícias.

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