segunda-feira, 28 de setembro de 2020

 

Debate na rádio Gaúcha deu o tom de como

será a campanha eleitoral em Porto Alegre

 



 


 

Se levarmos em conta a máxima popular de que “a primeira intenção é a que vale”, então o primeiro debate pela imprensa entre os 13 candidatos à prefeitura de Porto Alegre, promovido pela Rádio Gaúcha na manhã desta segunda-feira, foi por demais esclarecedor do que os porto-alegrenses ouvirão na campanha eleitoral. Nele, predominaram ataques a administração Marchezan, defesa de pautas que monopolizaram as eleições anteriores, como saúde, segurança, educação, mobilidade urbana, saneamento, geração de emprego e renda, corrupção e muita abordagem ideológica. Mas para quem pensa que foi mais do mesmo de sempre, a realização de um pleito em meio a uma pandemia trouxe consigo diferenciais de comportamento e de posicionamento que podem gerar, como novidade, uma nova postura do eleitor. 

O debate

Em iniciativa inédita, adaptada às imposições da pandemia, a Rádio Gaúcha realizou o debate com os candidatos dentro dos seus carros, sem contato físico, no estacionamento do Grupo RBS, num sistema típico de drive in, onde o jornalista mediador (Daniel Scola) permaneceu do lado de fora, no pátio de estacionamento.


O debate foi dividido em três blocos. No primeiro, os candidatos responderam perguntas dos ouvintes, gravadas previamente com moradores de diversas regiões da cidade. No segundo, os candidatos fizeram perguntas entre si, com tema livre e com direito a réplica e tréplica. E o terceiro e último bloco foi utilizado para considerações finais.

 

1º Bloco

 

Fernanda Melchiona (PSOL) respondeu a uma pergunta de um morador da Lomba do Pinheiro que reclamou da falta de investimentos na rede d’água da região. Melchiona creditou as dificuldades de abastecimento a atual administração municipal que, segundo ela, não só deu pouca importância ao setor como está promovendo um desmonte no órgão responsável pela área, o DMAE.

 

Luiz Delvair (PCO) foi perguntado sobre seus projetos para a área da saúde e respondeu que não tem um projeto definido para o setor, mas que considera que os todos os problemas que afligem a classe trabalhadora só serão resolvidos através de uma revolução socialista e pela implantação do regime comunista.

 

Nelson Marchezan Junior (PSDB) respondeu a pergunta de um comerciante da rua Voluntários da Pátria que reivindicou mais segurança para a área central da capital. O prefeito disse que a instalação das novas luminárias a LED irá gerar um sentimento maior de segurança para os que circulam e trabalham na região à noite e que não só a Voluntários, como todo o 4º Distrito, será uma das prioridades da sua segunda gestão.

 

João Derly (Republicanos) foi indagado sobre seus planos para a revitalização do entorno do Mercado Público e disse considerar a área um símbolo da atual situação de Porto Alegre, “uma cidade fria e pouco acolhedora”. Defendeu a necessidade da instalação de banheiros adaptados para portadores de doenças físicas e de projetos que beneficiem o empreendedorismo.

 

Juliana Brizola (PDT) foi perguntada sobre seus planos para acabar com os alagamentos na cidade e afirmou que para ela saneamento é sinônimo de saúde pública. Disse que a solução do problema passa pela prevenção e que para isso é preciso resolver os impasses que impedem o funcionamento adequado das bombas d’água espalhadas pela cidade, não só gerando alagamentos, mas também impedindo o abastecimento de água para várias localidades.

 

Gustavo Paim (PP) respondeu pergunta sobre o que fazer para dar melhores serviços públicos aos moradores de localidades distantes, como transporte coletivo, energia elétrica e pavimentação. Paim disse que já ouviu moradores de bairros distantes dizerem que não se sentem morando em Porto Alegre, pois chegam a levar de duas a três horas num ônibus para irem ao centro da capital, e que isso precisa mudar. Reconheceu que a mobilidade urbana é um grande problema e que é necessário medidas estruturantes para resolvê-lo. E citou a revisão das concessões das empresas que prestam serviços de transporte coletivo como uma delas.

 

Júlio Flores (PSTU) foi questionado sobre o que pretende fazer para acabar com a poluição do arroio Dilúvio. Disse que a solução passa pela implantação de um plano de obras públicas para a cidade que inclua a melhoria da infraestrutura de saneamento para os mananciais de água, não apenas para despoluir o Dilúvio, mas para toda a orla do Guaíba.

