Cuidado, os falsos messias estão de volta.
Não resta dúvida sobre a necessidade da melhoria da política
e dos políticos brasileiros. Tão solícitos e interessados pelas causas populares,
sejam elas individuais ou coletivas, em época de campanha eleitoral, este “espírito
público” praticamente desaparece no cumprimento do mandato, retornando quase
que milagrosamente nos meses que antecedem a próxima eleição.
E ao contrário do que pensam os defensores da tese da
proibição do advento da reeleição, o vírus do engodo eleitoral não afeta apenas
os que buscam um novo mandato. Ele inocula até mesmos os candidatos marinheiros
de primeira viagem. É a repetição de uma fórmula até agora bem sucedida. Culpa
dos candidatos? Sim. Mas também culpa do eleitor, que se deixa iludir pelas
facilidades prometidas. Situação parecida com o golpe do bilhete premiado. Quem
está se aproveitando de quem?
E nesse mundo de mentiras e fantasias vale tudo. Emprego,
vaga em creche, aumento salarial, obras aguardadas há décadas, etc. Lembro bem
do que disse um deputado ao reclamar de um diretor de estatal quando foi
informado de que as obras rodoviárias da sua região estariam concluídas antes
da eleição. Disse ele: “Mas o senhor está querendo que eu não me reeleja. Eleitor
não vota em obra pronta e sim na promessa dá sua conclusão”.
Essa é a máxima do candidato mal intencionado. E a
estratégia de quem trata o leitor como um idiota. E como dói ter que dar-lhe
razão ao final do escrutínio. Tal qual a metástase cancerígena, a má escolha feita
pela maioria dos iludidos acaba por prejudicar até mesmo os mais lúcidos e
esclarecidos. E o pior é que esse
universo de eleitores de ocasião tende a sofrer de amnésia crônica. Ou por não
se lembrar em quem votou na eleição anterior, ou por teimar em repetir o voto.
Faço essas referências não para pregar o voto em novos nomes
e muito menos na defesa do voto nulo. Mas para defender a necessidade do voto
consciente. E dentre os critérios que considero adequados à escolha do candidato
a ser votado deve estar a honestidade no cumprimento das promessas. Não se pode
acreditar em quem prometeu o que não podia entregar. Outro critério deve ser o
da assiduidade nas sessões plenárias e nos encontros promovidos pelas comunidades
que representa. Candidato tipo “Cometa Halley”, que só aparece de quatro em
quatro anos, não deve sequer ser considerado como opção de voto.
Também a ostentação de riqueza deve ser avaliada. A política
não enriquece ninguém. A menos que o político em questão já fosse detentor de
um patrimônio diferenciado. E, fundamentalmente, verifique se o seu candidato
comprovou ter espírito público ou se apenas buscou o atendimento de interesses
próprios ou de algum grupo em especial.
Lembrei-me de fazer essas considerações pela repetição dos
fatos acima destacados. Dentre eles o envio pelo Executivo estadual (subentenda-se
Tarso Genro) de projetos de lei propondo significativos reajustes salariais. Mas
é a promessa não cumprida da implantação para o piso do magistério? Claro que
existem categorias que merecem ter seus salários reajustados, mas a pergunta
que fica é a do por que não propuseram isso antes, quando a situação financeira
do Estado não estava tão combalida? E por que estender o parcelamento dos
reajustes para o período do próximo governo?
Da mesma forma, só que a nível nacional, por que somente
agora, as vésperas da eleição, o Governo Federal (subentenda-se Dilma Rousseff)
resolveu autorizar a construção da segunda ponte sobre o Guaíba? Mas e as obras
do PAC que ainda não foram executadas? E o metrô de Porto Alegre que ainda não
saiu do papel?
São alguns exemplos de indagações que precisam ser feitas
antes de decidir o voto. Esse é o
contraveneno contra o engodo eleitoral. O antídoto contra o voto equivocado. E
a solução para a construção da boa política.

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