Se as
pesquisas se confirmarem, quem irá
disputar
o 2º turno com Manuela D’Ávila?
Faltando 12 dias para a
votação, em primeiro turno, da eleição para a prefeitura de Porto Alegre, e com
várias pesquisas de intenção de voto divulgadas, já dá para fazer uma avaliação
dos prováveis candidatos ao segundo turno. E fixo minha análise naqueles que
compõe o pelotão de favoritos, respectivamente, Manuela D’Ávila (PCdoB), Nelson
Marchezan Júnior (PSDB), Sebastião Melo (MDB) e José Fortunati (PTB). Não por
acaso, os quatro tem larga experiência em disputas eleitorais, dentre elas a
disputa pela prefeitura da Capital. Mas não será apenas o passado que irá
balizar minha apreciação, mas seus desempenhos como candidatos nesta eleição.
Vejamos então.
Manuela
D’Ávila (PCdoB)
Numa campanha de curta duração
como a que estamos presenciando a imagem pregressa do candidato conta pontos
importantes na disputa. E Manuela (39), apesar de ser a mais nova em idade dentre
os quatro melhores colocados nas pesquisas, é a que esteve mais em evidência
nos últimos 15 anos. Em 2004 elegeu-se como a vereadora mais jovem de Porto
Alegre. Dois anos depois, em 2006, sagrou-se como a deputada federal mais
votada do Rio Grande do Sul, feito este reprisado na eleição seguinte (2010).
Nesse interim, em 2008,
concorreu à prefeita da Capital, tendo ficada na terceira colocação. Quatro
anos depois, em 2012, repetiu a tentativa, tendo ficado na segunda colocação,
atrás de José Fortunati, então no PDT, que venceu a eleição no primeiro turno. Em
2014, já com imagem consolidada, concorreu e se elegeu deputada estadual, sendo
mais uma vez a candidata com o maior número de votos. Mesmo com a expressiva
votação, anunciou que não seria candidata na eleição municipal de 2016.
Tamanho desempenho eleitoral fez com que seu partido, o PCdoB, lhe indicasse para voos mais
altos. Assim, em 2018, concorreu a vice-presidente da República numa chapa
encabeçada pelo petista Fernando Haddad (PT). Embora tenha disputado o segundo
turno, a dupla não conseguiu chegar ao Palácio do Planalto.
Durante todo o período em que
esteve sem mandato Manuela sempre se manteve em evidência na mídia nacional. Com
tamanha exposição de imagem, ela conseguiu um feito considerado até então quase
impossível, ter o apoio do PT à sua candidatura para a prefeitura de Porto
Alegre. Mais do que isso, ter Miguel Rossetto, um dos expoentes do PT gaúcho,
como candidato à vice.
Pois bem, com tamanha bagagem
e apoio, a liderança de Manuela na recente pesquisa Ibope, com 27% das
intenções de voto (pesquisa estimulada), praticamente o dobro dos candidatos
que compõe o segundo pelotão, Marchezan (14%), Melo (14%) e Fortunati
(13%), tudo indica que se não houver
tragédia de percurso ela ocupará uma das duas vagas no segundo turno.
E o elevado percentual da
candidata comunista é perfeitamente compreensível, não só por ter uma imagem
consolidada junto ao eleitor porto-alegrense mas, principalmente, por ser um junção
histórica do seu desempenho nos pleitos municipais que disputou com o tamanho
do eleitorado petista em Porto Alegre. Pesa, também, favoravelmente à Manuela,
a sua formação como jornalista, que faz com que ela tenha desenvoltura à frente
das câmeras e microfones.
Aliás, o comportamento sereno,
ponderado e tolerante, adotado por ela na campanha, demonstra seu amadurecimento
não apenas politicamente, mas também pessoalmente, bem diferente daquela
militante ativista provocativa e atrevida de outrora.
Eleição não é um exercício
aritmético, onde 2 + 2 sempre será 4. Por isso os resultados das pesquisas
oscilam tanto durante uma campanha eleitoral. Porque o cenário político, sempre
tão instável, tem influência direta na preferência do eleitor. Mesmo assim,
pelo histórico do desempenho dos candidatos e dos partidos, dá para se fazer
uma projeção eleitoral de cada candidato. Vejamos o caso da Manuela:
Na sua primeira eleição para a
prefeitura, em 2008, ela obteve 15,35% dos votos no primeiro turno. O PT, que
hoje lhe apoia, teve 22,73%. Somados os dois percentuais chegaríamos a um total
de 38,8% (considerando os votos do 2º turno de Maria do Rosário). E se
acrescermos ainda os 10% referentes aos votos obtidos pelo PSOL e pelo PSTU,
chegaremos a um montante de 48,8%. Mesmo assim seria insuficiente para
bater os 58,95% obtidos por José Fogaça na época.
