Menos simplicidade e mais ousadia.
No meu artigo do Sul 21 desta
semana eu escrevi que a postura adotada pelo governador Sartori deixa a
impressão de que ele acha que foi eleito para ser o “Salvador do Rio Grande”
e/ou o “Paladino das Contas Públicas”. Pois lendo as poucas entrevistas que ele
deu à imprensa, especialmente à conversa que ele teve com o David Coimbra,
publicada na ZH desta sexta-feira, mudei de ideia. Ele deve pensar que tem a
procuração dos seus eleitores para desempenhar o papel de “Carrasco do Rio
Grande”. Com direito a sentença antecipada e tudo mais.
Ouvi diretamente de um dos
responsáveis pela comunicação do governo que a pintura desse quadro de
quebradeira das finanças do Estado é intencional. Para convencer a população da
gravidade da crise e da necessidade da implantação de medidas impopulares. Declaração
essa confirmada pelo próprio secretário estadual da Fazenda, que disse que se o
Rio Grande ainda não tinha conhecido o caos, agora vai conhecer. Então dê-lhe
transformar o Palácio Piratini numa usina de más notícias. Parece ser o caso
daquele sujeito que para exterminar o cupim decide pôr fogo na própria casa.
Tenho sido um crítico dessa
estratégia, penso ser possível conciliar más notícias com boas notícias. Se por
vezes pareço impaciente é porque não entendo como o governo não tenha se
preparado adequadamente para a crise que todos sabiam estava implantada. Na contramão
de tudo o que sempre se viu até hoje numa campanha política, Sartori não
apresentou seu plano de governo. Sequer um esboço foi antecipado.
E até mesmo o pouco que disse
acabou não sendo bem assim. Refiro-me, por exemplo, ao compromisso de que seu secretariado
seria mais técnico do que político. Acabou se rendendo a necessidade de ter
maioria na Assembleia e encheu o primeiro escalão de políticos. E essa sensação
de insegurança gerencial é reforçada pelo vai e vem de anúncios de medidas que
tiveram que ser reformuladas.
Mas o maior patrimônio eleitoral
de Sartori continua vigendo. Refiro-me a confiança dos gaúchos de que ele é uma
pessoa bem intencionada e honesta. E como a maioria dos oriundis, trabalhador,
obstinado, teimoso e desconfiado. Precisa,
entretanto, transformar seu bom humor em atitudes positivas. Como aumentar
urgentemente o efetivo das polícias, uma das suas raras promessas de campanha,
colocar em dia a dívida com os hospitais e as prefeituras, e qualificar o
ensino público.
E que não me venham com desculpas
de que não existe dinheiro para tal. Investir em saúde, segurança e educação é
obrigação constitucional. Se algo não for feito emergencialmente para assegurar
aos gaúchos o direito à vida e a garantia ao seu patrimônio será impossível
viver e empreender no Rio Grande do Sul.
Mesmo que o governador diga que a
crise financeira atinge todos os estados, Santa Catarina, por exemplo, graças a
uma gestão inovadora e criativa, consegue pagar o piso do magistério, aumentar
significativamente a oferta de empregos, incrementar o turismo, manter o
pagamento do funcionalismo em dia (a ponto de antecipar metade do 13º salário
agora no mês de julho) e muito mais.
É por isso
que reclamo tanto da falta de boas notícias por aqui. Pensar pequeno, além de
não resolver os problemas, desmotiva e diminui as chances de crescimento. Por
isso quando reclamo do conformismo do atual governo é porque estou pensando no
hoje e principalmente no amanhã. No futuro dos nossos filhos e netos. A
sociedade gaúcha está fazendo a sua parte, que o governo do Estado faça a sua.

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