sexta-feira, 3 de julho de 2015




Menos simplicidade e mais ousadia.




No meu artigo do Sul 21 desta semana eu escrevi que a postura adotada pelo governador Sartori deixa a impressão de que ele acha que foi eleito para ser o “Salvador do Rio Grande” e/ou o “Paladino das Contas Públicas”. Pois lendo as poucas entrevistas que ele deu à imprensa, especialmente à conversa que ele teve com o David Coimbra, publicada na ZH desta sexta-feira, mudei de ideia. Ele deve pensar que tem a procuração dos seus eleitores para desempenhar o papel de “Carrasco do Rio Grande”. Com direito a sentença antecipada e tudo mais.

Ouvi diretamente de um dos responsáveis pela comunicação do governo que a pintura desse quadro de quebradeira das finanças do Estado é intencional. Para convencer a população da gravidade da crise e da necessidade da implantação de medidas impopulares. Declaração essa confirmada pelo próprio secretário estadual da Fazenda, que disse que se o Rio Grande ainda não tinha conhecido o caos, agora vai conhecer. Então dê-lhe transformar o Palácio Piratini numa usina de más notícias. Parece ser o caso daquele sujeito que para exterminar o cupim decide pôr fogo na própria casa.

Tenho sido um crítico dessa estratégia, penso ser possível conciliar más notícias com boas notícias. Se por vezes pareço impaciente é porque não entendo como o governo não tenha se preparado adequadamente para a crise que todos sabiam estava implantada. Na contramão de tudo o que sempre se viu até hoje numa campanha política, Sartori não apresentou seu plano de governo. Sequer um esboço foi antecipado.

E até mesmo o pouco que disse acabou não sendo bem assim. Refiro-me, por exemplo, ao compromisso de que seu secretariado seria mais técnico do que político. Acabou se rendendo a necessidade de ter maioria na Assembleia e encheu o primeiro escalão de políticos. E essa sensação de insegurança gerencial é reforçada pelo vai e vem de anúncios de medidas que tiveram que ser reformuladas.

Mas o maior patrimônio eleitoral de Sartori continua vigendo. Refiro-me a confiança dos gaúchos de que ele é uma pessoa bem intencionada e honesta. E como a maioria dos oriundis, trabalhador, obstinado, teimoso e desconfiado.  Precisa, entretanto, transformar seu bom humor em atitudes positivas. Como aumentar urgentemente o efetivo das polícias, uma das suas raras promessas de campanha, colocar em dia a dívida com os hospitais e as prefeituras, e qualificar o ensino público.

E que não me venham com desculpas de que não existe dinheiro para tal. Investir em saúde, segurança e educação é obrigação constitucional. Se algo não for feito emergencialmente para assegurar aos gaúchos o direito à vida e a garantia ao seu patrimônio será impossível viver e empreender no Rio Grande do Sul.

Mesmo que o governador diga que a crise financeira atinge todos os estados, Santa Catarina, por exemplo, graças a uma gestão inovadora e criativa, consegue pagar o piso do magistério, aumentar significativamente a oferta de empregos, incrementar o turismo, manter o pagamento do funcionalismo em dia (a ponto de antecipar metade do 13º salário agora no mês de julho) e muito mais.


É por isso que reclamo tanto da falta de boas notícias por aqui. Pensar pequeno, além de não resolver os problemas, desmotiva e diminui as chances de crescimento. Por isso quando reclamo do conformismo do atual governo é porque estou pensando no hoje e principalmente no amanhã. No futuro dos nossos filhos e netos. A sociedade gaúcha está fazendo a sua parte, que o governo do Estado faça a sua. 

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