quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Descontração incoerente.




A forma como o governador se comporta em meio a maior crise financeiro do RS é no mínimo peculiar. Em nenhum momento maquia a realidade econômica do Estado. Pelo contrário, faz questão de expor o chamado caos do RS de maneira clara e contundente.

Ao optar por um discurso arrasa quarteirão, Sartori parece não se importar com o clima de pessimismo e de desconfiança que se espalha indiscriminadamente pelos quatro cantos do estado. E o pior, que é repetido à exaustão pelos seus secretários.

Mas se por um lado ele se mostra politicamente incorreto, por outro, se mostra coerente com o discurso de defensor da transparência. Tudo estaria dentro da normalidade contextual não fosse a divergência entre o que é dito e a forma como é dito. Pelo tamanho do problema era de se esperar que o governador se comportasse posturalmente de maneira mais coerente. Com menos risos e menos tiradas bem humoradas.

Como explicar que em meio a um descontentamento generalizado como o que está acontecendo com as áreas da segurança pública e rodoviária, e com a entrada em vigor dos preços dos produtos atingidos pelo aumento do ICMS, ele ainda encontre disposição para posar em trajes de banho e todo sorridente na beira da praia de Torres. E pior, com frases do tipo "o povo está feliz". Como se tudo estivesse bem no Rio Grande. 

E não está. Famílias estão albergadas pois as enchentes tomaram conta de suas residências. Pontes e rodovias ruíram parcialmente. Milhares de trabalhadores estão perdendo seus empregos. Detentos estão fugindo dos presídios em plena luz do dia. E muito mais. Portanto , é recomendável que o governador deixe a faceirice para os argentinos que estão aproveitando nossas belezas naturais graças a alta do dólar.

Além do mais, tal postura definitivamente não combina com o discurso sisudo do enfatiotado governador. À menos que acreditemos na tese oposicionista de que ele se comporta como o imperador Nero, que tocou harpa diante de uma Roma em chamas.

Eu pessoalmente não acredito nisso. Minha tese é de que ao assumir repentinamente o governo do Estado, Sartori não teve tempo para se preparar adequadamente e incorporar a fleuma indispensável à função. O político ascendeu de importância mas a simplicidade e ingenuidade do oriundi se sobrepôs ao governador.Com todas as suas qualidades - como a simplicidade e a honestidade - e defeitos - como a teimosia, a desconfiança e a irreverência.


O certo é que a incompatibilidade entre discurso e a postura pessoal dificulta o entendimento sobre o que realmente está acontecendo no Rio Grande. Claro que é bom ser governado por alguém bem humorado, mas para isso tem hora e isso, com certeza, não é agora. Ao agir em descompasso Sartori, indubitavelmente, dá uma grande exemplo de anti-marketing.

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