Sobre o relatório da Comissão da
Verdade.
Todo regime de exceção é danoso à
sociedade. Por ser uma imposição de uma minoria. E assim foi a Revolução de
1964. E outras que a antecederam. E também às que continuam acontecendo no
silêncio do anonimato. É por isso que me preocupa mais as causas que geraram
essas distorções sociais do que a penalização dos seus protagonistas.
Excepcionalizando à saciedade de vingança
dos familiares e amigos das vítimas, que outro benefício traz a condenação a
posteriori dos líderes opressores? Aliás, revisar a história com o intuito de punir
alguns dos seus personagens é privilégio apenas das gerações mais próximas dos
eventos. E as anteriores? Onde está o clamor popular pela condenação histórica
dos responsáveis pelas milhares de vítimas da chamada Revolução Farroupilha? Para
ficar apenas neste exemplo. Revisar a história é apontar erros objetivando impedir
que sejam repetidos.
O mesmo PT que empunha a bandeira
da revogação parcial da Lei da Anistia há muito tempo insufla os movimentos
sociais, como o MST e a Via Campesina, a fazerem uso da força em suas operações
ativistas. Agora mesmo a imprensa denuncia que militares cubanos estão
ingressando disfarçadamente no país para, dizem, formar e treinar guerrilhas
populares. Aliás, a tolerância petista para com os regimes autoritários de Cuba
e da Venezuela não condiz com o seu esmero pela condenação dos líderes
militares de 64.
Para acabar com os regimes de
exceção é preciso eliminar primeiro a cultura do ódio e suas ramificações
autoritárias, como a corrupção e a intransigência. O passado já passou. Tentar modifica-lo
dando-lhe feições contemporâneas é desenterrar múmias, misteriosas em sua essência.
O Brasil, essa grande nação, que possuiu um povo operoso, generoso e alegre,
não pode se transformar num país da desordem e do atraso. Por isso, ao invés de
gastar energia tentando reconstruir o passado, o melhor seria empenhar-se na
construção do futuro. Para o bem das
futuras gerações.
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