Onde foi parar a meia
estação?
Sem dúvida 2016 está sendo um ano
diferenciado. Não, não estou me referindo a crise política e econômica do país.
Estou falando da situação climática. Os mais antigos, como eu, devem se lembrar
dos anos em que as quatro estações se manifestavam de forma ordeira e
disciplinada. Daí a condição privilegiada de observadores das mudanças
climáticas e também das teses para explica-las. Efeito estufa, aquecimento
global, La Ninha, El Ninho e outras mais.
Não me sai da memória a previsão
de especialistas de que se não modificarmos nosso modo de interagir com a
natureza, quer como indivíduo globalizado, quer como agentes produtores de
modificações culturais, laborais e ambientais, seremos vítimas das
consequências da elevação da temperatura do planeta. Os tórridos meses de verão, prolongados em
duração ano após ano, pareciam confirmar o prognóstico dos estudiosos do tempo.
Mas aí veio 2016 e com ele a
contradição climática. Dos dez meses do ano, sete foram de temperaturas baixas.
A tal ponto de termos baixas temperaturas em meio a chegada do horário de
verão. Tal atipicidade me faz lembrar de duas histórias. A primeira refere-se a
declaração de um técnico japonês do Banco Mundial, que ao sobrevoar Porto
Alegre de helicóptero manifestou sua surpresa ao ver tantas piscinas. “Como uma
cidade que tem temperatura moderada e fria na maior parte do ano pode ter
tantas piscinas e tão pouco sistema de calefação”, disse ele.
A segunda, uma piada regional, que
pode muito bem servir de resposta à curiosidade do técnico, é a de que no Rio
Grande do Sul só existem duas estações, o inverno e o verão. E que nos caso das
cidades serranas é adaptada para inverno e estação rodoviária. Singularidades a
parte, 2016 parece confirmar a excepcionalidade climática. O fato é que cada
vez mais estamos usando menos o termo “meia estação”, o que faz com que eu, aleatoriamente,
me veja cantarolando a música de Noel Rosa que diz “com que roupa eu vou, ao
samba que você me convidou...”.

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