Resposta errada, secretário.
Ao ser indagado pela reportagem do jornal Zero Hora
como se sentia ao ver as imagens da violência sofrida pelo idoso Eloy Kath
(81), que na última quinta-feira (13) teve seu automóvel roubado e foi agredido
pelos três assaltantes e depois atropelado pelo próprio veículo, o secretário
estadual da Segurança, Airton Michels, disse: “Como cidadão, meu sentimento é
de indignação. Como secretário de Segurança, sinto uma frustração enorme”.
Com todo respeito, caro secretário, sua resposta
está errada. O que a população gostaria de ter ouvido é justamente o contrário.
Que o senhor, enquanto cidadão, sentisse uma frustração enorme (pois este é o
sentimento dos gaúchos diante da crescente onda de violência). E que como
secretário de Segurança se sentisse indignado (com o fato e com a situação da
criminalidade).
Todos nós sabemos (pois sentimos isto no dia-a-dia)
que o problema do roubo e furto de veículos (e outros crimes) em Porto Alegre já
vem num crescendo havia anos. E sou testemunha disto, pois já “perdi” dois
carros. No primeiro, com direito a revólver na cabeça, roubaram minha Parati.
Foi no início da noite, em frente a minha residência. O segundo foi furtado
quando estava estacionado em rua da Cidade Baixa. E vários amigos e familiares
já tiveram o desprazer de passar por situações semelhantes. Até hoje os
veículos não foram encontrados. Muito menos os ladrões.
Por isso mesmo, não podemos aceitar a falta de iniciativas
do atual governo no combate a criminalidade. Já está mais do que na hora de dar
um basta a esta situação. Como, não sei. Quem tem que saber são os técnicos da
área. O que sei é que me sinto desprotegido. O que sei é que tremo só de pensar
que terei que estacionar meu carro numa rua qualquer da Capital. É a este sentimento
de medo que me refiro.
Até quando vamos ficar a mercê da bandidagem?
E não me venham as autoridades, agora que o vídeo
do episódio do seu Eloy varou o mundo, com medidas pontuais, paliativas. A
única coisa certa no momento é que alguém está sendo assaltado em alguma parte
do Rio Grande e de Porto Alegre.
E não precisa ser conhecedor da área da segurança
para saber que uma das principais causas da crescente onda de violência na
Capital é a escassez de policiamento. Faltam policiais. Principalmente à noite.
E isto pode ser constatado a qualquer momento. Basta olharmos para nossas
praças, tomadas por usuários e traficante de drogas. Basta olharmos o enorme
contingente de jovens (muitos menores de idade) que lotam as calçadas defronte
a botecos, consumindo bebida alcoólica. Tudo isso sem que sejam importunados
pela presença do policiamento. E não me digam que não existem recursos para
contratação. Se tem para CC porque não haveria para policiais?
Mas por si só o policiamento não resolve o
problema. É preciso que as prefeituras também contribuam. A começar pela
melhoria da iluminação. Ruas claras afastam marginais. Pelo cuidado com as
praças, inclusive com o uso da guarda municipal, devolvendo-as ao uso das
famílias. E preciso também que o cidadão faça a sua parte. Que não se omita
diante da violência (isto não significa reagir). Hoje em dia atos de violência,
infelizmente, estão ficando banalizados. Por isso tanta gente se faz de rogada
diante de uma ação violenta. Socorra a vítima. Dê-lhe atenção. E,
principalmente, cobre uma solução das autoridades.
Como diria, mal fraseando o palhaço e hoje deputado
federal, Tiririca: “Pior que tá não fica”.
Menos desculpas, secretário Michels, e mais ação.
Imagem: g1.globo.com

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