A
deseducação estatal
Para a presidente Dilma Rousseff uma grande nação
deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e seus adolescentes. “Não
é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo, e da sociedade
de proteger o seu presente o seu futuro, que são suas crianças e seus
adolescentes". Pois bem, nada é mais garantidor do futuro de uma criança e
de um jovem do que a oferta de uma educação de qualidade. Educação em primeiro
lugar não pode e não deve ser prioridade apenas no discurso. Deve ser
prioridade de governo.
Sendo assim, a divulgação do Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica demonstra que o Rio Grande do Sul não está
concatenado com o pensamento da presidente Dilma, pois aparece como o estado
com um dos piores desempenhos do país no Ensino Fundamental e Médio. E não se
trata, é preciso reconhecer, de uma situação pontual. Já vem de mais tempo. De
outros governos. Mas a se considerar a declaração da presidente da República e
o link Estado-União, apregoado pelo então candidato Tarso Genro (o famoso
alinhamento das estrelas), o RS não está fazendo sua lição como devia.
Por isso o resultado do estudo do MEC não pode ser
recebido com surpresa. Como esperar melhor desempenho de um estado que usa contêineres e CTGs como sala de aula? Que paga mal seus professores? Que investe pouco na capacitação
dos profissionais de Educação e na implantação de laboratórios e bibliotecas?
Foi-se o tempo em que os gaúchos podiam se orgulhar de dizer que detinham a
melhor Educação do país. A meta agora deve ser a de não ter uma das piores
Educação do país.
Diante desse quadro lamentável é de se questionar o
esforço governamental de democratizar o acesso ao Ensino Superior através da
ampliação da reserva de vagas nas universidades federais para alunos oriundos de
escolas públicas. Independente dos aspectos ideológicos, o que forma um
profissional qualificado é a sua capacidade, adquirida pela perfeita
compreensão do conteúdo curricular. E o que temos observado é que um
contingente expressivo de formandos tenta ingressar no mercado de trabalho sem
as mínimas condições de atuação.
Tudo consequência de uma má formação na educação de
base. Para dar um futuro a um jovem com formação superior é preciso que seu
ingresso à universidade se dê por critérios de conteúdo e não por condição
econômica ou racional. Aos olhos do futuro empregador interessa a competência
do profissional e não a sua classe econômica de origem ou a cor da sua pele. E
esse conteúdo só será competitivo (para ingresso e conclusão do curso
escolhido) se a escola pública deixar de “vomitar” analfabetos funcionais.
Está mais do que na hora dos governantes mostrarem,
na prática, que Educação é realmente prioridade. Senão por coerência ao
discurso da campanha eleitoral, pela responsabilidade de gerirem o futuro desta
e das próximas gerações. Se as pessoas são do tamanho dos seus sonhos, isto
depende, e muito, da realidade que lhes é oferecida. Hoje o sonho, a julgar
pelo estudo do IDEB, está mais parecido com um pesadelo.
Imagens: marciasglima.blogspot.com e grupojdo.com.br
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