segunda-feira, 2 de novembro de 2020

 

Se as pesquisas se confirmarem, quem irá

disputar o 2º turno com Manuela D’Ávila?

 


Faltando 12 dias para a votação, em primeiro turno, da eleição para a prefeitura de Porto Alegre, e com várias pesquisas de intenção de voto divulgadas, já dá para fazer uma avaliação dos prováveis candidatos ao segundo turno. E fixo minha análise naqueles que compõe o pelotão de favoritos, respectivamente, Manuela D’Ávila (PCdoB), Nelson Marchezan Júnior (PSDB), Sebastião Melo (MDB) e José Fortunati (PTB). Não por acaso, os quatro tem larga experiência em disputas eleitorais, dentre elas a disputa pela prefeitura da Capital. Mas não será apenas o passado que irá balizar minha apreciação, mas seus desempenhos como candidatos nesta eleição. Vejamos então.

 

Manuela D’Ávila (PCdoB)

 

Numa campanha de curta duração como a que estamos presenciando a imagem pregressa do candidato conta pontos importantes na disputa. E Manuela (39), apesar de ser a mais nova em idade dentre os quatro melhores colocados nas pesquisas, é a que esteve mais em evidência nos últimos 15 anos. Em 2004 elegeu-se como a vereadora mais jovem de Porto Alegre. Dois anos depois, em 2006, sagrou-se como a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, feito este reprisado na eleição seguinte (2010).

Nesse interim, em 2008, concorreu à prefeita da Capital, tendo ficada na terceira colocação. Quatro anos depois, em 2012, repetiu a tentativa, tendo ficado na segunda colocação, atrás de José Fortunati, então no PDT, que venceu a eleição no primeiro turno. Em 2014, já com imagem consolidada, concorreu e se elegeu deputada estadual, sendo mais uma vez a candidata com o maior número de votos. Mesmo com a expressiva votação, anunciou que não seria candidata na eleição municipal de 2016.

Tamanho desempenho eleitoral fez com que seu partido, o PCdoB, lhe indicasse para voos mais altos. Assim, em 2018, concorreu a vice-presidente da República numa chapa encabeçada pelo petista Fernando Haddad (PT). Embora tenha disputado o segundo turno, a dupla não conseguiu chegar ao Palácio do Planalto.

Durante todo o período em que esteve sem mandato Manuela sempre se manteve em evidência na mídia nacional. Com tamanha exposição de imagem, ela conseguiu um feito considerado até então quase impossível, ter o apoio do PT à sua candidatura para a prefeitura de Porto Alegre. Mais do que isso, ter Miguel Rossetto, um dos expoentes do PT gaúcho, como candidato à vice.

Pois bem, com tamanha bagagem e apoio, a liderança de Manuela na recente pesquisa Ibope, com 27% das intenções de voto (pesquisa estimulada), praticamente o dobro dos candidatos que compõe o segundo pelotão, Marchezan (14%), Melo (14%) e Fortunati (13%),  tudo indica que se não houver tragédia de percurso ela ocupará uma das duas vagas no segundo turno.

E o elevado percentual da candidata comunista é perfeitamente compreensível, não só por ter uma imagem consolidada junto ao eleitor porto-alegrense mas, principalmente, por ser um junção histórica do seu desempenho nos pleitos municipais que disputou com o tamanho do eleitorado petista em Porto Alegre. Pesa, também, favoravelmente à Manuela, a sua formação como jornalista, que faz com que ela tenha desenvoltura à frente das câmeras e microfones.

Aliás, o comportamento sereno, ponderado e tolerante, adotado por ela na campanha, demonstra seu amadurecimento não apenas politicamente, mas também pessoalmente, bem diferente daquela militante ativista provocativa e atrevida de outrora.  

Eleição não é um exercício aritmético, onde 2 + 2 sempre será 4. Por isso os resultados das pesquisas oscilam tanto durante uma campanha eleitoral. Porque o cenário político, sempre tão instável, tem influência direta na preferência do eleitor. Mesmo assim, pelo histórico do desempenho dos candidatos e dos partidos, dá para se fazer uma projeção eleitoral de cada candidato. Vejamos o caso da Manuela:

Na sua primeira eleição para a prefeitura, em 2008, ela obteve 15,35% dos votos no primeiro turno. O PT, que hoje lhe apoia, teve 22,73%. Somados os dois percentuais chegaríamos a um total de 38,8% (considerando os votos do 2º turno de Maria do Rosário). E se acrescermos ainda os 10% referentes aos votos obtidos pelo PSOL e pelo PSTU, chegaremos a um montante de 48,8%. Mesmo assim seria insuficiente para bater os 58,95% obtidos por José Fogaça na época.

