segunda-feira, 17 de março de 2014

O mau exemplo de Simon.



A manifestação do senador Pedro Simon na pré-convenção do PMDB no último sábado, comprovou o que já sabia: sua grandeza está no passado. Na lembrança. Quando resolve se posicionar sobre a nova realidade brasileira, principalmente pelos valores reivindicados nos protestos populares, ele não consegue acompanhar. Como a transparência, por exemplo. Bastou a imprensa divulgar que ele se valeu de recursos públicos para realizar um caro tratamento dentário (independente se amparado nos privilégios concedidos aos senadores) para ele “chutar o balde" e sair disparando contra colegas e a imprensa.

Foi o que ele fez com a senadora Ana Amélia que optou por fazer uso franciscano (para citar o santo de preferência de Simon) do dinheiro público. Aproveitando-se do encontro que escolheu José Ivo Sartori como pré-candidato a governador, Simon resolveu, gratuita e equivocadamente, atacar o passado da senadora e o PP gaúcho. Ou a intenção foi um ato transloucado ou foi proposital. Como não se percebe nada que indique algum problema mental no senador peemedebista, a não ser os naturais da idade, só pode ter sido um ato premeditado.

Mas a troco de quê? Pelo fato da senadora Ana Amélia aparecer nas pesquisas de opinião como favorita para vencer a eleição para o Palácio Piratiní? Para tentar desviar o foco do episódio dos “dentes de ouro”, como tem sido dito nas redes sociais? Para motivar o PMDB em torno do nome de Sartori, um candidato desconhecido da maioria do eleitorado gaúcho? Seja qual for a alternativa mais plausível, o certo é que o “velho guerreiro” pisou feito na bola da ética. Não se faz isto com uma colega de Congresso e muito menos com um partido que lhe ajudou a conquistar o seu mandato. Menos ainda distorcendo a realidade dos fatos.

Ao criticar o ingresso de Ana Amélia no PP, após ela ter se destacado profissionalmente em uma das maiores empresas de comunicação do país, Simon desconhece que o mesmo aconteceu com o PMDB quando foi buscar, na mesma empresa, os então comunicadores Sérgio Zambiasi e Antônio Britto. E só não trouxe Lasier Martins, apesar de toda a insistência, porque o jornalista optou pelo PDT.

As declarações do senador Simon se caracterizam, também, pela ingratidão. Foi graças ao apoio dado pelo PP no segundo turno das eleições de 1986 e 2002 que o PMDB conseguiu eleger Britto e Rigotto para governador. Ele próprio (Simon), segundo lembrou a nota divulgada pelo diretório estadual do PP (link abaixo), se beneficiou do apoio do partido que hoje critica, quando na eleição de 1998 foi considerado candidato oficial dos progressistas.

Por outro lado, esquece Simon que a lembrança do nome de Ana Amélia para o governo do Estado não partiu dela e nem do PP, pois ainda não foi realizado nenhum comunicado oficial para tanto, mas pelo eleitor gaúcho, que tem citado o nome da senadora nas pesquisas de opinião até agora divulgadas. E não poderia ser diferente. Ana Amélia foi eleita senadora em 2010 com mais de 3,4 milhões de votos e durante quase quatro décadas esteve na vitrine da mídia do Rio Grande do Sul. E Simon sabe muito bem do potencial e da capacidade da senadora. “Ninguém chuta cachorro morto”, já diz o ditado. E não é para menos, em três anos de mandato a senadora alcançou a destacada e invejada posição da parlamentar mais influente do Congresso Nacional.

É por tudo isso que as declarações de Simon adquirem tonalidades de insensatez. Ninguém mais do que ele sabe que em política, especialmente em época de eleição, a maior de todas as obras é a construção de pontes e não a obstrução de caminhos. E foi a prática dessa teoria que permitiu que PP e PMDB, coligados, conquistassem mais de uma centena de prefeituras na eleição municipal de 2012. Que impacto as críticas de Simon terão junto aos progressistas é difícil de saber. Pode ser até que a realização de futuras parcerias, nesta ou em outras eleições, fique prejudicada.  

Menos mal que o PP já garantiu que vai manter a campanha em alto nível e propositiva. É essa garantia que dá a esperança de que a postura de Simon fique restrita a um caso isolado. Oxalá, para o bem da democracia, isso se confirme.

Nota do PP: 
http://www.pp-rs.org.br/noticias/nota-do-partido-progressista-rs-532703a7641e5

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