Isto prova que eleição não é
um mero acúmulo de percentuais de siglas adesistas. O total obtido por Maria do
Rosário, no segundo turno da eleição de 2008, foi de 41,05%. Ou seja 7%
a menos do que deveria, caso houve a transferência direta de todos os votos das
siglas que lhe apoiaram.
O que isso quer dizer? Que não
dá para prever o desempenho de Manuela no segundo turno da eleição de 2020 considerando
apenas os possíveis apoios de candidatos da esquerda. Façamos um exercício de
adivinhação. Somados os votos (Ibope) da Manuela (27%) e dos seus prováveis
apoiadores no segundo turno, Juliana Brizola (4%), Fernanda Melcchiona (3%) e
Júlio Flores (1%), teríamos um total de 35%. Como o Ibope dá à Manuela uma
faixa de desempenho que varia de 41 a 45%, dependendo do candidato que estará
com ela no segundo turno, verificamos que mesmo agora, antes da eleição do
primeiro turno, já tem eleitor de Marchezan, Melo ou Fortunati, disposto a
apoiar a candidatura da comunista.
Mas calma lá. Não nos
antecipemos. Em 2008, faltando poucos dias para o final do primeiro turno,
Manuela aparecia nas pesquisas como favorita a uma das vagas do segundo turno e
quem acabou chegando foi Maria do Rosário.
Outro fator que pode
interferir no atual cenário é o possível ingresso de Jair Bolsonaro na campanha.
Ao tomar conhecimento de que Manuela D’Ávila ponteava a pesquisa Ibope o
presidente mandou um recado para os porto-alegrenses: “Vocês são livres para
votar, mas votar em uma candidata do PCdoB... Eu acho que é o fim da picada”.
Levando em conta a lealdade dos seus fanáticos apoiadores, a oposição de
Bolsonaro a uma candidatura comunista poderá fazer com que seus seguidores
participem com maior entusiasmo da campanha. Restará saber quais dos três principais
adversários de Manuela seria o beneficiado com a benção bolsonarista.
Por derradeiro, uma conclusão.
O desempenho de Manuela D’Ávila na campanha mostra que ela está preparadíssima
para disputar a eleição com chances de vitória, tornando-se a primeira prefeita
de Porto Alegre. Subestimar suas chances de vitória seria um grande erro. A
vida, com suas dores e alegrias, vitórias e derrotas, tornou a jovem senhora,
hoje mãe, numa “tigresa de unhas negras e íris cor de mel”, como diz Caetano
Veloso. Capaz de seduzir pela inteligência, experiência e convencimento
argumentativo, de que votar nela, mais do que ser a melhor das opções, é o mais
justo de todos os direitos e o mais agradável de todos os prazeres.
Nelson
Marchezan Júnior (PSDB)
Sabe aquele trecho da música
nativista “Guri”, que diz, “saiu-se igualzito ao pai”? Pois bem, ela retrata
perfeitamente a semelhança de personalidade entre os Nelson Marchezan pai e
filho. E não podia ser diferente. Parceiro nas lides de campo e das charlas
caseiras, observador atento da trajetória política do pai, o atual prefeito de
Porto Alegre traz no seu DNA as qualidades e as deficiências do seu mentor
político.
Obstinado, por vezes
exageradamente ansioso e intolerante, e excessivamente perfeccionista, como ele
próprio reconhece, Marchezan Jr. atua politicamente como se mandato público
fosse missão e gestão pública sinônimo de legado. Graças a estas
características, pavimentou uma sólida carreira política mas também arregimentou
desafetos. Protagonista de várias refregas, não negaceia diante de uma peleia.
Pelo contrário. Não por acaso coleciona atritos por onde passa. Seja no âmbito
Legislativo, seja na esfera do Executivo, e até mesmo com dirigentes do seu
partido.
