segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PDT usa o confronto para
se fixar como terceira via.



Dois erros não fazem um acerto. Essa máxima da coerência parece estar desacreditada pelo PDT do Rio Grande do Sul. Depois do acirramento das relações internas que decidiu, pelo voto, em disputa dividida (cujos reflexos só o tempo poderá dizer), que Vieira da Cunha será candidato à governador em 2014, as lideranças pedetistas resolveram levar o clima do confronto para além das fronteiras do partido. E os adversários escolhidos foram o PT de Dilma e Tarso, e o PP da senadora Ana Amélia. 

Usando argumentos contraditórios - já que o PDT integra os governos Dilma e Tarso - Vieira e Lasier, este último aclamado como candidato à senador, resolveram iniciar um projeto de terceira via tendo como estratégia o ataque às possíveis candidaturas adversárias. No âmbito estadual, o foco caiu sobre Tarso (PT) e Ana Amélia (PP), cujas pesquisas de opinião os apontam como candidatos preferenciais da maioria do eleitorado. 

No caso nacional, da disputa pela presidência da República, surpreendentemente a crítica recai sobre Dilma, que a exemplo das pesquisas no RS, aparece como favorita para a reeleição. E o ataque faz pontaria nos mensaleiros do PT. “Seria constrangedor empunhar a bandeira do PT, cujos principais dirigentes nacionais estão presos, condenados por corrupção”, afirmou Vieirinha. Estranho que esse constrangimento não impediu que o PDT desfrutasse das benécies dos cargos federais e estaduais. Tal postura leva a acreditar que a preferência do PDT à presidência é pela candidatura de Eduardo Campos. Mais um atrito à vista. Agora com o PDT nacional, que prefere Dilma.

Quanto ao alvo estadual, no caso de Tarso e Ana Amélia, os pedetistas terão dificuldades de consolidar as suas estratégias. No primeiro caso, porque estão umbilicalmente ligados ao governo petista de Tarso Genro. E coerência, já é sabido, nunca foi o forte do PDT. A ponto de ter concorrido contra Tarso na chapa do PMDB, ocupando a vaga de vice, e depois ter mudado de lado, integrando a base de apoio governista. 

Já no que tange à Ana Amélia, candidata com bom desempenho na senado e com um passado pessoal, profissional e político, inatacável, a pontaria da artilharia pedetista fixou a mira no PP, a quem rotulam de  partido que representa a ditadura, relembrando o tempo da antiga Arena. Ora, trazer para o debate político o tema da ideologia é se contrapor a voz das ruas, que clama por gestão pública na prestação de melhores serviços nas áreas de responsabilidade do Estado. Aliás, é bom lembrar que isso não foi considerado pela presidente Dilma, ex-militante do PDT e agora no PT,  na hora da montagem do seu governo, onde colocou os progressistas como colegas do PDT na sua base de sustentação.

Antes de partir para o ataque seria bom que o PDT gaúcho guardasse sua energia para curar primeiro suas próprias feridas. A começar pela busca da unidade entre as duas facções que se confrontaram na convenção estadual do último sábado. Depois, por ambientar Lasier Martins à realidade do partido. Mas tem que ter cuidado para não usar a expressão “choque” de realidade, pois poderá ser mal interpretada pela agora candidato a senador. 

Cristão novo, Lasier se disse surpreso pela quantidade de votos que foram dados aqueles que defenderam o apoio à manutenção do aliança com o PT. Ele ainda não sabe que no PDT nada converge naturalmente e que unanimidade mesmo, só a paixão por Brizola.

Por fim, contradizendo  Sun Tzu, em seu livro a Arte da Guerra, onde diz que uma das estratégias para vencer uma batalha é não atrapalhar o inimigo quando ele estiver errando, seria útil, para o bom andamento da campanha, que os adversários do PDT lembrassem aos pedetistas que o eleitor gaúcho, quando se trata do seu futuro, espera a apresentação de propostas realistas e sinceras, e não bravatas e ataques pessoais, sejam eles pessoais ou partidários. 

Começou errado o PDT. E em política, o primeiro passo, frequentemente, define o rumo da caminhada. 

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