Fortunati: o prefeito e o candidato
Não
há surpresa alguma na ação impetrada pelo setor jurídico da campanha de José
Fortunati (PDT), acatada, por liminar, pela 112ª Zona Eleitoral de Porto
Alegre, suspendendo os programas eleitorais que exibam mensagens de candidatos
a vereador pedindo votos a Adão Villaverde (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB).
Primeiro porque ela (a ação) encontra amparo na legislação eleitoral. Segundo,
porque não é inédita. Ações desse tipo são comuns em campanhas eleitorais. Terceiro,
porque o perfil político de Fortunati é propenso a esse tipo de medida.
Para
entender essa última afirmação é preciso separar as coisas. O José Fortunati, sempre
tão afável e sorridente, que circula tranquilamente de bicicleta e que recolhe
animais abandonados nas ruas, é o prefeito e não o candidato. O candidato, ao
contrário do prefeito, foi forjado nas lides do PT. Trás nas veias e no cérebro
(no coração também?) os ensinamentos da prática petista de fazer campanha. Onde
tudo vale para se sagrar vencedor nas urnas. Nada demais. Os partidos
políticos existem para conquistar o poder. E a eleição é o caminho para isso.
Sabedor
de que é o alvo preferencial dos seus adversários (todos eles), especialmente
daqueles cujas pesquisas os colocam como concorrentes diretos, a ação judicial
por ele impetrada, denota a adoção da máxima futebolística de que a melhor defesa é o ataque. Por
isso largou na frente. Foi um alerta. Do tipo “pode vir quente que eu estou
fervendo”. Experiente, sabe que haverá represália. Não sei se este será o tom
da campanha. Se for, não sei se será o melhor tom. Pessoalmente prefiro o
embate de idéias e propostas. Mas não há como negar que uma boa peleia tem o
seu atrativo.
Para
nós, interessados observadores, só resta aguardar os novos rounds, digo,
programas eleitorais. Mas que ninguém se iluda: Esta eleição de Porto Alegre é
briga de cachorro grande. E das acirradas.
Imagem: portal.abes-rs.org.br

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