Isto prova que eleição não é um mero acúmulo de percentuais de siglas adesistas. O total obtido por Maria do Rosário, no segundo turno da eleição de 2008, foi de 41,05%. Ou seja 7% a menos do que deveria, caso houve a transferência direta de todos os votos das siglas que lhe apoiaram.

O que isso quer dizer? Que não dá para prever o desempenho de Manuela no segundo turno da eleição de 2020 considerando apenas os possíveis apoios de candidatos da esquerda. Façamos um exercício de adivinhação. Somados os votos (Ibope) da Manuela (27%) e dos seus prováveis apoiadores no segundo turno, Juliana Brizola (4%), Fernanda Melcchiona (3%) e Júlio Flores (1%), teríamos um total de 35%. Como o Ibope dá à Manuela uma faixa de desempenho que varia de 41 a 45%, dependendo do candidato que estará com ela no segundo turno, verificamos que mesmo agora, antes da eleição do primeiro turno, já tem eleitor de Marchezan, Melo ou Fortunati, disposto a apoiar a candidatura da comunista.

Mas calma lá. Não nos antecipemos. Em 2008, faltando poucos dias para o final do primeiro turno, Manuela aparecia nas pesquisas como favorita a uma das vagas do segundo turno e quem acabou chegando foi Maria do Rosário.

Outro fator que pode interferir no atual cenário é o possível ingresso de Jair Bolsonaro na campanha. Ao tomar conhecimento de que Manuela D’Ávila ponteava a pesquisa Ibope o presidente mandou um recado para os porto-alegrenses: “Vocês são livres para votar, mas votar em uma candidata do PCdoB... Eu acho que é o fim da picada”. Levando em conta a lealdade dos seus fanáticos apoiadores, a oposição de Bolsonaro a uma candidatura comunista poderá fazer com que seus seguidores participem com maior entusiasmo da campanha. Restará saber quais dos três principais adversários de Manuela seria o beneficiado com a benção bolsonarista.

Por derradeiro, uma conclusão. O desempenho de Manuela D’Ávila na campanha mostra que ela está preparadíssima para disputar a eleição com chances de vitória, tornando-se a primeira prefeita de Porto Alegre. Subestimar suas chances de vitória seria um grande erro. A vida, com suas dores e alegrias, vitórias e derrotas, tornou a jovem senhora, hoje mãe, numa “tigresa de unhas negras e íris cor de mel”, como diz Caetano Veloso. Capaz de seduzir pela inteligência, experiência e convencimento argumentativo, de que votar nela, mais do que ser a melhor das opções, é o mais justo de todos os direitos e o mais agradável de todos os prazeres.

 

Nelson Marchezan Júnior (PSDB)

Sabe aquele trecho da música nativista “Guri”, que diz, “saiu-se igualzito ao pai”? Pois bem, ela retrata perfeitamente a semelhança de personalidade entre os Nelson Marchezan pai e filho. E não podia ser diferente. Parceiro nas lides de campo e das charlas caseiras, observador atento da trajetória política do pai, o atual prefeito de Porto Alegre traz no seu DNA as qualidades e as deficiências do seu mentor político.

Obstinado, por vezes exageradamente ansioso e intolerante, e excessivamente perfeccionista, como ele próprio reconhece, Marchezan Jr. atua politicamente como se mandato público fosse missão e gestão pública sinônimo de legado. Graças a estas características, pavimentou uma sólida carreira política mas também arregimentou desafetos. Protagonista de várias refregas, não negaceia diante de uma peleia. Pelo contrário. Não por acaso coleciona atritos por onde passa. Seja no âmbito Legislativo, seja na esfera do Executivo, e até mesmo com dirigentes do seu partido.

