Eis que chega o derradeiro dia.
Saberemos hoje se Dilma Rousseff será ou não afastada definitivamente da
presidência da República. Tudo indica que sim. Mas com toda a sinceridade, como
brasileiro, não vejo razões para comemorar. Mas encontro razão suficiente para
lamentar. Por ver pela segunda vez, após a redemocratização do país, um
presidente eleito por milhões de pessoas ser destituído do cargo pela mais
torpe das motivações: suspeita de envolvimento com a corrupção.
Ok. Eu sei que este não é o foco
da acusação do julgamento político a que Dilma está sendo submetida. Mas não
tem como separar os indissociáveis componentes técnicos (pedaladas fiscais) e
políticos (Operação Lava Jato). O dinheiro indevidamente utilizado nas
pedaladas e desviado pelo Petrolão é o mesmo. Ou seja, público. E recurso
público existe para promover melhorias na qualidade de vida da população e não
para patrocinar campanhas eleitorais (caixa 2) e muito menos utilizado para
benefício próprio.
Particularmente eu deveria me
sentir isento de culpa, pois não votei nem em Collor, nem em Dilma. Mas isso
não serve para atenuar minha, digamos, tristeza. Por constatar que o eleitor brasileiro
ainda não amadureceu o suficiente para fazer boas escolhas. Que continua
votando sem a necessária conscientização das consequências advindas da sua
escolha na urna. E enquanto os brasileiros votarem por fisiologismo ou por
ignorância, continuaremos ameaçados de ver repetitivos afastamentos de
presidentes.
E vejam, não estou pondo a culpa
no eleitor, embora ele tenha sim a sua parcela de culpa, pelo menos a maioria,
que acaba por eleger o representante de todos, mas no sistema político que
passa a falsa impressão de que é uma fábrica que produz “salvadores da pátria”.
O que o país e nosso povo estão
precisando é de políticos e governantes patriotas.
Como identificar o candidato que
tenha essa característica? Simples, interessando-se pela política. Diariamente
e não apenas no dia da eleição. Se não sabe como fazer deixo uma dica: assista
pela televisão o desempenho dos atuais parlamentares nas sessões plenárias. Se
você ouvir as aberrações que estão sendo ditas, por exemplo, na ritualística do
impeachment, não apenas não vote no parlamentar que as proferiu (e em
candidatos com as mesmas características), mas propague aos quatro cantos a sua
incapacidade de bem representar a classe política e, principalmente, os
eleitores que representa.
Mas como sou otimista, acredito
que depois da tempestade sempre vem a bonança. Haveremos de aprender com nossos
insucessos. As grandes mobilizações populares estão a indicar a gestação de uma
nova consciência política. Tenho esperança de que muito em breve poderemos
cantar, com orgulho, o refrão da letra da música Desgarrados, do gaúcho Mário
Barbará, que profetiza: “Mas o que foi, nunca mais será...”. Até lá, que Deus
proteja o Brasil.

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