Marchezan (48) teve uma
ascensão política meteórica. E pelo menos até agora, plenamente exitosa, pois
não perdeu nenhuma eleição da qual participou. Na primeira delas, porém, ganhou
mas não levou. Eleito deputado federal em 2002, não pode ser diplomado porque
não conseguiu provar à Justiça Eleitoral que possuía filiação partidária registrada
um ano antes da eleição. Mas a partir de 2006, quando se elegeu deputado
estadual, sua carreira engrenou e não parou mais. Em 2010 e 2014 tornou-se
deputado federal e, em 2016, prefeito de Porto Alegre.
Se como parlamentar sua fama
de “brigador” não lhe trouxe maiores preocupações, como prefeito não dá pra
dizer o mesmo. A começar pela Câmara Municipal, onde após perder o apoio da
maioria vereadores da base aliada, teve que enfrentar uma CPI que, após
concluída, teve suas imputações encaminhadas ao MP e ao Tribunal de Contas. Mais
recentemente, enfrenta um processo de impeachment que ameaça obstaculizar sua
disputa no pleito, embora, ao que tudo indica, a batalha de liminares judiciais
aponte para uma impossibilidade da votação do impedimento em plenário ainda no
transcorrer da campanha. Mas não resta dúvida de que esta incerteza atrapalha e
muito a campanha e a cabeça do eleitor.
No fundo, o que provocou a
ruptura dos antigos aliados do tucano foi a corrosiva incompatibilidade de
interesses, disfarçadas sob o argumento da falta de diálogo. Após exonerar
dezenas de secretários e dirigentes, e centenas de ocupantes de cargos de
confiança, na sua maioria indicado pelos partidos que compunham a base
governista, e romper relações com o seu vice, o progressista Gustavo Paim,
Marchezan passou a transitar por um campo minado politicamente. A ponto de ver
seu vice se transformar em adversário e principal crítico na eleição.
Mas que os afoitos não se
iludam. Marchezan está ferido, mas de pé, e com a “faca entre os dentes”, como
é do seu estilo. Seu crescimento nas pesquisas, até agora o maior de todas,
mostra isto. Aliás, muito por conta do acerto da sua equipe de marketing, que
está dando visibilidade ao lado gestor do prefeito, coisa que ficou escondida
nos seus quatro anos de governo.
Beneficiado com o maior tempo
de propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, muitos porto-alegrenses
estão tendo a oportunidade de conhecer, através de imagens que mostram as
realizações da gestão do tucano – dentre elas várias obras deixadas inconclusas
pelo governo Fortunati/Melo –, a vocação empreendedora de Nelson Marchezan. E
mais. Para mostrar que o “bicho não é tão feio como dizem”, a produção dos
programas está conseguindo mostrar um Marchezan mais humanizado. Algo como “ser
duro com as coisas sérias e graves, mas sem perder a ternura”.
Se vai dar certo ou não só as
urnas dirão, mas não tem como negar que o remédio (estratégia de marketing) está
sendo ministrado no momento mais necessário e adequado. Mas o pouco tempo de
campanha e os escassos debates televisivos, é preciso reconhecer, são um significativo
obstáculo para quem se tornou alvo preferencial dos seus concorrentes.
Caso conquiste uma das duas
vagas do segundo turno, Marchezan deve ter dificuldade para arregimentar a
adesão de candidatos e o apoio dos partidos com quem manteve e mantém
dificuldades de relacionamento. Talvez, caso perdure a tradicional divisão de
votos entre esquerda e direita, ele possa atingir o objetivo da reeleição. Especialmente
se conseguir a adesão do eleitor de tendência conservadora e ideologicamente de
direita.
Convencer pelo diálogo, eis aí
uma missão hercúlea para Marchezan.
Sebastião
Melo (MDB)
Sebastião Melo (62) é o que
podemos chamar de político raiz. Do “velho MDB que fazia oposição à ditadura
militar”, como ele gosta de dizer. Goiano de nascimento (Piracanjuba), Melo
chegou ao RS quando tinha 20 anos e, três anos depois, em 1981, já estava
filiado ao MDB. Mas foi apenas quase duas décadas depois, em 2000, que
concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo. E deu certo. Se tornou vereador
de Porto Alegre. Gostou da experiência e conseguiu mais duas reeleições
consecutivas (2004 e 2008). Num dos mandatos foi presidente da Casa.
Em 2016 decidiu que era hora
de voar mais alto e foi indicado pelo partido para ser o candidato à vice na
chapa encabeçada por José Fortunati, na época no PDT. A parceria deu certo e
dupla conseguiu se eleger no primeiro turno com dois terços dos votos válidos.
