Greve dos rodoviários:
caso de vida ou morte?
Zero Hora
Um ex-amigo do
Facebook, rodoviário, resolveu me perguntar o que
eu tinha contra a sua categoria? Normal, quem tem interesse direto no assunto sempre
enxerga o crítico como inimigo. No caso dele, o direito dos rodoviários está
acima do interesse da população e dos acordos judiciais não cumpridos. Para mim
não. E por isso que cobro mais responsabilidade dos rodoviários. Por um único e
primordial motivo: transporte coletivo é um serviço imprescindível para a
população. Por isso o direito a greve não pode sobrepor-se ao interesse
coletivo. E já faz mais de uma semana que os porto-alegrenses torram nas paradas de ônibus.
Manter-se
irredutível faz com que a população se volte contra os grevistas. Se
os acordos não possibilitam o atendimento de todas as reivindicações, o correto
é manter a negociação, via greve, mas mantendo uma frota mínima, que permita o
ir e vir das pessoas. Todas as demais categorias fazem isso. Por isso é duro
ver sindicalistas sorrindo ao rejeitarem, nas suas assembleias, as propostas dos empresários do setor
rodoviário. Soa como um “tô nem aí” para o sofrimento da população. Sofrimento
este agravado pelo intenso calor dos últimos dias.
É por isso que
exclui o rodoviário do meu facebook. Não dá para usar a coerência contra a insensibilidade.
Ainda mais quando o opositor é desrespeitoso e ofensivo. Ao contrário do que
meu desafeto pensa, não tenho nada contra os trabalhadores do transporte
coletivo da capital, mas tenho tudo a favor dos usuários do sistema.
Exemplos: Enfermeiras
que não podem se deslocar até os hospitais para prestar socorro aos doentes.
Cuidadoras que não conseguem chegar na residência dos velhinhos para lhe
prestar assistência. E quem impede a prestação desses serviços vitais para a manutenção
da vida é o que? Para mim, no mínimo, trata-se de um crime culposo. Praticado
mesmo que sem intenção. E como a vida pode valer menos que um reajuste salarial? Ou
será que os rodoviários estão morrendo de fome, a ponto de não aceitarem um
reajuste inferior a 14%?
Pior que a
insensibilidade dos grevistas é a omissão dos governantes. Esses sim são os
verdadeiros patrões, pois em se tratando do transporte coletivo de passageiros o
serviço é realizada na forma de concessão. Ou seja, sob permissão estatal. As
empresas e seus funcionários existem para realizar o transporte da população.
Descumprir essa atribuição é motivo de quebra de contrato de prestação de
serviço. E não adianta dizerem que se trata de um problema antigo, que passou
por outros governantes. Quem está no poder tem a responsabilidade de fazer mais
e melhor. De resolver o problema. E não é isso que estamos vendo.
A sorte até agora é
que os usuários são pacientes. Até quando não sei. Minha intuição é de essa
tolerância está por um fio. E quando a “boiada estourar” sai da frente. Ai vai
ser difícil os grevistas manterem o sorriso habitual. Aí quero ver o que a
Brigada Militar irá fazer. Se vai ficar observando, como agora, ou vai sentar o cassetete
no cidadão.
O certo é que o rastilho de pólvora já foi
acesso. E pode estourar a qualquer momento. Infelizmente.

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