Fazer mais ou fazer diferente?
Minha experiência em eleições mostrou que nenhuma campanha prospera se
sua mensagem não estiver afinada com o anseio popular do momento. No caso de
Porto Alegre, a insatisfação generalizada com os cuidados básicos da cidade já
era sentida antes mesmo do período eleitoral. Ou seja, havia um clima latente
de insatisfação e, consequentemente, um apelo por mudança. Se não de nomes, de
atitudes.
E foi ai que os dois disputantes do segundo turno da eleição mostraram
suas diferenças. Melo, representando o governo vigente, e Marchezan, a nova
alternativa. Ora, se o descontentamento se fazia visível até mesmo nas
pesquisas de avaliação do desempenho do atual governo municipal, a mensagem ao
eleitor só poderia ser a de melhoria do que ai está e não prometer mais do
mesmo.
Por foi justamente isto que a mensagem de Melo fez. No jingle, por
exemplo, isso fica explícito quando é feita a pergunta, "quem pode fazer
mais, quem nunca fez ou quem sabe como faz?" Quem escuta isso
imediatamente faz a seguinte associação: Se sabe, por que não fez? E ai fica
difícil dissociar as manchetes negativas e diárias da imprensa, especialmente
as ligadas à segurança pública, com a gestão municipal, pois é na cidade que as
pessoas vivem.
Marchezan, ao contrário, mirou no desejo popular de viver um novo tempo.
E focou sua mensagem na mudança. "Prá fazer diferente, agora vale a pena
acreditar", diz o refrão do seu jingle. Isso soou como música aos ouvidos
dos porto-alegrenses. Se vai fazer ou não passou a ser secundário perto do
apelo causado pelo rótulo do novo. Da mudança.
Isso, aliado a outras questões repudiadas pelo eleitor contemporâneo,
como não estar envolvido em suspeita de corrupção (ficha limpa), deram ao
candidato tucano uma simpatia diferenciada que, pelo que as pesquisas estão
indicando, está virando adesão.
Falta apenas seis dias para saber de fato qual das estratégias foi
vitoriosa. Que a normalidade da campanha permita que a vontade da maioria
prevaleça.

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