Debate na rádio Gaúcha deu o tom de
como
será a campanha eleitoral em Porto
Alegre
Se
levarmos em conta a máxima popular de que “a primeira intenção é a que vale”,
então o primeiro debate pela imprensa entre os 13 candidatos à prefeitura de Porto
Alegre, promovido pela Rádio Gaúcha na manhã desta segunda-feira, foi por demais
esclarecedor do que os porto-alegrenses ouvirão na campanha eleitoral. Nele,
predominaram ataques a administração Marchezan, defesa de pautas que monopolizaram as
eleições anteriores, como saúde, segurança, educação, mobilidade urbana,
saneamento, geração de emprego e renda, corrupção e muita abordagem ideológica.
Mas para quem pensa que foi mais do mesmo de sempre, a realização de um pleito em
meio a uma pandemia trouxe consigo diferenciais de comportamento e de
posicionamento que podem gerar, como novidade, uma nova postura do eleitor.
O
debate
Em iniciativa inédita, adaptada às
imposições da pandemia, a Rádio Gaúcha realizou o debate com os candidatos
dentro dos seus carros, sem contato físico, no estacionamento do Grupo RBS, num
sistema típico de drive in, onde o jornalista mediador (Daniel Scola) permaneceu
do lado de fora, no pátio de estacionamento.
O debate foi dividido em três blocos. No
primeiro, os candidatos responderam perguntas dos ouvintes, gravadas
previamente com moradores de diversas regiões da cidade. No segundo, os
candidatos fizeram perguntas entre si, com tema livre e com direito a réplica e
tréplica. E o terceiro e último bloco foi utilizado para considerações finais.
1º Bloco
Fernanda
Melchiona (PSOL) respondeu a uma
pergunta de um morador da Lomba do Pinheiro que reclamou da falta de
investimentos na rede d’água da região. Melchiona creditou as dificuldades de
abastecimento a atual administração municipal que, segundo ela, não só deu
pouca importância ao setor como está promovendo um desmonte no órgão
responsável pela área, o DMAE.
Luiz Delvair (PCO) foi perguntado sobre seus projetos para a área da saúde e respondeu que
não tem um projeto definido para o setor, mas que considera que os todos os
problemas que afligem a classe trabalhadora só serão resolvidos através de uma
revolução socialista e pela implantação do regime comunista.
Nelson Marchezan
Junior (PSDB) respondeu a pergunta
de um comerciante da rua Voluntários da Pátria que reivindicou mais segurança
para a área central da capital. O prefeito disse que a instalação das
novas luminárias a LED irá gerar um sentimento maior de segurança para os que
circulam e trabalham na região à noite e que não só a Voluntários, como todo o
4º Distrito, será uma das prioridades da sua segunda gestão.
João
Derly (Republicanos) foi indagado sobre
seus planos para a revitalização do entorno do Mercado Público e disse
considerar a área um símbolo da atual situação de Porto Alegre, “uma cidade
fria e pouco acolhedora”. Defendeu a necessidade da instalação de banheiros
adaptados para portadores de doenças físicas e de projetos que beneficiem o
empreendedorismo.
Juliana
Brizola (PDT) foi perguntada sobre
seus planos para acabar com os alagamentos na cidade e afirmou que para ela saneamento
é sinônimo de saúde pública. Disse que a solução do problema passa pela
prevenção e que para isso é preciso resolver os impasses que impedem o
funcionamento adequado das bombas d’água espalhadas pela cidade, não só gerando
alagamentos, mas também impedindo o abastecimento de água para várias localidades.
Gustavo
Paim (PP) respondeu pergunta sobre o que fazer
para dar melhores serviços públicos aos moradores de localidades distantes, como transporte
coletivo, energia elétrica e pavimentação. Paim disse que já ouviu moradores de bairros
distantes dizerem que não se sentem morando em Porto Alegre, pois chegam a
levar de duas a três horas num ônibus para irem ao centro da capital, e que
isso precisa mudar. Reconheceu que a mobilidade urbana é um grande problema e
que é necessário medidas estruturantes para resolvê-lo. E citou a revisão das
concessões das empresas que prestam serviços de transporte coletivo como uma
delas.
Júlio
Flores (PSTU) foi questionado
sobre o que pretende fazer para acabar com a poluição do arroio Dilúvio. Disse
que a solução passa pela implantação de um plano de obras públicas para a
cidade que inclua a melhoria da infraestrutura de saneamento para os
mananciais de água, não apenas para despoluir o Dilúvio, mas para toda a orla do
Guaíba.
