sexta-feira, 28 de março de 2014


O centro do descaso.



Há pouco mais de dois meses para o início da Copa do Mundo, Porto Alegre, uma das cidades sedes dos jogos internacionais, nem de longe parece ter se preparado para aquele que depois das Olimpíadas é considerado o maior evento esportivo do mundo. E isso não se trata de uma sensação, embora também seja, mas de uma constatação visual e olfativa.

Não estou me referindo as obras viárias inacabadas e tão pouco as instalações complementares do entorno do estádio Beira-Rio que sequer foram iniciadas. Falo da cidade instalada e especialmente do centro da capital. Não precisa ser um especialista em urbanismo para constatar o abandono do mais antigo bairro de Porto Alegre. Basta andar pelas ruas e avenidas. Prédios pichados a vontade. Praças às escuras e mal conservadas, habitadas por mendigos, bêbados, drogados e catadores de papel. Ruas pouco iluminadas e desprovidas de policiamento ostensivo. Etc.

Exemplo maior desse descaso é a Praça Marechal Deodoro, conhecida como Praça da Matriz. O desleixo para com aquela importante área de lazer, cercada pelo Palácio do Governo, Catedral Metropolitana, Tribunal de Justiça, Teatro São Pedro e Assembleia Legislativa, é visível. E olha que o prefeito da capital, José Fortunati, mora defronte a praça.

Mas não se trata de uma exceção, mas de uma regra. Os problemas de calçamento da Praça da Matriz, o mau cheiro provocado pela urina e fezes de animais e seres humanos, a pichação de prédios e monumentos, é o mesmo de inúmeras ruas da capital.

Mas a responsabilidade pelo abandono da capital não se limita a um problema de gestão governamental. É também um problema cultural, de responsabilidade do cidadão e da cidadã.  Que comunidade é essa que tolera transitar sobre excrementos e que tapa o nariz para não sentir o mau cheiro? Pior, que ajuda a sujar as calçadas ao não recolher as fezes dos seus cachorros e que joga lixo no chão. Que estaciona em local proibido ajudando a engarrafar ainda mais o já congestionado trânsito urbano. Que dirige como se fosse o dono da via pública.

Tomara que a Copa seja um sucesso dentro de campo, pois fora dele a situação é muito difícil. E a previsão é de que o que está ruim tende a ficar pior ainda. Basta observar o despreparo dos profissionais que atuam no segmento de serviços, tais como garçons, taxistas, etc. Isso sem falar nos flanelinhas, que continuam dominando as ruas.

Pobres turistas. Talvez levados pelo nome da cidade tenham a expectativa de encontrar uma cidade feliz e cheia de atrativos. Terão que enfrentar a dura realidade de não poderem entrar nas águas do Guaíba, por estarem poluídas; de não poderem transitar livremente pelas ruas à noite, pelo medo de serem assaltados; de terem que se deslocar a pé, pela escassez de táxis, lotações e ônibus, já que não temos metrô.

E nós que pensávamos ter lucro com a Copa do Mundo. Tomara não tenhamos prejuízos, gerados pela má imagem divulgada para o exterior. Ah! Mas tem os jogos entre seleções como França, Holanda e Argentina. Pois é, tentem comprar um ingresso para ver o que acontece. Não tem mais. Todos foram vendidos.


Viva Porto Alegre. Que nossas façanhas sirvam de exemplo a toda a Terra. Até quando?

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