segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Brasil, a República dos golpistas.



Se tem uma máxima da política brasileira que se fortalece cada vez mais é a de que o pior inimigo é o companheiro. Uma espécie de adaptação do provérbio “Mateus, primeiro os meus”, que visa priorizar o interesse próprio em detrimento do grupo a que está integrado. Trata-se de uma constatação histórica, factual, e não de interpretação antropológica, filosófica ou psicológica do homo politicus.

 E são tantos os casos de traição entre companheiros de partido e de governo que vou me ater ao mais recente. Falo da declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que o seu partido, o PSDB, precisa abandonar o governo Michel Temer. E o motivo velado é o mais pragmático possível: Para não ser contaminado pela baixíssima popularidade do presidente da República e perder votos na eleição de 2018.

Tal declaração disfarça uma incoerência absurda. Óbvio, pois não foram os tucanos que ajudaram Temer a dar uma rasteira na Dilma, expulsando-a da presidência para que ele ocupasse o seu lugar? E a indicação de quatro tucanos para os ministérios da Secretaria de Governo, Relações Exteriores, Cidades e Direitos Humanos não foi a contrapartida pelo apoio dado? Ou seja, tirou proveito máximo do namoro mas ao ter que assumir as responsabilidades do casamento passou a defender o divórcio.

E que não digam que se trata de legítima defesa, pois o PMDB não tem coragem sequer de punir os seus, que dirá os outros. Ou os ouvidos de mouco de Temer para a ferrenha oposição praticada publicamente pelos senadores Roberto Requião e Kátia Abreu não é um exemplo gritante dessa fraqueza postural?

Pois se é, não vejo razão para o constrangimento separatista de FHC. Coerência nunca foi o forte das alianças partidárias. Principalmente em véspera de eleição. Aliás, interesse eleitoral pode ser considerado como motivação por justa causa para o fim de alianças forjadas por interesses eleitoreiros e financeiros.

Mas se a proximidade do pleito serve para afastar aliados de ocasião, serve também para apagar mágoas e dissabores. Tudo pela sedução irresistível das urnas. Lula mesmo, em seu périplo pré-eleitoral, está defendendo o perdão da traição tucana. Tudo para viabilizar o interesse dos candidatos petistas em meia dúzia de estados onde PT e PSDB desejam unir forças para conquistar o poder.

Então vamos parar com essa hipocrisia. O eleitor brasileiro, infelizmente, já está acostumado com as absurdas coligações montadas por quem diz uma coisa e depois, na prática, se contradiz. E esse é um dos motivos do crescente descrédito popular da classe política.

Mas enganam-se os que ainda pensam que o eleitor é um tolo ou um conformado nato. Se para os maus políticos a ficha da gestação de um novo eleitor ainda não caiu, para essa nova geração de inconformados o balde de fichas se avoluma cada vez mais.


Pode ser até que não transborde nessa eleição, mas que isso vai acontecer o mais brevemente não há nenhuma dúvida. É que um povo indignado, quando se une em torno de um mesmo objetivo, ao contrário dos partidos e da maioria dos políticos, é para valer. 

Continuem apostando na fragilidade dos brasileiros e conhecerão a força da cidadania.

Nenhum comentário:

Postar um comentário