quinta-feira, 10 de abril de 2014

O PT censura.

                                                                                                         Revista Veja

É nítida, para não dizer escrachada, a tentativa dos governos petistas de tentarem rotular os veículos da imprensa não adesistas (seja por afinidade ideológica e principalmente econômica) de “inimigos da nação”. E a seleção de amigos e inimigos chega a ser simplória. Se fala bem do PT é amigo. Se critica ou denuncia é inimigo. E a estes últimos o rigor da execração pública, a guilhotina da ditadura de esquerda, camuflada de pseudo revolução socialista-democrática. Como se fosse possível unir as duas. Para fazer parte do seleto rol de amigos o pré-requisito petista é feche os olhos, os ouvidos e a boca. Se fizerem isso serão recompensados com os “bons tratos dos aliados”.  

Óbvio que ninguém e muito menos os governos, gosta de ser criticado. Faz parte da natureza humana ser refratário a contrariedade. No mundo político, onde predomina a desfaçatez como estratégia e a vaidade como lógica maior, muito mais. Mas sempre ouve um respeito aos limites democráticos. O governo governa e a imprensa fiscaliza, cobra, mostra os erros e elogia quando for o caso. Nessa ordem. Esse é o papel da imprensa consciente e o fundamento maior da liberdade de imprensa.

O normal e recomendável – e isso os bons políticos deveriam saber e aceitar – é que a imprensa seja os olhos, os ouvidos e a boca da sociedade. Querer calar a imprensa é querer subjugar o cidadão, especialmente os mais carentes e necessitados, aos desejos e desmandos do governo de plantão. O governo é que deve ser subserviente ao povo e não o contrário. Da mesma forma os partidos devem se portar, como o próprio nome diz, como parte da sociedade. Portanto, devem primar pelo diálogo respeitoso com as outras partes. E não desrespeitá-las. Ou tratá-las como inimigas.

Quando Lula usa suas bravatas para atacar a imprensa, tentando desmentir fatos comprovadamente verdadeiros ou com fortes indícios de fraude, não está prestando um serviço à sociedade, mas ao seu partido e ao seu grupo de amigos. Quando o PT monta um aparato de blogueiros para espalhar a sua "verdade"; quando subjuga financeiramente veículos de comunicação; quando financia a gestação de universitários fiéis à causa petista (estudantes de jornalismo ou não), ele está formando um exército de um só pensamento e de uma só causa: a sua perpetuação no poder. E isso a imprensa nem precisa dizer, é ditadura. Basta ver o que acontece em Cuba e na Venezuela, por exemplo?

É por isso que a reação petista às criticas da imprensa democrática (que critica e oferece o contraponto) se parece com a história que diz “pimenta nos olhos dos outros é colírio”. Uma paródia do “fale mal, mas fale de mim”, que na versão do PT deveria ser “fale mal, mas não de mim”. Ou quem sabe de outra expressão popular que diz, “cara de quem bate não é cara de quem apanha”. Quem não sabe que o PT na oposição é uma verdadeira máquina de denúncias e factoides?  Uma vez no governo, quer aparentar ser uma criança indefesa constantemente agredida por uma imprensa mal intencionada.


Ora PT, quem não te conhece que te compre. Coerência se comprova com atitude. E o mesmo vale para as ditas boas intenções. O  PT da situação tem muito para explicar. E é isso que importa. Ou será que o PT tem medo da verdade? O PT pode até acreditar, mas ele não é dono do Brasil. O Brasil é dos brasileiros. E é bom lembrar que a imprensa, nas pesquisas de opinião, sempre aparece entre as instituições mais valorizadas, fato este que não ocorre com os políticos. Por que será? A resposta, mesmo que demore um pouco, vira das urnas, esta sim a maior de todas as pesquisas. E isso o PT não conseguirá calar.

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