domingo, 8 de dezembro de 2013

Candidatura própria do PDT dá início
 a campanha eleitoral de 2014.



A aparente tranquilidade com que o governador Tarso Genro recebeu a decisão da convenção estadual do PDT, de ter candidatura própria na eleição de 2014, não encontra amparo na repercussão que tal atitude terá no pleito e no último ano do governo petista. Por vários motivos.

A começar pela perda da parceria trabalhista na composição da chapa majoritária. Com a saída do PSB da aliança que deu a Tarso a inédita vitória no primeiro turno de 2010, o PDT passou a ter a preferência dos petistas para ocupar a vaga de vice na reeleição de Tarso. Com a decisão do PDT pela candidatura própria, só resta ao PT decidir entre o PCdoB (parceiro de primeira hora) e o PTB (desgastado pelo episódio da Procempa) para a montagem da chapa majoritária.

Depois, pelo reflexo que a apresentação de chapas diferenciadas terá no apoio à Dilma no RS. PT e PDT estarão fechados com Dilma. Mas em qual palanque ela subirá? Nós dois. Só no do PT? Ou em nenhum dos dois? Isso sem contarmos com a possibilidade de um terceiro palanque, o do PMDB, ainda indeciso entre Dilma e Eduardo Campos. Trata-se de uma “sinuca de dois bicos”. Quem Dilma irá apoiar para governador?

Ainda sobre os reflexos que a decisão da candidatura própria do PDT trará aos interesses do PT, há que salientar a independência que os deputados pedetistas passarão a ter na Assembléia Legislativa. Se mesmo com o PDT na base aliada o governo Tarso está tendo dificuldades para aprovar projetos de interesse do Executivo, imagine com o desfalque do apoio da bancada pedetista.

Dificuldades trabalhistas



Mas se o PT terá dificuldades com a saída do PDT da base aliada, o mesmo se pode dizer do PDT em relação a si mesmo e a composição de parcerias que lhe aumentem o tempo de televisão e, consequentemente, da chance de chegar ao segundo turno.

No primeiro caso, pelo grande racha advindo da divisão da base do partido sobre o apoio à Tarso ou à candidatura própria. Depois, pelas dificuldades em encontrar aliados para a chapa majoritária. Como já decidiu que a vaga de governador e de senador ficará com candidatos pedetistas, sobra somente à vaga de vice para oferecer ao futuro parceiro. Isto, por exemplo, afasta totalmente a possibilidade de aliança com o PMDB e outros partidos que irão apresentar candidatura própria à governador e senador.

Sendo assim, como construir uma chapa de peso? Com o PSD, PSC, DEM, PR e PPS, partidos com quem tem se reunido habitualmente? Pode ser que sim. Neste caso, terá Vieira da Cunha condições de igualdade para concorrer contra as candidaturas de Tarso, Ana Amélia e Sartori? Aparentemente, só com uma grande mudança no cenário que está sendo apresentado pelas pesquisas. Difícil. Sendo assim, será que Vieira manterá a candidatura até o fim ou fará como Fortunati, na eleição de 2002, que renunciou em meio ao início da campanha eleitoral?

Mas nem tudo são dificuldades para o PDT. A aclamação de Lasier Martins como candidato à senador deverá assegurar ao partido, segundo as recentes pesquisas eleitorais, a conquista da vaga. O que será uma vitória. 



Como se percebe, o dia 7 de dezembro tem tudo para representar o início efetivo da campanha eleitoral de 2014. A decisão do PDT mexeu com o tabuleiro político do Rio Grande do Sul. Resta saber agora quais serão os próximos movimentos. 

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