Montserrat
Martins (PV) respondeu pergunta
sobre seus planos para beneficiar a mobilidade dos ciclistas. Afirmou que Porto
Alegre, a exemplo de outras cidades de países desenvolvidos, deve primar pela
ampliação da malha ciclística, não apenas como rota de circulação, mas também
como espaços de estacionamento para aqueles que fazem baldeação para outros
modais de transporte. Defendeu ainda o incentivo municipal para modais que não
poluem o meio ambiente, como o aeromóvel, ônibus elétrico e outros mais.
Coube a Valter Nagelstein
(PSD) responder sobre seus projetos para incentivar a instalação de
empresas na área do 4º Distrito. Disse que quando foi secretário municipal da
Indústria e do Comércio (governo Fortunati) deixou pronto um projeto de
desenvolvimento para a área, dentre eles o da instalação de microcervejarias, e
que o desenvolvimento do potencial econômico do 4º Distrito será uma das suas
prioridades.
José
Fortunati (PTB), a exemplo de Monteserrat
Martins, foi questionado sobre seus planos para melhorar a acessibilidade dos
deficientes físicos, no caso em questão, dos cadeirantes. O ex-prefeito foi direto. Disse que basta seguir o plano de acessibilidade criado em sua gestão e aplicá-lo não
apenas nas calçadas, como tem sido feito, mas nos prédios públicos, praças e outros
locais de circulação pública. E que se a prefeitura não dispões de recursos suficientes
para as obras deve procurar parceiros na iniciativa privada e até mesmo em
pessoas físicas.
Rodrigo Maroni (PROS) foi outro que respondeu uma pergunta sobre mobilidade urbana. Ao ser
questionado por um taxista sobre seus planos para o setor preferiu atacar os
seus concorrentes, classificando-os como integrantes de um zoológico eleitoral,
onde dizem ter solução para tudo mas que nos seus currículos não apresentam
nada que comprove suas intenções. Prometeu buscar alternativas para o
transporte urbano num debate direto com os profissionais do segmento.
Manuela D’Ávila
(PCdoB) foi questionada por um morador do bairro
Menino Deus sobre seus planos para a orla do Guaíba. Prometeu que irá dar
continuidade as obras de expansão que estão sendo executadas até que cheguem a
zona sul, pois é defensora de que as pessoas precisam conviver com o rio.
Aproveitou o espaço da pergunta para anunciar um plano de assistência social denominado
Fome Zero e anunciar que irá negociar para que Porto Alegre tenha a vacina
contra o covid-19.
Sebastião
Melo |(MDB) foi brindado com a última pergunta, que
versou mais uma vez sobre transporte público. Ao ser questionado sobre quais
serão seus investimentos para o setor disse ter preocupação com a redução do
número de passageiros gerado pela pandemia que, segundo ele deverá ter
continuidade quando a situação voltar ao normal, uma vez que projeta a proliferação do trabalho a
distância, o que exigerá uma reorganização do segmento mediante diálogo com os
operadores do sistema.
2º Bloco
O primeiro embate direto
entre candidatos ficou por conta da dupla Valter Nagelstein (PSD) e Manuela
D’Ávila (PCdoB). Negelstein criticou
Manuela por não ter experiência administrativa e pelo fato de criticar as
administrações que sucederam ao PT e que com o apoio do PCdoB governou a cidade
durante 16 anos. Manuela disse que suas criticas procedem e que fará aquilo que
elas (as administrações) não fizeram, que é governar a cidade sem arrogância,
representada pela postura de vários dos atuais candidatos. “Minha prioridade
será governar para todas as pessoas, inclusive os empreendedores”, afirmou.
A segunda dupla a
debater foi José Fortunati (PTB) e Fernanda Melchiona (PSOL). Fortunati
perguntou a candidata do PSOL o que ela acha da baixa avaliação de Porto Alegre
nos índices que medem a qualidade do ensino básico? Melchiona criticou o
prefeito Marchezan por ter perdido 400 milhões de reais destinados pelo governo
federal para um programa de qualificação do ensino municipal. Reprovou, ainda,
a intenção do prefeito de forçar o retorna às aulas em meio a pandemia.
Prometeu ampliar a educação integral, realizar uma constituinte escolar e
cobrar os recursos federais a que Porto Alegre tem direito.
