quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A bomba relógio de Tarso.



Tal qual o grande e supostamente inafundável Titanic, o Rio Grande do Sul navega descontrolado rumo ao iceberg da bancarrota financeira. Numa comparação com o filme Titanic, essa é a situação do Rio Grande do Sul. Enquanto o governador (capitão) age como se tudo estivesse sob controle, quem segura o leme são pessoas (marinheiros) despreparadas para a tarefa de conduzir um estado (navio) em risco eminente de insolvência. Incompetência? Despreparo? Ou premeditação? Debrucemo-nos, pois, na análise dessas três hipóteses.

Incompetência? Os erros e equívocos gerenciais praticados no governo Tarso são muito semelhantes aos do governo Olívio Dutra, entre 1999 e 2003. Só não são iguais porque se agravaram. Olívio, apesar de ter o orçamento participativo como sua principal bandeira, deixou o governo sob forte rejeição popular. Tarso, segundo as pesquisas de opinião, tem sua administração muito mal avaliada. A diferença é que ao contrário de Olívio, ele não conseguiu imprimir nenhuma marca ao seu governo.

Despreparo? Na contramão da máxima que diz que um bom administrador é aquele que sabe escolher seus assessores, tanto Olívio quanto Tarso colocaram o interesse partidário como principal critério de seleção para a montagem da máquina pública. No caso de Olívio o foco era a instrumentalização partidária do governo. A estrela era o passaporte para a ocupação dos cargos, independente da qualificação profissional dos seus ocupantes. Tarso, por sua vez, seguindo a cartilha Lulista, priorizou a montagem de um governo de gestão pluripartidária (compartilhada, dizem), que mais se assemelha a um “Exército de Brancaleone”, cujo foco é o ganho político e não a gestão eficiente. Um Frankenstein manipulado por interesses difusos.

Premeditação? Num primeiro momento tal possibilidade pode parecer absurda. Como alguém vai planejar um governo para que ele não dê certo? A menos que traga consigo as marcas da incompetência e do despreparo. Pois é isso que explica o segundo momento, o da implosão dos futuros governos. Partido político existe para chagar ao poder, isso todo mundo sabe. Mas para o PT não basta chegar, tem que permanecer. Como se fosse dono dele. E quando isso está ameaçado “a morte é uma obrigação”. Tipo, se não é meu não será de mais ninguém. E a vítima no caso será o futuro do Rio Grande.

Particularmente, se tivesse que escolher entre as três opções, eu optaria por uma resposta múltipla. No caso as três opções estariam corretas. Mas pelo andar da carruagem, pelo mau desempenho nas pesquisas de opinião, e pelas medidas antiéticas (se não irresponsáveis) de Tarso, que corroem e comprometem a estrutura financeira do Estado em um futuro imediato, eu fico com a terceira hipótese. A premeditação. Só isso pode explicar os reajustes escalonados dados ao funcionalismo com vencimentos previstos para o próximo governo. Só isto pode explicar os saques de receitas alternativas, como os do caixa único, depósitos judiciais e outras mais, sem que haja qualquer horizonte previsível para as suas restituições.

Mas o PT não é de jogar a toalha. Deve estar planejando alguma estratégia maquiavélica para tentar, mais uma vez, enganar o eleitor. E este know how, convenhamos, ninguém e nenhum outro partido tem igual. Mas os protestos de rua nos trazem ventos de esperança. Quem sabe os eleitores não irão se deixar iludir mais uma vez pelas promessas sedutoras e impraticáveis do PT. Afinal, de onde Tarso tiraria recursos para concretizá-las?  É por isso que aposto que esta eleição será a mais conflituosa dos últimos tempos. O PT, se sentir que está ameaçado de perder o poder, vai sair atirando e, se necessário for, dinamitando pontes, mesmo que isso signifique impedir que o Rio Grande consiga alcançar o seu tão necessário desenvolvimento.


Gostaria, sinceramente, de estar equivocado. De que tudo o que está acontecendo é resultado apenas da incompetência e do despreparo do PT. Mas oito anos (Olívio e Tarso) de maus resultados não me permitem mais ser ingênuo. 

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