Ai vem a Copa. E agora?
Falta apenas trinta dias para o
início da Copa do Mundo de Futebol, no Brasil. E o que deveria ser uma festa
nacional e uma demonstração do nosso avanço desenvolvimentista está ameaçada de
se transformar num grande vexame internacional, mostrando ao mundo a
incompetência brasileira para um evento do porte de uma Copa. Mas a decepção
não será apenas para os de fora. Será também para os brasileiros. E os erros e
equívocos são de tal monta que a impressão que dá é que as organizar autoridades
brasileiras responsáveis por trazer a Copa para o Brasil sequer avaliaram as
reais condições do país para um empreendimento dessa grandeza.
E não foram só as obras prometidas
e classificadas como legado da Copa que não saíram do papel, mas também as que
iniciaram e não serão concluídas a tempo. Tem estádio que ainda não foi concluído. Nada que não estejamos acostumados,
infelizmente, mas estranho para aqueles que lidam com uma realidade diferente.
Mais responsável e menos ficcional.
Mais esse fracasso gerencial
poderia ter sido evitado? Ou pelo menos minimizado? Poderia. Se neste país houvesse
controle e fiscalização eficazes, ferramentas indispensável para quem tem
respeito pela aplicação do dinheiro público. Mas não houve. A começar pela
população, que demorou muito para se dar conta e protestar contra a utilização
dos recursos públicos na construção de estádios e outras obras menos
importantes do que hospitais, estradas, escolas, etc. Se tem dinheiro sobrando
para as coisas do futebol, por que está faltando para a prestação de serviços
públicos essenciais e de qualidade?
Mas de todos os responsáveis, sem
dúvida, o maior de todos é o Estado. Entenda-se os poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário. Uma vez decidido que a Copa seria no Brasil por que
não se organizaram para exercer seu poder de fiscalização? No caso do Rio
Grande do Sul, por exemplo, até secretaria extraordinária da Copa foi criada.
Mas para quê, se o que se vê são entulhos de obras inacabadas na ruas? E a
melhoria da qualidade dos serviços então? Pouco avançou.
As ruas de Porto Alegre continuam
escuras e mal sinalizadas. Se houve aumento do número de leitos na rede
hoteleira o mesmo não ocorreu nos hospitais, mesmo com a perspectiva da vinda de
uma avalanche de turistas para o Rio Grande do Sul. Nem as estradas que ligam
as zonas turísticas com o norte do país e com os países do Mercosul foram
conservadas adequadamente. Isso sem falar nas questões atinentes a segurança
pública, um serviço cada vez mais precário.
Será que todo esse desleixo é
porque nossas autoridades acreditam que o que importa para os brasileiros e
turistas é o que acontece dentro do campo, nas partidas entre seleções? Mas e as
outras 22 horas e 30 minutos em que a bola não estiver rolando no gramado, como
é que fica?
Resta torcer para que o Brasil
consiga se sagrar campeão. Ou melhor, hexacampeão. Pelo menos teremos um
consolo. Que tudo isso sirva de lição para o futuro. Para o futuro? Não mesmo,
para o presente. Tem muita obra para ser concluída. E outras para serem iniciadas.
Então, mãos à obra. E bola prá frente.

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