Descontração incoerente.
A forma como o governador se
comporta em meio a maior crise financeiro do RS é no mínimo peculiar. Em nenhum
momento maquia a realidade econômica do Estado. Pelo contrário, faz questão de
expor o chamado caos do RS de maneira clara e contundente.
Ao optar por um discurso arrasa
quarteirão, Sartori parece não se importar com o clima de pessimismo e de
desconfiança que se espalha indiscriminadamente pelos quatro cantos do estado.
E o pior, que é repetido à exaustão pelos seus secretários.
Mas se por um lado ele se mostra
politicamente incorreto, por outro, se mostra coerente com o discurso de
defensor da transparência. Tudo estaria dentro da normalidade contextual não
fosse a divergência entre o que é dito e a forma como é dito. Pelo tamanho do
problema era de se esperar que o governador se comportasse posturalmente de
maneira mais coerente. Com menos risos e menos tiradas bem humoradas.
Como explicar que em meio a um
descontentamento generalizado como o que está acontecendo com as áreas da
segurança pública e rodoviária, e com a entrada em vigor dos preços dos
produtos atingidos pelo aumento do ICMS, ele ainda encontre disposição para
posar em trajes de banho e todo sorridente na beira da praia de Torres. E pior,
com frases do tipo "o povo está feliz". Como se tudo estivesse bem no
Rio Grande.
E não está. Famílias estão
albergadas pois as enchentes tomaram conta de suas residências. Pontes e
rodovias ruíram parcialmente. Milhares de trabalhadores estão perdendo seus
empregos. Detentos estão fugindo dos presídios em plena luz do dia. E muito
mais. Portanto , é recomendável que o governador deixe a faceirice para os argentinos que estão aproveitando nossas belezas naturais graças a alta do dólar.
Além do mais, tal postura definitivamente
não combina com o discurso sisudo do enfatiotado governador. À menos que
acreditemos na tese oposicionista de que ele se comporta como o imperador Nero,
que tocou harpa diante de uma Roma em chamas.
Eu pessoalmente não acredito
nisso. Minha tese é de que ao assumir repentinamente o governo do Estado,
Sartori não teve tempo para se preparar adequadamente e incorporar a fleuma
indispensável à função. O político ascendeu de importância mas a simplicidade e
ingenuidade do oriundi se sobrepôs ao governador.Com todas as suas qualidades -
como a simplicidade e a honestidade - e defeitos - como a teimosia, a
desconfiança e a irreverência.
O certo é que a incompatibilidade
entre discurso e a postura pessoal dificulta o entendimento sobre o que
realmente está acontecendo no Rio Grande. Claro que é bom ser governado por
alguém bem humorado, mas para isso tem hora e isso, com certeza, não é agora.
Ao agir em descompasso Sartori, indubitavelmente, dá uma grande exemplo de
anti-marketing.

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