Vergonha antecipada.
Sabe aquele
ditado que diz que notícia ruim chega rápido? Pois no caso da Copa do Mundo no
Brasil ela já era esperada. Com tanta obra inacabada ou sequer iniciada - o
chamado pelos governantes como o legado da Copa -, com tanto despreparo para
receber bem os visitantes do exterior, o resultado só poderia ser um: a
vergonha nacional. E é isso que está acontecendo antes mesmo do início do maior
evento futebolístico do planeta. Pelo menos é o que se lê nos jornais do
exterior. Caos é a palavra mais citada. E a própria FIFA já reconhece que o
evento não será do jeito que deveria ser e admite a implantação de instalações
provisórias nos estádios para as atividades operacionais e administrativas. Na
contramão da realidade a presidente Dilma Rousseff surfa na fantasia (o
Carnaval já terminou) e diz que esta será a Copa das Copas e/ou a Copa contra o
Racismo. Faz jus à máxima que diz que o “pior cego é o que não quer ver”.
Pessimismo
de minha parte? Não, decepção. Por ver nossos representantes conformados com a
demora dos investimentos prometidos, muitos deles de suas próprias
responsabilidades. Ágeis nas promessas em período eleitoral, os eleitos deitam
no berço esplêndido do poder após conquistarem suas vitórias. A troco de quê?
Onde está o chamado espírito público? Onde está a ética? Onde está a vergonha na
cara? Em um país realmente sério seria caso de polícia ou no mínimo de expurgo político.
Apenas para
reavivar a memória, lembro que o carro chefe das campanhas de Tarso e
Fortunatti foram, respectivamente, o “alinhamento das estrelas (numa alusão aos
benefícios que seria ter o PT no governo federal e no governo do estado)” e o “fica o que está bom e muda o que está ruim". E não adianta alegarem dificuldades de tempo e de recursos. A FIFA anunciou a realização da Copa no Brasil em 2007 e o governo federal já estava na mão do PT. Aliás a indicação do Brasil como um dos postulantes da Copa foi iniciativa de Lula. Por que então não fizeram valer a força do Rio Grande e de Porto Alegre, escolhida como uma das cidades
sede do evento? Faltou aquilo que PT e PDT sempre criticaram enquanto
oposição: vontade política.
Resultado
dessa omissão: Foi-se a euforia, o ufanismo, e veio à decepção e o
constrangimento. Restou apenas a esperança de um bom resultado da seleção canarinho.
E se isso não ocorrer? Aí, como dizem, o bicho vai pegar. Enfrentar
dificuldades nas áreas vitais para o bem estar de uma pessoa, isso os
brasileiros já estão acostumados, mas ver o fracasso (mais um) da sua seleção em pleno
território nacional não é tolerável. A cobrança da fatura virá rapidamente, em
outubro, nas urnas.
Claro que se o Brasil vencer a Copa os erros serão
perdoados e os dividendos dos governantes serão maiores do que as dívidas. Pelo
menos este, lamentavelmente, tem sido o comportamento da maioria da população. Afinal,
somos ou não somos o país do futebol?

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