quarta-feira, 30 de abril de 2014

A mudança necessária.



As eleições gerais deste ano, a primeira após as manifestações populares de junho de 2013, tem todos os componentes necessários para ser diferente das anteriores. Refiro-me ao indicativo das reivindicações da população, feitas diretamente pelo próprio cidadão. Dentre elas uma se sobressai nitidamente: a melhoria da prestação dos serviços públicos. Especialmente nas áreas de responsabilidade estatal, no caso a saúde, a segurança e a educação. Acrescento nesse elenco de prioridades uma mais recente, que afeta diretamente quem habita as grandes cidades: a melhoria da mobilidade urbana.

Pois bem, entabuladas as necessidades cabe uma pergunta: os candidatos e os partidos que lhe dão sustentação e, principalmente o eleitor, estão preparados para colaborarem com a implantação das medidas estruturais capazes de resolver os nós das áreas problemáticas?

Exemplificando. Os partidos da futura base governista estarão dispostos a reduzir o tamanho da máquina pública? Da mesma forma, os candidatos irão prometer nas campanhas apenas o que terão condições de cumprir?

E os servidores públicos, estarão dispostos a dar sua cota de contribuição para a redução dos gastos em áreas vitais para o equilíbrio das finanças, como é o caso da previdenciária?  Especificamente o magistério, estará aberto às melhorias necessárias para que a qualidade do ensino se sobreponha aos interesses classistas?

E o contribuinte, estará disposto a sair da sua zona de conforto para, por exemplo, usar mais o transporte coletivo e menos o automóvel? Ou selecionar melhor o seu lixo doméstico e reduzir os gastos desnecessários com energia elétrica e água?

E o empresário, irá valorizar a busca do desenvolvimento através da sustentabilidade e do lucro socialmente justo?

Muitos outros exemplos de participação poderiam ser citados, mas o foco sempre estará centrado numa única e importante indagação: estarei disposto a dar minha parcela de contribuição? As grandes transformações sempre tiveram como ponto de partida a conscientização individual. A partir daí é que teve condições de se tornar coletiva. E isso vale tanto para os políticos como para qualquer cidadão.

Os protestos populares nos deixaram como legado o diagnóstico do que precisa ser feito. Não podemos mais nos contentarmos com a simplista posição de observador crítico. Essa é a verdadeira mensagem das ruas: precisamos fazer a nossa parte. Em outras palavras, falar menos e fazer mais.


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