No governo, assumiu o papel de tocador das obras da Copa de 2014, condição essa
que lhe permitiu palmilhar a capital de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Foi nessa condição e com esse
patrimônio que decidiu ser candidato à prefeito em 2016. Como vice ele teve a
pedetista Juliana Brizola. Desta vez porém, apesar de disputar o segundo turno,
não conseguiu se eleger, tendo sido derrota por Nelson Marchezan Júnior. Dois
anos após, em 2018, recuperou a condição de legislador, elegendo-se deputado
estadual, condição essa que desfruta até o momento. Foi nesse mandato que Melo
se mostrou defensor do enxugamento da máquina pública e entusiasta da
privatização de empresas públicas.
Mas o gostinho do Executivo e
a condição de profundo conhecedor dos problemas da capital lhe motivaram a
tentar, mais uma vez, a busca pelo poder municipal. E para seu vice foi buscar
o democrata Ricardo Gomes, um apologista nato do liberalismo econômico. Ou seja,
a dupla Melo – Gomes tem tudo para tirar o sono do funcionalismo municipal. Por
outro lado, é o sonho de consumo do empresariado porto-alegrense, pois nenhuma
chapa se apresenta tão privatista como a dos dois. Preferência e temores, à
parte, o certo é que a maioria do eleitorado da capital não vê nessas
peculiaridades um fator determinante para a definição do voto. Pelo menos tem
sido assim nos últimos pleitos municipais.
Quis o destino que nessa
eleição, pelo que mostram as pesquisas, que antigos os adversários (Manuela e
Marchezan) e parceiros eleitorais (Fortunati e Juliana) se tornassem oponentes.
Pelas pesquisas não dá para
dizer que a campanha de Sebastião Melo tem assegurado um crescimento
progressivo. Ora ele aparece em segundo lugar na preferência do entrevistado,
ora em terceiro, sempre com uma média percentual em torno de 12 pontos. Insuficientes
para garantir uma vaga no segundo turno.
Mas o que faz com que o
crescimento não seja maior, já que Sebastião Melo é conhecido do eleitor e
possui o segundo maior tempo da propaganda eleitoral gratuita de rádio e
televisão? Difícil de dizer, mas arrisco alguns. O primeiro é o fracionamento
do voto do eleitor que tem preferência por candidatos de centro-esquerda, que
caracteriza a candidatura de Melo. Juliana Brizola e José Fortunati, a exemplo
de Melo, também transitam bem por este segmento.
O outro fator é a pouca
desenvoltura de Melo à frente das câmeras, no caso, nos programas e nos debates
televisivos. Há quem diga que ele não com segue se conectar com o telespectador
por dificuldade própria de empatia. Talvez por timidez, sei lá. Tem também a
questão do conteúdo, as vezes muito parecido com o dos outros candidatos, como
por exemplo a defesa do diálogo com a sociedade. E também o enfoque
demasiadamente voltado para o empreendedorismo, assunto de domínio e interesse
restrito.
Mas ninguém nesta eleição está
fazendo uma campanha perfeita, sem erros e só com acertos. E o MDB tem provado,
historicamente, sua aptidão por ganhar eleições. Que o diga as vitórias para o
Piratini - quatro (Simon, Britto, Rigotto e Sartori) das nove realizadas após a
redemocratização - e o grande número de prefeituras conquistadas a cada eleição
municipal, o que dá ao partido a condição de uma das siglas que mais conquista
prefeitos, vice-prefeitos e vereadores no Rio Grande do Sul.
A cautela sugere ficar de olho
no Sebastião. Ser prefeito é uma obstinação desse goiano que se tornou, por
escolha pessoal, um cidadão porto-alegrense. E ao contrário de Manuela e
Marchezan, que possuem cizânia insanáveis com outros candidatos e partidos,
Melo é visto como alguém de trato fácil e que como ele diz, gosta de uma
conversa “olho no olho”.
José
Fortunati (PDT)
De todos os quatro analisados,
José Fortunati é o mais experiente. Não só em idade (65) mas principalmente na
vivência política. Quando Sebastião Melo, Nelson Marchezan Jr. e Manuela
D’Ávila se elegeram pela primeira vez, respectivamente em 2004, 2000 e 2002, Fortunati
já tinha sido deputado estadual, deputado federal e vice-prefeito. Enquanto os
três se filiaram a partidos já constituídos, Fortunati ajudou a fundar o
Partido dos Trabalhadores (PT).
