A mudança necessária.
As eleições gerais deste ano, a
primeira após as manifestações populares de junho de 2013, tem todos os
componentes necessários para ser diferente das anteriores. Refiro-me ao
indicativo das reivindicações da população, feitas diretamente pelo próprio
cidadão. Dentre elas uma se sobressai nitidamente: a melhoria da prestação dos
serviços públicos. Especialmente nas áreas de responsabilidade estatal, no caso
a saúde, a segurança e a educação. Acrescento nesse elenco de prioridades uma
mais recente, que afeta diretamente quem habita as grandes cidades: a melhoria
da mobilidade urbana.
Pois bem, entabuladas as
necessidades cabe uma pergunta: os candidatos e os partidos que lhe dão
sustentação e, principalmente o eleitor, estão preparados para colaborarem com
a implantação das medidas estruturais capazes de resolver os nós das áreas
problemáticas?
Exemplificando. Os partidos da futura
base governista estarão dispostos a reduzir o tamanho da máquina pública? Da
mesma forma, os candidatos irão prometer nas campanhas apenas o que terão
condições de cumprir?
E os servidores públicos, estarão
dispostos a dar sua cota de contribuição para a redução dos gastos em áreas
vitais para o equilíbrio das finanças, como é o caso da previdenciária? Especificamente o magistério, estará aberto às
melhorias necessárias para que a qualidade do ensino se sobreponha aos
interesses classistas?
E o contribuinte, estará disposto
a sair da sua zona de conforto para, por exemplo, usar mais o transporte
coletivo e menos o automóvel? Ou selecionar melhor o seu lixo doméstico e
reduzir os gastos desnecessários com energia elétrica e água?
E o empresário, irá valorizar a
busca do desenvolvimento através da sustentabilidade e do lucro socialmente
justo?
Muitos outros exemplos de
participação poderiam ser citados, mas o foco sempre estará centrado numa única
e importante indagação: estarei disposto a dar minha parcela de contribuição?
As grandes transformações sempre tiveram como ponto de partida a
conscientização individual. A partir daí é que teve condições de se tornar
coletiva. E isso vale tanto para os políticos como para qualquer cidadão.
Os protestos populares nos
deixaram como legado o diagnóstico do que precisa ser feito. Não podemos mais
nos contentarmos com a simplista posição de observador crítico. Essa é a
verdadeira mensagem das ruas: precisamos fazer a nossa parte. Em outras
palavras, falar menos e fazer mais.

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