Na sequência João
Derly (Republicanos) perguntou a Sebastião Melo (MDB) sobre o que
ele acha do fato da atual administração municipal não ser parceira dos
empreendedores? E se disse favorável a recriação da secretaria municipal da
Indústria e do Comércio. Melo respondeu que a cidade precisa funcionar e que
para isso pretende facilitar o licenciamento, estimular os empreendedores a
apresentarem projetos, prepará-los para que façam bom uso do microcrédito,
renegociar dívidas, etc. “No nosso governo não tem que fechar negócios, tem é que
abrir negócios”, declarou.
Logo após, foi a vez
de Luiz Delvair (PCO) perguntar para Nelson
Marchezan Jr. (PSDB). Delvair questionou o prefeito sobre os gastos feitos com recursos
públicos para a sua autopromoção, ao invés de gastá-los com a população em áreas como
a saúde? Marchezan disse que uma das principais regras da sua gestão é a de
manter a população informada e que foi isso que ele fez com os recursos
destinados a publicidade. “Comparado com
as últimas administrações somos aquela que menos gastou em publicidade”, disse
o prefeito, salientando que na saúde conseguiu reduzir as filas de espera e
aumentou o número de atendimentos.
A próxima a
perguntar foi Fernanda Melchiona |(PSOL) que se dirigiu a José
Fortunati (PTB). Fernanda indagou sobre o que o ex-prefeito pensa sobre as
críticas realizadas por Marchezan de que na sua administração foi implantada uma
política anti-servidor, um desmonte do DMAE, e que no final do mandato entregou
uma prefeitura quebrada financeiramente? Fortunati disse ser alvo de “uma
fabrica de fake News” e que ao contrário do que Marchezan afirma, ele saiu da
prefeitura deixando recursos garantidos no orçamento que não foram utilizados.
E ressaltou que nem mesmo os recursos federais assegurados foram utilizados pelo
atual prefeito. Melchiona concordou chamando Marchezan de um excelente roteirista
de ficção e disse que se eleita for irá revogar o pacote de maldades imposto
aos servidores municipais.
Aí foi a vez de Juliana
Brizola (PDT) perguntar para João Derly (Republicanos). A
trabalhista indagou sobre o que João Derly pensa do prolongamento do
atendimento das creches para o período noturno? Derly disse que isso dependeria
de um diálogo com a comunidade, mas que acha viável, assim como é a favor do
contraturno e do aumento da segurança nas escolas e creches. Juliana disse que
o funcionamento das creches à noite irá integrar o projeto “Nenhuma criança sem
creche”, que pretende implantar e que visa beneficiar as mães e pais que não
tem com quem deixar os filhos no período em que estão trabalhando.
Na sequência, foi a
vez de Nelson Marchezan Jr. (PSDB) perguntar a Montserrat Martins
(PV). E o tema foi o combate à corrupção. O que ele pretende fazer para que
não ocorram mais casos, como os ocorridos no governo que antecedeu o atual e que
envolveu órgãos municipais como o DEMAB, DEP, FASC e Procempa? Montserrat disse
ter sérias dúvidas sobre o bom uso dos recursos orçamentários na administração
pública e que a fiscalização rigorosa é a única solução. Marchezan disse se
orgulhar de ter tirado a prefeitura de Porto Alegre das páginas policiais.
Coube a Montserrat
Martins (PV) perguntar para Gustavo Paim (PP). E a pergunta versou
sobre preservação ambiental, mais especificamente sobre a ameaça ao meio
ambiente que resultará da implantação de uma mina de carvão as margens do Guaíba,
ameaçando contaminar a água consumida pela população e cujo impacto ambiental
não está sendo mostrado aos porto-alegrenses. Paim respondeu que sua preocupação
enquanto prefeito será valorizar o diálogo e que pretende realizar audiências
públicas para tratar de temas relevantes como este da necessidade de proteção ao meio ambiente.
“Não só para o Guaíba mas também para os riachos e arroios”, afirmou.
Rodrigo
Maroni (PROS) escolheu Valter Nagelstein (PSD) e perguntou se ele
estava vendo sinceridade no debate que estava sendo realizado e se dava para
confiar no que estava sendo dito? Nagelstein tergiversou e preferiu criticar
objetivamente a atual administração municipal. E escolheu os gastos com
publicidade para isto. Segundo ele, o dinheiro gasto desnecessariamente com
publicidade poderia ter sido utilizado para comprar tablets para os alunos da
rede municipal ou uniformes. E prometeu, caso chegue à prefeitura, olhar com
atenção para as crianças, qualificando a Educação.
Sebastião
Melo (MDB) perguntou a Júlio Flores (PSTU) como
melhorar a macrodrenagem da capital para evitar os frequentes alagamentos?
