Torçam pelo
Brasil e calem a boca.
Estou me lixando para os
fanáticos por futebol que por estarem excitadíssimos com a realização da Copa
do Mundo no Brasil não aceitam crítica a realização do caríssimo torneio. Entre
seus comentários desabonadores aos críticos do evento, prefiro dar importância
as manifestações dos profissionais que estiveram em outras Copas e que dizem,
por exemplo, que a África do Sul realizou o evento com muito mais competência e
aproveitamento. E aí querem que acreditamos no que Dilma diz, que está será a
Copa das Copas, frase que nos ridiculariza internacionalmente. O Brasil é case
de sucesso só para o PT.
É preciso que os brasileiros
aprendam a criticar e cobrar. Chega de contemplação e de inércia. É por conta
desse imobilismo que vulgarizamos os alarmantes índices de mortalidade no
trânsito e de latrocínios. E ao contrário do que pensam nos países
desenvolvido, os brasileiros não são bobos. Sabem que o governo faz muito pouco
pelo muito que arrecada em impostos. Por incompetência e por uso indevido dos
recursos públicos. É por isso que até as obras da Copa não foram concluídas a
tempo e as que foram apresentam problemas de acabamento e superfaturamento.
Mais do que estádios cheios de
torcedores, prefiro ver as ruas lotadas de manifestantes clamando pela melhoria
dos serviços públicos. Defender o lazer da Copa como recreio para o inferno do
cotidiano é rir-se do próprio azar. A máxima do pão e circo, no caso futebol e
bolsa-família, não vai resolver as graves carências das áreas da saúde,
educação e segurança, setores de responsabilidade direta do Estado.
Pelo que se sabe, os ganhos com a
Copa ainda estão aquém do esperado. Os hotéis não lotaram. O comércio e os
serviços não tiveram o incremento financeiro desejado. O tal legado da Copa,
portanto, se acontecer, ficará para depois da Copa. Então, o mínimo que os
apaixonados por futebol devem fazer é calar-se diante das críticas dos mais
lúcidos. Que vão gritar seu gol sem
abafar a voz dos críticos.

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