 

Montserrat Martins (PV) respondeu pergunta sobre seus planos para beneficiar a mobilidade dos ciclistas. Afirmou que Porto Alegre, a exemplo de outras cidades de países desenvolvidos, deve primar pela ampliação da malha ciclística, não apenas como rota de circulação, mas também como espaços de estacionamento para aqueles que fazem baldeação para outros modais de transporte. Defendeu ainda o incentivo municipal para modais que não poluem o meio ambiente, como o aeromóvel, ônibus elétrico e outros mais.

 

Coube a Valter Nagelstein (PSD) responder sobre seus projetos para incentivar a instalação de empresas na área do 4º Distrito. Disse que quando foi secretário municipal da Indústria e do Comércio (governo Fortunati) deixou pronto um projeto de desenvolvimento para a área, dentre eles o da instalação de microcervejarias, e que o desenvolvimento do potencial econômico do 4º Distrito será uma das suas prioridades.

 

José Fortunati (PTB), a exemplo de Monteserrat Martins, foi questionado sobre seus planos para melhorar a acessibilidade dos deficientes físicos, no caso em questão, dos cadeirantes. O ex-prefeito foi direto. Disse que basta seguir o plano de acessibilidade criado em sua gestão e aplicá-lo não apenas nas calçadas, como tem sido feito, mas nos prédios públicos, praças e outros locais de circulação pública. E que se a prefeitura não dispões de recursos suficientes para as obras deve procurar parceiros na iniciativa privada e até mesmo em pessoas físicas.

 

Rodrigo Maroni (PROS) foi outro que respondeu uma pergunta sobre mobilidade urbana. Ao ser questionado por um taxista sobre seus planos para o setor preferiu atacar os seus concorrentes, classificando-os como integrantes de um zoológico eleitoral, onde dizem ter solução para tudo mas que nos seus currículos não apresentam nada que comprove suas intenções. Prometeu buscar alternativas para o transporte urbano num debate direto com os profissionais do segmento.

 

Manuela D’Ávila (PCdoB) foi questionada por um morador do bairro Menino Deus sobre seus planos para a orla do Guaíba. Prometeu que irá dar continuidade as obras de expansão que estão sendo executadas até que cheguem a zona sul, pois é defensora de que as pessoas precisam conviver com o rio. Aproveitou o espaço da pergunta para anunciar um plano de assistência social denominado Fome Zero e anunciar que irá negociar para que Porto Alegre tenha a vacina contra o covid-19.

 

Sebastião Melo |(MDB) foi brindado com a última pergunta, que versou mais uma vez sobre transporte público. Ao ser questionado sobre quais serão seus investimentos para o setor disse ter preocupação com a redução do número de passageiros gerado pela pandemia que, segundo ele deverá ter continuidade quando a situação voltar ao normal, uma vez que projeta a proliferação do trabalho a distância, o que exigerá uma reorganização do segmento mediante diálogo com os operadores do sistema.

 

2º Bloco

 

O primeiro embate direto entre candidatos ficou por conta da dupla Valter Nagelstein (PSD) e Manuela D’Ávila (PCdoB).  Negelstein criticou Manuela por não ter experiência administrativa e pelo fato de criticar as administrações que sucederam ao PT e que com o apoio do PCdoB governou a cidade durante 16 anos. Manuela disse que suas criticas procedem e que fará aquilo que elas (as administrações) não fizeram, que é governar a cidade sem arrogância, representada pela postura de vários dos atuais candidatos. “Minha prioridade será governar para todas as pessoas, inclusive os empreendedores”, afirmou.

 

A segunda dupla a debater foi José Fortunati (PTB) e Fernanda Melchiona (PSOL). Fortunati perguntou a candidata do PSOL o que ela acha da baixa avaliação de Porto Alegre nos índices que medem a qualidade do ensino básico? Melchiona criticou o prefeito Marchezan por ter perdido 400 milhões de reais destinados pelo governo federal para um programa de qualificação do ensino municipal. Reprovou, ainda, a intenção do prefeito de forçar o retorna às aulas em meio a pandemia. Prometeu ampliar a educação integral, realizar uma constituinte escolar e cobrar os recursos federais a que Porto Alegre tem direito.

 

Na sequência João Derly (Republicanos) perguntou a Sebastião Melo (MDB) sobre o que ele acha do fato da atual administração municipal não ser parceira dos empreendedores? E se disse favorável a recriação da secretaria municipal da Indústria e do Comércio. Melo respondeu que a cidade precisa funcionar e que para isso pretende facilitar o licenciamento, estimular os empreendedores a apresentarem projetos, prepará-los para que façam bom uso do microcrédito, renegociar dívidas, etc. “No nosso governo não tem que fechar negócios, tem é que abrir negócios”, declarou.

