quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


Sobre o relatório da Comissão da Verdade.

Todo regime de exceção é danoso à sociedade. Por ser uma imposição de uma minoria. E assim foi a Revolução de 1964. E outras que a antecederam. E também às que continuam acontecendo no silêncio do anonimato. É por isso que me preocupa mais as causas que geraram essas distorções sociais do que a penalização dos seus protagonistas.

Excepcionalizando à saciedade de vingança dos familiares e amigos das vítimas, que outro benefício traz a condenação a posteriori dos líderes opressores? Aliás, revisar a história com o intuito de punir alguns dos seus personagens é privilégio apenas das gerações mais próximas dos eventos. E as anteriores? Onde está o clamor popular pela condenação histórica dos responsáveis pelas milhares de vítimas da chamada Revolução Farroupilha? Para ficar apenas neste exemplo. Revisar a história é apontar erros objetivando impedir que sejam repetidos.

O mesmo PT que empunha a bandeira da revogação parcial da Lei da Anistia há muito tempo insufla os movimentos sociais, como o MST e a Via Campesina, a fazerem uso da força em suas operações ativistas. Agora mesmo a imprensa denuncia que militares cubanos estão ingressando disfarçadamente no país para, dizem, formar e treinar guerrilhas populares. Aliás, a tolerância petista para com os regimes autoritários de Cuba e da Venezuela não condiz com o seu esmero pela condenação dos líderes militares de 64.


Para acabar com os regimes de exceção é preciso eliminar primeiro a cultura do ódio e suas ramificações autoritárias, como a corrupção e a intransigência. O passado já passou. Tentar modifica-lo dando-lhe feições contemporâneas é desenterrar múmias, misteriosas em sua essência. O Brasil, essa grande nação, que possuiu um povo operoso, generoso e alegre, não pode se transformar num país da desordem e do atraso. Por isso, ao invés de gastar energia tentando reconstruir o passado, o melhor seria empenhar-se na construção do futuro.  Para o bem das futuras gerações.

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