Mas se por um lado experiência
e longa trajetória política pode significar vantagem, por outro, pode acarretar
dificuldades. Por exemplo, dos quatro candidatos melhor posicionados nas pesquisas,
Fortunati é o único que trocou de partido. Não uma vez, mas três vezes. Em 2002
saiu do PT e ingressou no PDT. Em 2017 trocou o PDT pelo PSB, onde permaneceu apenas
por alguns meses. E finalmente, em março de 2020, se filiou ao PTB, sigla pela
qual está disputando a eleição.
O mesmo pode ser dito de sua
passagem pelo Paço Municipal. Não quando foi vice-prefeito de Raul Pont (PT), entre
1997 e 2000, e nem de José Fogaça (PMDB), entre 2009 e 2012, onde chegou a
exercer a titularidade por alguns meses, mas quando foi efetivamente eleito
prefeito para a gestão 2013-2016. Pois é nesse período que estão centradas as
críticas dos seus adversários. Natural, pois excetuando Marchezan, Fortunati é
o único que já exerceu o maior cargo do poder municipal.
A primeira delas (críticas)
refere-se as denúncias de corrupção envolvendo alguns dos seus diretores.
Fortunati tem dito que não foi negligente com elas (as denúncias) e que tão
logo tomou conhecimento afastou os envolvidos dos cargos. E nega,
peremptoriamente, seu envolvimento nos atos ilícitos, o que pode ser comprovado
pela sua absolvição em todas as instâncias legais a que foi submetido.
Outra crítica é a não
conclusão das obras da Copa de 2014. E é aí, nesse caso, que Fortunati faz
valer a sua experiência e domínio das questões administrativas. Diz que, mesmo
com os recursos assegurados, fez o que foi possível. E ressalta, com dados
detalhados, que o que não foi concluído, ou sequer iniciado, foi por questões
técnicas (demora nas licenças ambientais ou necessidade de alteração nos
projetos) e não por incapacidade gerencial.
Mesmo com as dificuldades
citadas, é inegável a contribuição de Fortunati na implantação de obras e
serviços importantes para a melhoria das condições de vida dos porto-alegrenses.
Exemplo disso são os viadutos da Rodoviária (Av. Júlio de Castilhos), Pinheiro
Borba (Av. Padre Cacique) e o do cruzamento das avenidas Aparício Borges e
Bento Gonçalves.
E também não dá para esquecer
que ao seu lado, atuando como uma espécie de “mestre de obras”, esteve o seu
vice, Sebastião Melo, e também o fato de Marchezan encerrará seu mandato
deixando obras em andamento.
Bem, se Fortunati tem
respostas convincentes para estas questões, o mesmo não pode ser dito para o fato
dele ter sido petista durante a maior parte da sua carreira política e ter
trocado de partido diversas vezes. Não que isso esteja sendo explorado pelos
seus adversários – e não está – mas porque pode ser levado em conta pelo
eleitor na hora da escolha do seu candidato preferencial.
Mas de todos os obstáculos
impostos a sua campanha, certamente o maior de todos é o pouco tempo de
propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. Apenas 53 segundos. O menor
dentre os quatro melhores colocados nas pesquisas. É muito pouco para quem tem
muito o que dizer e mostrar. Menos mal que ele tem boa desenvoltura (diria até
que é melhor de todas) na frente das câmeras e nos poucos debates até agora
realizados.
Muito por conta da sua postura
serena - sem abdicar da contundência quando atacado -, educada e objetiva
(facilidade de comunicação), o que lhe dá uma imagem de alguém experiente,
competente e afeto ao diálogo, condições indispensáveis para quem deseja ter um
representante que lhe transmita confiabilidade e segurança. E isso, a exemplo
do que acontece com Sebastião Melo, é um facilitador para a busca de apoios,
caso consiga disputa o segundo turno da eleição.
Esta é a avaliação preliminar
de uma campanha que se apresenta como uma das eleições mais difíceis,
desafiadoras e disputadas dos últimos anos. Aguardemos as próximas pesquisas. Confesso
que uma das minhas principais curiosidades é saber, no caso da aplicação do
voto útil – utilizado pelos indecisos e definido sempre nos últimos dias da campanha
-, para onde irão os votos dos bolsonaristas.

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