PT prova o próprio veneno.
Classificar governos ou projetos de governo com apelidos tem sido uma prática adotada pelos partidos quando na oposição. E o PT tem sido um dos que mais se utiliza desse estereótipo negativo. No Rio Grande do Sul lembro de alguns exemplos. No governo Simon (PMDB) seu programa rodoviário era chamado de “estradas de papel”. No de Antônio Britto, “Olívio era o caminho e Britto o pedágio”. No de Yeda Crusius as instalações provisórias em escolas eram denominadas pejorativamente de “escolas de lata”.
Trata-se da estratégia de rotular pessoas e governos, que de tanto serem repetidas acabam fazendo parte do imaginário popular. Uma espécie de humor negro com má intenção. Mas se por um lado o PT adora dar uma de carimbador político, quando vira alvo de chancela negativa, perde a graça e se revolta. É o que acontece quando sua competência gerencial (de gestão) é questionada.
Acostumados a falar mais do que realizar (será por que acreditam na máxima de que uma mentira de tanto ser repetida passa a ser vista como verdadeira?), “esperneiam” sempre que alguém desnuda sua pseudo competência. Foi assim com o Mensalão, quando caiu a máscara de paladino da moralidade e da honestidade. Até agora se recusam a assumir sua participação no escândalo. “O mensalão nunca existiu”, dizem algumas lideranças petistas. “José Dirceu e José Genuíno são presos políticos”, declaram outros. Parecem desconhecer que em termos de imagem pública “a casa caiu”. Os fatos e as provas falaram mais alto.
Faço toda essa analogia para chegar ao que está acontecendo com as tentativas do PT gaúcho de mostrar que as irregularidades denunciadas pela Operação Kilowatt não passam de equívocos administrativos que já estavam na mira do governo Tarso. Como assim? Querem provar que as goteiras nas salas de aula da escola estadual Oscar Pereira não passam de uma ilusão de ótica? É o mesmo que querer provar que melhorou a situação das estradas estaduais só porque a cobrança de pedágio passou a ser feita pela EGR. Mas e os buracos? E as rodas quebradas? E as declarações de que nunca o magistério gaúcho foi tão beneficiado com reajustes salariais como agora? Mas e o cumprimento da promessa de implantação do piso?
O que o PT se nega a acreditar é que o povo não tolera mais fazer o papel de tolo. Aliás, se não se deram conta, este foi um dos recados dos protestos de junho. Outro foi o de que não o cidadão não suporta mais pagar tanto imposto sem receber em troca a devida contrapartida de serviços públicos de qualidade. Gestão e seriedade no trato da coisa pública. É isso que a sociedade espera dos seus governantes.
Portanto, de nada adianta o PT gaúcho se "emburrar" quando é chamado para se explicar. Ou quando é duramente criticado. Está provando do próprio veneno, pois agem belicosamente quando estão na oposição e, quando no governo, se fazem de anjinhos. Não é a toa que o Partido Progressista do Rio Grande do Sul adotou para o PT de Tarso Genro o dito popular de que “nada se cria, tudo se copia”, chamando a administração petista de “governo de ilusão”, onde promete muito e pouco faz.
Ao invés de sair disparando contra os progressistas, o PT deveria aproveitar que ainda tem 11 meses e meio de gestão é provar o contrário. Ou seja, menos imagem e mais ação. Chega de efeitos especiais.

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