quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Brizola do PT.



Ano eleitoral serve para tudo. E em se tratando de eleição o PT é capaz de tudo. Até mesmo se apropriar de ícones históricos, como os trabalhistas Leonel Brizola e João Goulart (Jango). No primeiro caso, com direito a inauguração de estátua, o PT gaúcho tenta cristalizar a simpatia dos antigos aliados de governo para a sua reeleição. No segundo, a exumação dos restos mortais do ex-presidente trabalhista e a prestação de honras presidenciais póstumas, inclusive com direito a subida pela rampa do Palácio do Planalto, o PT nacional tenta consolidar a bandeira dos direitos humanos e, claro, a imagem da presidente Dilma, também candidata a reeleição.

A única identidade visível nos dois atos (estátua e exumação) é o de o PDT e o PTB integram ou integraram os governos Dilma e Tarso. Apenas e tão somente isto. À nível nacional PT e PDT, na época de Brizola, sempre tiveram linhas opostas de atuação. A ponto de Brizola ter declarado que “Lula pisaria no pescoço da mãe para ganhar a eleição”. Já à nível estadual a diferenciação está na saída do PDT da base governista para disputar o governo do Estado com candidatura própria. Saiu mas deixou vários simpatizantes da candidatura de Tarso, que serão úteis no 1º e/ou no 2º turno da eleição.



Talvez esteja no resquício dessa antiga rivalidade a justificativa da estátua de Brizola ter sido colocada no acesso lateral ao Piratiní e não no saguão de entrada do Palácio. Coerente com a forma com que trata seus parceiros o PT, ao acarinhar o PDT com a escultura do seu maior líder, mostrou que mesmo em se tratando de estratégia eleitoral não consegue manter a fidalguia com aqueles que julga ser subservientes. 

Presente no ato de descerramento da estátua, o ex-governador Alceu Collares deve ter se arrependido de não ter tido a mesma ideia quando governou o Rio Grande.

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