Ciclovia ou vale-tudo?
Em época em que ser moderno é regredir a costumes do passado, como consumir produtos orgânicos e andar de bicicleta, a construção de ciclovias em Porto Alegre começa a apresentar um cenário de confronto até antes inimaginável. Refiro-me a disputa pelo espaço, pintado no solo de um vermelho cor de barro, entre ciclistas, motoristas de carros e pedestres.
Não que eu seja contra a circulação de bicicletas nas vias urbanas, mas a cada dia que passa fica constatado que a implantação das ciclovias porto-alegrenses não pode ser enquadrada no conceito popular de “antes tarde do que nunca”.
Nossas autoridade em circulação viária deviam (caso houvesse um adequado planejamento urbano) ter previsto que o crescente aumento no volume de veículos pela capital dos gaúchos, a exemplo do que acontece nos grandes aglomerados urbanos, iria resultar em enormes congestionamentos e que haveria uma briga por espaço entre pedestres e veículos de duas ou quatro rodas.
É o que está se vendo. Premidos pela escassez de obras viárias de grande porte (túneis, viadutos, passarelas, perimetrais, estacionamentos públicos, etc), de “áreas azuis”, obstáculos físicos como conteineres de lixo e caçambas de entulho, e de um transporte coletivo eficiente, os motoristas da capital se viram, repentinamente, espremidos pelas ciclovias. Óbvio, as ciclovias passaram a ocupar uma faixa de circulação habitualmente utilizada por carros.
E é esse espaço que começa a se transformar numa legítima “faixa de Gaza”. Sem espaço para estacionar, motoristas desobedecem a primazia dos ciclistas e estacionam sobre a ciclovia. Pedestres que praticam o seu cooper diário, por se sentirem mais seguros, utilizam a ciclovia como pista de corrida. Mas e os ciclistas, com ficam? Ficam furiosos. E com razão.
Mas é ai que reside o problema. Quem veio primeiro? O pedestre, a bicicleta, ou o carro? O pedestre, claro. Mas adianta remar contra a maré se a instituição veículo motor já é uma realidade? Do jeito que está, não. Então o que fazer? Exigir que a Eptc fiscalize? Bem, ai vem a velha história de que os fiscais não podem ser onipresentes. Então é preciso investir em educação? Sim, sim, sim... Mas ai o caminho é mais complicado e daria para muitos outros artigos.
O certo é que o problema está nas ruas. E as brigas já começaram. Algo precisa ser feito, sob pena de transformarmos as ciclovias num grande ringue a céu aberto. Ou pior, num caso de vida ou morte.

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