 

Logo após, foi a vez de Luiz Delvair (PCO) perguntar para Nelson Marchezan Jr. (PSDB). Delvair questionou o prefeito sobre os gastos feitos com recursos públicos para a sua autopromoção, ao invés de gastá-los com a população em áreas como a saúde? Marchezan disse que uma das principais regras da sua gestão é a de manter a população informada e que foi isso que ele fez com os recursos destinados a publicidade.  “Comparado com as últimas administrações somos aquela que menos gastou em publicidade”, disse o prefeito, salientando que na saúde conseguiu reduzir as filas de espera e aumentou o número de atendimentos.

 

A próxima a perguntar foi Fernanda Melchiona |(PSOL) que se dirigiu a José Fortunati (PTB). Fernanda indagou sobre o que o ex-prefeito pensa sobre as críticas realizadas por Marchezan de que na sua administração foi implantada uma política anti-servidor, um desmonte do DMAE, e que no final do mandato entregou uma prefeitura quebrada financeiramente? Fortunati disse ser alvo de “uma fabrica de fake News” e que ao contrário do que Marchezan afirma, ele saiu da prefeitura deixando recursos garantidos no orçamento que não foram utilizados. E ressaltou que nem mesmo os recursos federais assegurados foram utilizados pelo atual prefeito. Melchiona concordou chamando Marchezan de um excelente roteirista de ficção e disse que se eleita for irá revogar o pacote de maldades imposto aos servidores municipais.

 

Aí foi a vez de Juliana Brizola (PDT) perguntar para João Derly (Republicanos). A trabalhista indagou sobre o que João Derly pensa do prolongamento do atendimento das creches para o período noturno? Derly disse que isso dependeria de um diálogo com a comunidade, mas que acha viável, assim como é a favor do contraturno e do aumento da segurança nas escolas e creches. Juliana disse que o funcionamento das creches à noite irá integrar o projeto “Nenhuma criança sem creche”, que pretende implantar e que visa beneficiar as mães e pais que não tem com quem deixar os filhos no período em que estão trabalhando.

 

 Coube a Manuela D’Ávila (PCdoB) realizar sua pergunta para Juliana Brizola (PDT). E o tema foi Educação. Manuela perguntou como Juliana achava que deveria se processar o retorno às aulas e o que deve ser feito para qualificar o ensino municipal? Juliana respondeu que a volta às aulas vai depender de uma construção envolvendo a comunidade escolar. “A Educação será a grande prioridade do meu governo”. Manuela complementou dizendo que uma das metas será o combate a evasão escolar e a valorização dos profissionais de ensino. “Marchezan demitiu merendeiras em plena pandemia”, disse a candidata comunista.

Na sequência, foi a vez de Nelson Marchezan Jr. (PSDB) perguntar a Montserrat Martins (PV). E o tema foi o combate à corrupção. O que ele pretende fazer para que não ocorram mais casos, como os ocorridos no governo que antecedeu o atual e que envolveu órgãos municipais como o DEMAB, DEP, FASC e Procempa? Montserrat disse ter sérias dúvidas sobre o bom uso dos recursos orçamentários na administração pública e que a fiscalização rigorosa é a única solução. Marchezan disse se orgulhar de ter tirado a prefeitura de Porto Alegre das páginas policiais.

 

Coube a Montserrat Martins (PV) perguntar para Gustavo Paim (PP). E a pergunta versou sobre preservação ambiental, mais especificamente sobre a ameaça ao meio ambiente que resultará da implantação de uma mina de carvão as margens do Guaíba, ameaçando contaminar a água consumida pela população e cujo impacto ambiental não está sendo mostrado aos porto-alegrenses. Paim respondeu que sua preocupação enquanto prefeito será valorizar o diálogo e que pretende realizar audiências públicas para tratar de temas relevantes como este da necessidade de proteção ao meio ambiente. “Não só para o Guaíba mas também para os riachos e arroios”, afirmou.

 

Rodrigo Maroni (PROS) escolheu Valter Nagelstein (PSD) e perguntou se ele estava vendo sinceridade no debate que estava sendo realizado e se dava para confiar no que estava sendo dito? Nagelstein tergiversou e preferiu criticar objetivamente a atual administração municipal. E escolheu os gastos com publicidade para isto. Segundo ele, o dinheiro gasto desnecessariamente com publicidade poderia ter sido utilizado para comprar tablets para os alunos da rede municipal ou uniformes. E prometeu, caso chegue à prefeitura, olhar com atenção para as crianças, qualificando a Educação.