Marchezan (48) teve uma ascensão política meteórica. E pelo menos até agora, plenamente exitosa, pois não perdeu nenhuma eleição da qual participou. Na primeira delas, porém, ganhou mas não levou. Eleito deputado federal em 2002, não pode ser diplomado porque não conseguiu provar à Justiça Eleitoral que possuía filiação partidária registrada um ano antes da eleição. Mas a partir de 2006, quando se elegeu deputado estadual, sua carreira engrenou e não parou mais. Em 2010 e 2014 tornou-se deputado federal e, em 2016, prefeito de Porto Alegre.

Se como parlamentar sua fama de “brigador” não lhe trouxe maiores preocupações, como prefeito não dá pra dizer o mesmo. A começar pela Câmara Municipal, onde após perder o apoio da maioria vereadores da base aliada, teve que enfrentar uma CPI que, após concluída, teve suas imputações encaminhadas ao MP e ao Tribunal de Contas. Mais recentemente, enfrenta um processo de impeachment que ameaça obstaculizar sua disputa no pleito, embora, ao que tudo indica, a batalha de liminares judiciais aponte para uma impossibilidade da votação do impedimento em plenário ainda no transcorrer da campanha. Mas não resta dúvida de que esta incerteza atrapalha e muito a campanha e a cabeça do eleitor.

No fundo, o que provocou a ruptura dos antigos aliados do tucano foi a corrosiva incompatibilidade de interesses, disfarçadas sob o argumento da falta de diálogo. Após exonerar dezenas de secretários e dirigentes, e centenas de ocupantes de cargos de confiança, na sua maioria indicado pelos partidos que compunham a base governista, e romper relações com o seu vice, o progressista Gustavo Paim, Marchezan passou a transitar por um campo minado politicamente. A ponto de ver seu vice se transformar em adversário e principal crítico na eleição.

Mas que os afoitos não se iludam. Marchezan está ferido, mas de pé, e com a “faca entre os dentes”, como é do seu estilo. Seu crescimento nas pesquisas, até agora o maior de todas, mostra isto. Aliás, muito por conta do acerto da sua equipe de marketing, que está dando visibilidade ao lado gestor do prefeito, coisa que ficou escondida nos seus quatro anos de governo.

Beneficiado com o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, muitos porto-alegrenses estão tendo a oportunidade de conhecer, através de imagens que mostram as realizações da gestão do tucano – dentre elas várias obras deixadas inconclusas pelo governo Fortunati/Melo –, a vocação empreendedora de Nelson Marchezan. E mais. Para mostrar que o “bicho não é tão feio como dizem”, a produção dos programas está conseguindo mostrar um Marchezan mais humanizado. Algo como “ser duro com as coisas sérias e graves, mas sem perder a ternura”.  

Se vai dar certo ou não só as urnas dirão, mas não tem como negar que o remédio (estratégia de marketing) está sendo ministrado no momento mais necessário e adequado. Mas o pouco tempo de campanha e os escassos debates televisivos, é preciso reconhecer, são um significativo obstáculo para quem se tornou alvo preferencial dos seus concorrentes.

Caso conquiste uma das duas vagas do segundo turno, Marchezan deve ter dificuldade para arregimentar a adesão de candidatos e o apoio dos partidos com quem manteve e mantém dificuldades de relacionamento. Talvez, caso perdure a tradicional divisão de votos entre esquerda e direita, ele possa atingir o objetivo da reeleição. Especialmente se conseguir a adesão do eleitor de tendência conservadora e ideologicamente de direita.

Convencer pelo diálogo, eis aí uma missão hercúlea para Marchezan.

 

Sebastião Melo (MDB)

Sebastião Melo (62) é o que podemos chamar de político raiz. Do “velho MDB que fazia oposição à ditadura militar”, como ele gosta de dizer. Goiano de nascimento (Piracanjuba), Melo chegou ao RS quando tinha 20 anos e, três anos depois, em 1981, já estava filiado ao MDB. Mas foi apenas quase duas décadas depois, em 2000, que concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo. E deu certo. Se tornou vereador de Porto Alegre. Gostou da experiência e conseguiu mais duas reeleições consecutivas (2004 e 2008). Num dos mandatos foi presidente da Casa.

