terça-feira, 1 de abril de 2014

Cuidado, os falsos messias estão de volta.



Não resta dúvida sobre a necessidade da melhoria da política e dos políticos brasileiros. Tão solícitos e interessados pelas causas populares, sejam elas individuais ou coletivas, em época de campanha eleitoral, este “espírito público” praticamente desaparece no cumprimento do mandato, retornando quase que milagrosamente nos meses que antecedem a próxima eleição.

E ao contrário do que pensam os defensores da tese da proibição do advento da reeleição, o vírus do engodo eleitoral não afeta apenas os que buscam um novo mandato. Ele inocula até mesmos os candidatos marinheiros de primeira viagem. É a repetição de uma fórmula até agora bem sucedida. Culpa dos candidatos? Sim. Mas também culpa do eleitor, que se deixa iludir pelas facilidades prometidas. Situação parecida com o golpe do bilhete premiado. Quem está se aproveitando de quem?

E nesse mundo de mentiras e fantasias vale tudo. Emprego, vaga em creche, aumento salarial, obras aguardadas há décadas, etc. Lembro bem do que disse um deputado ao reclamar de um diretor de estatal quando foi informado de que as obras rodoviárias da sua região estariam concluídas antes da eleição. Disse ele: “Mas o senhor está querendo que eu não me reeleja. Eleitor não vota em obra pronta e sim na promessa dá sua conclusão”.

Essa é a máxima do candidato mal intencionado. E a estratégia de quem trata o leitor como um idiota. E como dói ter que dar-lhe razão ao final do escrutínio. Tal qual a metástase cancerígena, a má escolha feita pela maioria dos iludidos acaba por prejudicar até mesmo os mais lúcidos e esclarecidos.  E o pior é que esse universo de eleitores de ocasião tende a sofrer de amnésia crônica. Ou por não se lembrar em quem votou na eleição anterior, ou por teimar em repetir o voto.

Faço essas referências não para pregar o voto em novos nomes e muito menos na defesa do voto nulo. Mas para defender a necessidade do voto consciente. E dentre os critérios que considero adequados à escolha do candidato a ser votado deve estar a honestidade no cumprimento das promessas. Não se pode acreditar em quem prometeu o que não podia entregar. Outro critério deve ser o da assiduidade nas sessões plenárias e nos encontros promovidos pelas comunidades que representa. Candidato tipo “Cometa Halley”, que só aparece de quatro em quatro anos, não deve sequer ser considerado como opção de voto.

Também a ostentação de riqueza deve ser avaliada. A política não enriquece ninguém. A menos que o político em questão já fosse detentor de um patrimônio diferenciado. E, fundamentalmente, verifique se o seu candidato comprovou ter espírito público ou se apenas buscou o atendimento de interesses próprios ou de algum grupo em especial.

Lembrei-me de fazer essas considerações pela repetição dos fatos acima destacados. Dentre eles o envio pelo Executivo estadual (subentenda-se Tarso Genro) de projetos de lei propondo significativos reajustes salariais. Mas é a promessa não cumprida da implantação para o piso do magistério? Claro que existem categorias que merecem ter seus salários reajustados, mas a pergunta que fica é a do por que não propuseram isso antes, quando a situação financeira do Estado não estava tão combalida? E por que estender o parcelamento dos reajustes para o período do próximo governo?

Da mesma forma, só que a nível nacional, por que somente agora, as vésperas da eleição, o Governo Federal (subentenda-se Dilma Rousseff) resolveu autorizar a construção da segunda ponte sobre o Guaíba? Mas e as obras do PAC que ainda não foram executadas? E o metrô de Porto Alegre que ainda não saiu do papel?

São alguns exemplos de indagações que precisam ser feitas antes de decidir o voto.  Esse é o contraveneno contra o engodo eleitoral. O antídoto contra o voto equivocado. E a solução para a construção da boa política.




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