 

Sebastião Melo (MDB) perguntou a Júlio Flores (PSTU) como melhorar a macrodrenagem da capital para evitar os frequentes alagamentos? Flores respondeu que a solução virá através da elaboração de um plano de obras públicas que irá prever investimentos para a área de saneamento, pois isto além de resolver o problema dos alagamentos irá gerar empregos e beneficiará o setor habitacional. Melo prometeu criar um banco de projetos para macrodrenagem e se comprometeu a não deixar de usar recursos externos para a área de saneamento, “como ocorreu nesta administração”.

 

O antepenúltimo a perguntar foi Júlio Flores (PSTU), que questionou Rodrigo Maroni (PROS) se a volta as aulas, pretendida por Marchezan, era numa irresponsabilidade ou um acerto? Maroni manifestou-se contrário a retomada das aulas pois para ele falta comprovação científica para isso. “Voltar à sala de aula agora é a garantia de morte”, enfatizou. Concordando com Maroni, Júlio Flores classificou a volta às aulas como uma irresponsabilidade.

 

Encerrando o segundo bloco do debate, Gustavo Paim (PP) perguntou para Luiz Delvair (PCO) como Porto Alegre, diante da crise social e econômica, poderia destravar a economia e gerar emprego e renda? Delvair optou por dar uma resposta ideológica, dizendo que só um governo com viés operário e socialista seria capaz de dar um jeito na situação. Paim, por sua vez, fez o contraponto dizendo que em sua gestão Porto Alegre irá se transformar na “capital nacional da liberdade econômica”.

 

3º Bloco – Considerações finais

 

Sebastião Melo (MDB): “Porto Alegre acordou. Não aceita mais corrupção e não acredita mais em promessas. Por isso na campanha vou apresentar propostas para fazer uma prefeitura moderna, eficiente e de resultados”.

 

Manuela D  ‘Ávila (PCdoB): “Porto Alegre me conhece há muitos anos. É possível construir outro caminho, onde as pessoas estejam no centro dos programas e dos projetos e onde haja esperança e solidariedade”.

 

Rodrigo Maroni (PROS): “Vou focar minha campanha no debate sobre a importância do atendimento das necessidades dos animais, que hoje não são vistos como prioridade. Se conseguir fazer com que um animal seja adotado já terá valido a pena participar da eleição.”

 

José Fortunati (PTB): “O governo atual vive da produção de fake news, o que mostra o perfil do atual prefeito. Minha prioridade será ouvir a cidade e o diálogo será a minha marca”.

 

Valter Nagelstein (PSD): “A cidade de hoje não é a que a gente quer. E isso deve-se aos 16 anos do PT e dos governos que o sucederam. É preciso mudar para melhorar.”

 

Montserrat Martins (PV): “Acreditamos ser possível um Porto, alegre e sustentável, com inclusão digital e incentivo aos projetos de energia limpa”.

 

Júlio Flores (PSTU): “Minha candidatura visa oferecer uma alternativa socialista e revolucionária, a partir da implantação dos conselhos populares. Não apenas para ouvir a população, mas para construirmos um governo com e para os trabalhadores”.

 

Gustavo Paim (PP): “Porto Alegre está cansada de tanta briga e burocracia. Precisamos andar para frente sem deixar ninguém para trás, onde o diálogo será a ferramenta de construção”.

 

Juliana Brizola (PDT): “Quero trazer de volta o orgulho de ser porto-alegrense. Para isso pretendo fazer uma gestão inovadora, alicerçada na educação, para que Porto Alegre seja alegre, de novo”.

 

João Derly (Republicanos): “Vou utilizar na prefeitura aquilo que me fez ficar conhecido no estado, no país e no mundo, enquanto judoca: liderança, garra e determinação. Quero trazer o sucesso do tatame para a administração da cidade”.

 

Nelson Marchezan Júnior (PSDB): “Quatro anos atrás os porto-alegrenses escolheram a mudança. Enfrentamos corporativismos e corrupção. Queremos continuar para manter as mudanças. Cumpri minhas promessas de campanha.”

 

Luiz Delvair (PCO): “Vou usar a campanha para defender a candidatura de Lula em 2022 e para dizer que o governo Marchezan está destruindo a educação e a saúde de Porto Alegre”.

Fernanda Melchiona (PSOL): “Minha campanha tem como desafio derrotar o projeto neoliberal e corrupto do governo Marchezan. Todos dizem que são o novo, mas já passaram pela prefeitura. Um novo futuro precisa de novos caminhos.”

 

 

 

 

 

 

  

 

 




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