Em 2016 decidiu que era hora de voar mais alto e foi indicado pelo partido para ser o candidato à vice na chapa encabeçada por José Fortunati, na época no PDT. A parceria deu certo e dupla conseguiu se eleger no primeiro turno com dois terços dos votos válidos. No governo, assumiu o papel de tocador das obras da Copa de 2014, condição essa que lhe permitiu palmilhar a capital de Norte a Sul e de Leste a Oeste.

Foi nessa condição e com esse patrimônio que decidiu ser candidato à prefeito em 2016. Como vice ele teve a pedetista Juliana Brizola. Desta vez porém, apesar de disputar o segundo turno, não conseguiu se eleger, tendo sido derrota por Nelson Marchezan Júnior. Dois anos após, em 2018, recuperou a condição de legislador, elegendo-se deputado estadual, condição essa que desfruta até o momento. Foi nesse mandato que Melo se mostrou defensor do enxugamento da máquina pública e entusiasta da privatização de empresas públicas.

Mas o gostinho do Executivo e a condição de profundo conhecedor dos problemas da capital lhe motivaram a tentar, mais uma vez, a busca pelo poder municipal. E para seu vice foi buscar o democrata Ricardo Gomes, um apologista nato do liberalismo econômico. Ou seja, a dupla Melo – Gomes tem tudo para tirar o sono do funcionalismo municipal. Por outro lado, é o sonho de consumo do empresariado porto-alegrense, pois nenhuma chapa se apresenta tão privatista como a dos dois. Preferência e temores, à parte, o certo é que a maioria do eleitorado da capital não vê nessas peculiaridades um fator determinante para a definição do voto. Pelo menos tem sido assim nos últimos pleitos municipais.

Quis o destino que nessa eleição, pelo que mostram as pesquisas, que antigos os adversários (Manuela e Marchezan) e parceiros eleitorais (Fortunati e Juliana) se tornassem oponentes.

Pelas pesquisas não dá para dizer que a campanha de Sebastião Melo tem assegurado um crescimento progressivo. Ora ele aparece em segundo lugar na preferência do entrevistado, ora em terceiro, sempre com uma média percentual em torno de 12 pontos. Insuficientes para garantir uma vaga no segundo turno.

Mas o que faz com que o crescimento não seja maior, já que Sebastião Melo é conhecido do eleitor e possui o segundo maior tempo da propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão? Difícil de dizer, mas arrisco alguns. O primeiro é o fracionamento do voto do eleitor que tem preferência por candidatos de centro-esquerda, que caracteriza a candidatura de Melo. Juliana Brizola e José Fortunati, a exemplo de Melo, também transitam bem por este segmento.

O outro fator é a pouca desenvoltura de Melo à frente das câmeras, no caso, nos programas e nos debates televisivos. Há quem diga que ele não com segue se conectar com o telespectador por dificuldade própria de empatia. Talvez por timidez, sei lá. Tem também a questão do conteúdo, as vezes muito parecido com o dos outros candidatos, como por exemplo a defesa do diálogo com a sociedade. E também o enfoque demasiadamente voltado para o empreendedorismo, assunto de domínio e interesse restrito.

Mas ninguém nesta eleição está fazendo uma campanha perfeita, sem erros e só com acertos. E o MDB tem provado, historicamente, sua aptidão por ganhar eleições. Que o diga as vitórias para o Piratini - quatro (Simon, Britto, Rigotto e Sartori) das nove realizadas após a redemocratização - e o grande número de prefeituras conquistadas a cada eleição municipal, o que dá ao partido a condição de uma das siglas que mais conquista prefeitos, vice-prefeitos e vereadores no Rio Grande do Sul.

A cautela sugere ficar de olho no Sebastião. Ser prefeito é uma obstinação desse goiano que se tornou, por escolha pessoal, um cidadão porto-alegrense. E ao contrário de Manuela e Marchezan, que possuem cizânia insanáveis com outros candidatos e partidos, Melo é visto como alguém de trato fácil e que como ele diz, gosta de uma conversa “olho no olho”.

 

José Fortunati (PDT)

De todos os quatro analisados, José Fortunati é o mais experiente. Não só em idade (65) mas principalmente na vivência política. Quando Sebastião Melo, Nelson Marchezan Jr. e Manuela D’Ávila se elegeram pela primeira vez, respectivamente em 2004, 2000 e 2002, Fortunati já tinha sido deputado estadual, deputado federal e vice-prefeito. Enquanto os três se filiaram a partidos já constituídos, Fortunati ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT).

