A casa caiu.
Não é neurose e nem fobia ao PT. Mas está na cara que está em franco desenvolvimento um processo de desconstrução da imagem do STF, pela condenação dos mensaleiros, e de desmoralização da grande imprensa, pela exposição independente que fez de todo o episódio. Tudo sob a orquestração do PT.
Se os envolvidos no escândalo de corrupção não fossem do partido da estrela solitária, os petistas certamente estariam bombardeando os partidos dos condenados pela Justiça. Nos espaços públicos e na mídia. Como isso não é possível, tendo em vista que José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares, são expoentes de destaque no Partido dos Trabalhadores, só resta ao PT o caminho da contestação. Da negação. Do resultado do julgamento e das prisões.
Tal qual uma pessoa no escuro, a reação do PT a tudo que está acontecendo é a de avançar passo a passo. Primeiro colocando meia dúzia de militantes protestando defronte as casas prisionais onde estão presas as suas lideranças. O intuito? Mobilizar mais gente. Depois, usando espaços midiáticos, buscam apresentar uma realidade fictícia, com embasamento puramente ideológico, para tentar caracterizar as prisões como ato político.
Ou seja, para se defenderem, usam a mesma tática utilizada para acatar. Distorcendo fatos e manipulando opiniões. Esquecem que desta vez são vítimas e não algozes. “Não nos humilharão”, diz o bilhete enviado pelos mensaleiros do PT. O que significa dizer, não nos dobraremos. Querem o que? Provar que a lei não vale para eles. Ou que são maiores que a lei? Pois inocência, nem pensar.
Então que tirem o cavalo da chuva, pois desta vez não vai dar certo. Por um grande motivo. A população não aguenta mais a corrupção. Aliás, este foi dos motivos que levou multidões às ruas em junho. E a razão pela qual os manifestantes impediram a presença de militantes partidários em suas fileiras.
Outra prova de que a situação é irreversível é o silêncio de Dilma. Prudentemente, como recomenda a cartilha de candidata, ela não quer ter nenhuma interface negativa, nenhum envolvimento pessoal, com os companheiros presos. Coube a Lula (novamente) a manifestação mais contundente sobre o caso. “Estamos juntos”, disse ele. Faltou complementar: vocês ai dentro e eu aqui fora. Em outras palavras: aguentem firme ai dentro que nós vamos ajudá-los aqui fora.
Acho dificílimo. Mesmo com a tentativa de desmoralização de Joaquim Barbosa, ídolo da moralidade nacional. Que aguentem o repuxo, como se diz aqui no Sul. A população já sabe que o PT não é diferente dos demais partidos. E não adianta querer tapar o sol com a peneira. A casa caiu. Comemorem, enquanto podem, as pesquisas favoráveis à Dilma. E se preparem para dar explicações na campanha eleitoral de 2014. Os partidos seriamente avariados pela artilharia do PT sempre conseguiram, por que o PT não haveria de conseguir? Agora, convencer é outra história.

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