quarta-feira, 5 de março de 2014

Vergonha antecipada.



Sabe aquele ditado que diz que notícia ruim chega rápido? Pois no caso da Copa do Mundo no Brasil ela já era esperada. Com tanta obra inacabada ou sequer iniciada - o chamado pelos governantes como o legado da Copa -, com tanto despreparo para receber bem os visitantes do exterior, o resultado só poderia ser um: a vergonha nacional. E é isso que está acontecendo antes mesmo do início do maior evento futebolístico do planeta. Pelo menos é o que se lê nos jornais do exterior. Caos é a palavra mais citada. E a própria FIFA já reconhece que o evento não será do jeito que deveria ser e admite a implantação de instalações provisórias nos estádios para as atividades operacionais e administrativas. Na contramão da realidade a presidente Dilma Rousseff surfa na fantasia (o Carnaval já terminou) e diz que esta será a Copa das Copas e/ou a Copa contra o Racismo. Faz jus à máxima que diz que o “pior cego é o que não quer ver”.

Pessimismo de minha parte? Não, decepção. Por ver nossos representantes conformados com a demora dos investimentos prometidos, muitos deles de suas próprias responsabilidades. Ágeis nas promessas em período eleitoral, os eleitos deitam no berço esplêndido do poder após conquistarem suas vitórias. A troco de quê? Onde está o chamado espírito público? Onde está a ética? Onde está a vergonha na cara? Em um país realmente sério seria caso de polícia ou no mínimo de expurgo político.

Apenas para reavivar a memória, lembro que o carro chefe das campanhas de Tarso e Fortunatti foram, respectivamente, o “alinhamento das estrelas (numa alusão aos benefícios que seria ter o PT no governo federal e no governo do estado)” e o “fica o que está bom e muda o que está ruim". E não adianta alegarem dificuldades de tempo e de recursos. A FIFA anunciou a realização da Copa no Brasil em 2007 e o governo federal já estava na mão do PT. Aliás a indicação do Brasil como um dos postulantes da Copa foi iniciativa de Lula. Por que então não fizeram valer a força do Rio Grande e de Porto Alegre, escolhida como uma das cidades sede do evento? Faltou aquilo que PT e PDT sempre criticaram enquanto oposição: vontade política. 

Resultado dessa omissão: Foi-se a euforia, o ufanismo, e veio à decepção e o constrangimento. Restou apenas a esperança de um bom resultado da seleção canarinho. E se isso não ocorrer? Aí, como dizem, o bicho vai pegar. Enfrentar dificuldades nas áreas vitais para o bem estar de uma pessoa, isso os brasileiros já estão acostumados, mas ver o fracasso (mais um) da sua seleção em pleno território nacional não é tolerável. A cobrança da fatura virá rapidamente, em outubro, nas urnas. 

Claro que se o Brasil vencer a Copa os erros serão perdoados e os dividendos dos governantes serão maiores do que as dívidas. Pelo menos este, lamentavelmente, tem sido o comportamento da maioria da população. Afinal, somos ou não somos o país do futebol?


Nenhum comentário:

Postar um comentário