sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Dois pesos. Duas medidas?



Decepcionantes, sob todos os aspectos, as manifestações vindas do Palácio Piratini sobre o envolvimento de servidores públicos na Operação Kilowatt.  Primeiro porque foge a tradição petista, adotada em outras ocasiões semelhantes, da crítica ferrenha e da cobrança por punições rigorosas. Depois, porque adota nitidamente uma postura política para um caso de polícia. Com isso, ignoram que o que está em jogo é a malversação de dinheiro público e, sendo assim, não dá para ser condescendente com quem errou. Independente de ser ou não “amigo do rei”. Mais claramente: se pertence ou não a um partido da base governista. Se houve erro, alguém tem que pagar por ele.

Não estou fazendo juízo antecipado e nem condenando precipitadamente. Trata-se, a meu ver, da necessidade de nossos governantes darem ao assunto a gravidade que ele tem. Até mesmo para amedrontar quem ainda não foi pego pela polícia nesta e em outras futuras operações.  Faço esta referência por que não podemos permitir que declarações inadequadas incentivem a criação de uma consciência política equivocada para crimes que envolvam agentes públicos. Ou será que o PT se propõe a implantar no Rio Grande do Sul a mesma postura adotada nacionalmente por ocasião da condenação e da prisão dos líderes petistas José Dirceu, José Genuíno, Delúbio Soares e outros mais? Se alguém se apropriou indevidamente do que não é seu, está praticando um crime. Independente de quem seja ou a qual partido pertença.

O que a sociedade gaúcha espera do seu governador - que está de férias, mas que diante da gravidade da situação precisa interrompê-la para ao menos se manifestar publicamente-, é uma declaração de indignação e de revolta por ver que recursos públicos, que deveriam estar sendo utilizados na conservação e recuperação de escolas, estão sendo criminosamente desviados para os bolsos de corruptos e corruptores. E Tarso, pela experiência adquirida enquanto ministro da Justiça, sabe muito bem como agir nessas horas. 

As declarações vindas até agora do Piratini, dando conta que não dá para misturar ações pessoais com questões partidárias, não estão contribuindo para aplacar a inconformidade da população por mais um escândalo envolvendo servidores públicos.

Vínculo partidário tem importância sim, senhor chefe da Casa Civil, pois são os partidos que indicam os ocupantes de cargos públicos, posteriormente referendados pelo governador. Fazer a escolha de nomes inequivocadamente probos é obrigação de quem pretende zelar pelo interesse público e aperfeiçoar a credibilidade da política e dos políticos.

Por tudo isto, fala Tarso! O Rio Grande está aguardando o seu pronunciamento.


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