Mas se por um lado experiência e longa trajetória política pode significar vantagem, por outro, pode acarretar dificuldades. Por exemplo, dos quatro candidatos melhor posicionados nas pesquisas, Fortunati é o único que trocou de partido. Não uma vez, mas três vezes. Em 2002 saiu do PT e ingressou no PDT. Em 2017 trocou o PDT pelo PSB, onde permaneceu apenas por alguns meses. E finalmente, em março de 2020, se filiou ao PTB, sigla pela qual está disputando a eleição.

O mesmo pode ser dito de sua passagem pelo Paço Municipal. Não quando foi vice-prefeito de Raul Pont (PT), entre 1997 e 2000, e nem de José Fogaça (PMDB), entre 2009 e 2012, onde chegou a exercer a titularidade por alguns meses, mas quando foi efetivamente eleito prefeito para a gestão 2013-2016. Pois é nesse período que estão centradas as críticas dos seus adversários. Natural, pois excetuando Marchezan, Fortunati é o único que já exerceu o maior cargo do poder municipal.

A primeira delas (críticas) refere-se as denúncias de corrupção envolvendo alguns dos seus diretores. Fortunati tem dito que não foi negligente com elas (as denúncias) e que tão logo tomou conhecimento afastou os envolvidos dos cargos. E nega, peremptoriamente, seu envolvimento nos atos ilícitos, o que pode ser comprovado pela sua absolvição em todas as instâncias legais a que foi submetido.

Outra crítica é a não conclusão das obras da Copa de 2014. E é aí, nesse caso, que Fortunati faz valer a sua experiência e domínio das questões administrativas. Diz que, mesmo com os recursos assegurados, fez o que foi possível. E ressalta, com dados detalhados, que o que não foi concluído, ou sequer iniciado, foi por questões técnicas (demora nas licenças ambientais ou necessidade de alteração nos projetos) e não por incapacidade gerencial.

Mesmo com as dificuldades citadas, é inegável a contribuição de Fortunati na implantação de obras e serviços importantes para a melhoria das condições de vida dos porto-alegrenses. Exemplo disso são os viadutos da Rodoviária (Av. Júlio de Castilhos), Pinheiro Borba (Av. Padre Cacique) e o do cruzamento das avenidas Aparício Borges e Bento Gonçalves.

E também não dá para esquecer que ao seu lado, atuando como uma espécie de “mestre de obras”, esteve o seu vice, Sebastião Melo, e também o fato de Marchezan encerrará seu mandato deixando obras em andamento.

Bem, se Fortunati tem respostas convincentes para estas questões, o mesmo não pode ser dito para o fato dele ter sido petista durante a maior parte da sua carreira política e ter trocado de partido diversas vezes. Não que isso esteja sendo explorado pelos seus adversários – e não está – mas porque pode ser levado em conta pelo eleitor na hora da escolha do seu candidato preferencial.

Mas de todos os obstáculos impostos a sua campanha, certamente o maior de todos é o pouco tempo de propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. Apenas 53 segundos. O menor dentre os quatro melhores colocados nas pesquisas. É muito pouco para quem tem muito o que dizer e mostrar. Menos mal que ele tem boa desenvoltura (diria até que é melhor de todas) na frente das câmeras e nos poucos debates até agora realizados.

Muito por conta da sua postura serena - sem abdicar da contundência quando atacado -, educada e objetiva (facilidade de comunicação), o que lhe dá uma imagem de alguém experiente, competente e afeto ao diálogo, condições indispensáveis para quem deseja ter um representante que lhe transmita confiabilidade e segurança. E isso, a exemplo do que acontece com Sebastião Melo, é um facilitador para a busca de apoios, caso consiga disputa o segundo turno da eleição.

Esta é a avaliação preliminar de uma campanha que se apresenta como uma das eleições mais difíceis, desafiadoras e disputadas dos últimos anos. Aguardemos as próximas pesquisas. Confesso que uma das minhas principais curiosidades é saber, no caso da aplicação do voto útil – utilizado pelos indecisos e definido sempre nos últimos dias da campanha -, para onde irão os votos dos bolsonaristas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário