quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

 

De olho no universo e de costas para a Terra




O espaço sideral sempre exerceu forte atração e demasiado interesse sobre os seres humanos. Desvendar a origem do cosmos e dominar os mistérios dos astros celestes, especialmente os planetas do sistema solar, tem sido uma obsessão dos cientistas de todas as nações. Assim, foi possível fazer o homem pisar na lua e, uma vez lá, colher informações sobre nosso satélite artificial, inclusive detectar indícios da presença de água, conforme constatou há pouco tempo a sonda chinesa Chang’E-5. Elemento indispensável para a existência de seres vivos, também a sonda ExoMars, da Agência Espacial Europeia, conseguiu mapear resquícios de água abaixo da superfície de Marte.

Se por um lado o avanço tecnológico permite sonhar com voos altos – já é possível inclusive fazer turismo espacial – o mesmo não acontece com a conscientização humana quanto a imprescindível e premente mudança de hábitos e costumes tantos malefícios tem causado ao planeta, especialmente na degradação do meio ambiente. Mesmo com o indiscutível desenvolvimento intelectual alcançado que, se por um lado trouxe melhorias na qualidade de vida, por outro, aumentou exponencialmente os danos sobre o ecossistema. A crise energética e de recursos naturais, especialmente hídricos, atestam essa realidade.

Cientistas de vários países reunidos em janeiro de 2020 no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Suíça, firmaram documento dizendo que os problemas ambientais da atualidade são uma mistura de mudanças físicas, químicas, biológicas e sociais. Como consequência dessa composição apontam cinco riscos “altamente prováveis”: eventos climáticos extremos, perda da biodiversidade e colapso dos ecossistemas, crises alimentares e de água, e falha na adaptação às alterações climáticas.

Embora a previsão já se mostre perceptível, não menos visível é a demora para a tomada de decisões – institucionais, coletivas e individuais – que ao menos minimizem os danos. O que predomina é o negacionismo e a omissão. Enquanto isto, continuamos olhando para o céu, admirados com as descobertas espaciais, talvez na esperança de que se encontre um planeta que se ofereça como alternativa para quando a Terra não mais se prestar para a vida humana. 

Até o momento, porém, o que as sondas e os potentes telescópios Hubble e James Webb tem nos mostrado são planetas com poucos recursos para servir de habitat humano, o que talvez sirva de reflexão para os incrédulos e para os gananciosos: será que a desolação ambiental não foi obra de algum desumano que no passado viveu ali?

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