Eu era feliz e sabia (Parte 1).
Dizem que o mundo está mudando
muito rápido. E está mesmo. Principalmente se o foco for o avanço tecnológico.
Nunca tivemos tanta facilidade para nos comunicarmos e nos locomovermos. Mas então como explicar o isolamento social
cada vez maior do ser humano?
Quem como eu tem mais de 50 anos
deve se lembrar do tempo em que felicidade era sentar com a família na calçada
ou nas praças para conversar com os vizinhos e deixar as crianças soltas para
brincar. Sabíamos o nome de todos e solidariedade era uma constante no
relacionamento. Hoje não sabemos o nome do vizinho do lado e a diversão dos
nossos jovens está na solidão da tela do computador ou do celular. Juntar
parentes e amigos para jogar conversa fora é coisa rara. Não temos tempo. Nem
disposição.
Atividade física (exercício só na
academia e olhe lá) virou sacrifício. Para ir ao supermercado, mesmo que ele
esteja a poucas quadras da residência, só de carro. Antigamente se buscava o
alimento nas feiras livres ou nos armazéns. A pé, claro. Ou no caso da
gurizada, de bicicleta. E por falar em
gurizada, jogar bola era o esporte preferido dos meninos. E campinho disponível
é que não faltava. E quando não tinha jogava-se na calçada ou no meio da
rua. O mesmo ocorria com as meninas nas
brincadeiras de roda, amarelinha (sapata) ou pular corda. Coisas quase inimagináveis
nos dias atuais.
Alimentação era feita em casa e frequentemente
com ingredientes colhidos na horta do quintal.
E quem não lembra com saudade e água na boca das comidas caseiras da mãe
e da vó? Hoje cozinhar virou hobby. O normal é comer fora ou via telentrega. E
o que antes era motivo de confraternização familiar, sentarem-se todos a mesma
mesa, caiu em desuso. Agora a moda é comer na sala e no quarto, teclando o
notebook ou assistindo televisão.
E o lazer então? O fim de semana
de outrora era esperado com impaciência e ansiedade. Quais os filmes que irão
passar na matiné do cinema do bairro? Em casa de qual amigo seria realizada a
reunião dançante de sábado à noite? Ah, bons tempos aqueles em que se dançava
juntinho, de rosto colado e coração disparado. Hoje se dança separado e
invariavelmente as festas começam depois da meia noite. E o ritmo? techno music. Não
se namora mais. Se fica. De preferência com vários parceiros (as) na mesma
noite. Guria que fazia isso antigamente era chamada de “galinha”, hoje é moderna,
extrovertida.
Bebida alcoólica era coisa de
homem com mais de 18 anos. Se um adolescente chegasse com cheiro de álcool em
casa a coisa enfeiava para o lado dele. Na contramão dessa conduta, hoje quem
não bebe, independente da idade, não se diverte. E as mulheres estão bebendo
tanto ou mais do que os homens. E ao contrário do que disse Tim Maia, vale
dançar homem com homem e mulher com mulher. E o uso de drogas está disseminado.
Fuma-se maconha livremente e em qualquer lugar.
Ai é que está o X da questão.
Alimentando-se mal, sendo sedentário, dormindo pouco, ingerindo álcool e
drogas, levando uma vida solitária e sem valorizar a família, o homem/mulher contemporâneo
(a) engorda mais, adoece mais, se estressa mais, fica mais violento, perde a
religiosidade e morre (ou será se mata?) mais cedo. Ou sofre mais tempo, haja
vista o avanço da idade média promovido pelo aprimoramento tecnológico da
medicina.
Pode-se chamar isso de
modernidade? Moda mesmo seria buscar os valores e hábitos deixados para trás,
no passado. Quando não tínhamos os medos de hoje. Mas será que isto ainda é
possível? Talvez não na sua totalidade. Mas naquilo que depender de mudança de
postura pessoal, de conduta, fruto dos bons exemplos da família, certamente que sim. Ou seja, a melhoria começa dentro
de nós. Com mais atitude e menos contemplação. Com mais responsabilidade social
e menos virtualidade comportamental. Onde a perfeição só é alcançada na ficção. Ser moderno, por mais incrível que pareça,
é valorizar a felicidade do passado.

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