Flores respondeu que a solução virá através da elaboração de um plano de obras
públicas que irá prever investimentos para a área de saneamento, pois isto além
de resolver o problema dos alagamentos irá gerar empregos e beneficiará o setor
habitacional. Melo prometeu criar um banco de projetos para macrodrenagem e se
comprometeu a não deixar de usar recursos externos para a área de saneamento, “como
ocorreu nesta administração”.
O antepenúltimo a
perguntar foi Júlio Flores (PSTU), que questionou Rodrigo Maroni
(PROS) se a volta as aulas, pretendida por Marchezan, era numa
irresponsabilidade ou um acerto? Maroni manifestou-se contrário a retomada das
aulas pois para ele falta comprovação científica para isso. “Voltar à sala de
aula agora é a garantia de morte”, enfatizou. Concordando com Maroni, Júlio
Flores classificou a volta às aulas como uma irresponsabilidade.
Encerrando o segundo
bloco do debate, Gustavo Paim (PP) perguntou para Luiz Delvair (PCO)
como Porto Alegre, diante da crise social e econômica, poderia destravar a
economia e gerar emprego e renda? Delvair optou por dar uma resposta
ideológica, dizendo que só um governo com viés operário e socialista seria
capaz de dar um jeito na situação. Paim, por sua vez, fez o contraponto dizendo
que em sua gestão Porto Alegre irá se transformar na “capital nacional da
liberdade econômica”.
3º Bloco –
Considerações finais
Sebastião
Melo (MDB): “Porto Alegre acordou. Não aceita mais
corrupção e não acredita mais em promessas. Por isso na campanha vou apresentar
propostas para fazer uma prefeitura moderna, eficiente e de resultados”.
Manuela D ‘Ávila (PCdoB): “Porto Alegre me conhece há muitos anos. É possível construir outro
caminho, onde as pessoas estejam no centro dos programas e dos projetos e onde haja
esperança e solidariedade”.
Rodrigo
Maroni (PROS): “Vou focar minha
campanha no debate sobre a importância do atendimento das necessidades dos
animais, que hoje não são vistos como prioridade. Se conseguir fazer com que um
animal seja adotado já terá valido a pena participar da eleição.”
José
Fortunati (PTB): “O governo atual
vive da produção de fake news, o que mostra o perfil do atual prefeito. Minha
prioridade será ouvir a cidade e o diálogo será a minha marca”.
Valter Nagelstein
(PSD): “A cidade de hoje não é a que a gente quer.
E isso deve-se aos 16 anos do PT e dos governos que o sucederam. É
preciso mudar para melhorar.”
Montserrat
Martins (PV): “Acreditamos ser
possível um Porto, alegre e sustentável, com inclusão digital e incentivo aos projetos de energia limpa”.
Júlio
Flores (PSTU): “Minha candidatura
visa oferecer uma alternativa socialista e revolucionária, a partir da
implantação dos conselhos populares. Não apenas para ouvir a população, mas
para construirmos um governo com e para os trabalhadores”.
Gustavo
Paim (PP): “Porto Alegre está cansada de tanta briga e
burocracia. Precisamos andar para frente sem deixar ninguém para trás, onde o
diálogo será a ferramenta de construção”.
Juliana
Brizola (PDT): “Quero trazer de
volta o orgulho de ser porto-alegrense. Para isso pretendo fazer uma gestão inovadora,
alicerçada na educação, para que Porto Alegre seja alegre, de novo”.
João
Derly (Republicanos): “Vou utilizar na prefeitura
aquilo que me fez ficar conhecido no estado, no país e no mundo, enquanto
judoca: liderança, garra e determinação. Quero trazer o sucesso do tatame para
a administração da cidade”.
Nelson
Marchezan Júnior (PSDB): “Quatro anos atrás
os porto-alegrenses escolheram a mudança. Enfrentamos corporativismos e
corrupção. Queremos continuar para manter as mudanças. Cumpri minhas promessas
de campanha.”
Luiz
Delvair (PCO): “Vou usar a campanha
para defender a candidatura de Lula em 2022 e para dizer que o governo Marchezan
está destruindo a educação e a saúde de Porto Alegre”.
Fernanda Melchiona
(PSOL): “Minha campanha tem como desafio derrotar o
projeto neoliberal e corrupto do governo Marchezan. Todos dizem que são o novo,
mas já passaram pela prefeitura. Um novo futuro precisa de novos caminhos.”

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