Fale menos e proteja mais, ministro.
O que está sendo feito pela
polícia gaúcha para impedir que o PCC estenda seu braço terrorista sobre o Rio
Grande do Sul, matando policiais e civis, ateando fogo em ônibus e amedrontando
a população? Segundo as autoridades da área de segurança, ouvidas pela
imprensa, as ações do PCC estão sendo monitoradas e medidas preventivas estão
sendo adotadas. Se tomarmos como exemplo a incidência crônica da explosão de
caixas eletrônicos e do contínuo crescimento do roubo de veículos, fica difícil
acreditar na efetividade das providências anunciadas pelas autoridades gaúchas.
Com uma motivação surgida nas
galerias dos presídios, idealizadas e coordenadas por integrantes do PCC, por
diversas razões de interesse da bandidagem, dentre elas as péssimas condições
dos cárceres mantidos pelo Estado, já dá para ouvir o tic-tac da bomba relógio
do PCC no Rio Grande do Sul. E se ainda tinha alguém alheio às ameaças do grupo
meliante-terrorista certamente ficou preocupado com a declaração dada ontem
pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, de que em razão das péssimas
condições dos presídios, se ele tivesse que ser encarcerado optaria por se
matar a invés de ir preso.
Uma declaração dessas, ao estilo
Hugo Chavez, bem que merece um “por que não te calas”? O que Cardoso pretendeu
dizer com isto? Justificar as ações extremadas da bandidagem ou apavorar ainda
mais o já assustado cidadão brasileiro? O que o ministro fez, neste momento de
crise na polícia, foi literalmente “falar de corda em casa de enforcado”. Um
absurdo. Uma irresponsabilidade. Era tudo o que não devia ser dito nessa hora.
Pensar no lado do bandido, quando quem esta sendo assassinado nas ruas é o
policial e o cidadão, é transferir o problema para a sociedade. Se alguém tem
que fazer alguma coisa para melhorar o regime carcerário é o governo. Do qual Cardoso faz parte.
Não fuja da sua responsabilidade
ministro. Não olhe o problema da insegurança pelo lado errado do funil. Pior
que a situação dos presídios tem sido o medo da população, que se gradeia em
casa e que não dorme enquanto seus filhos não chegam da rua. Ora, tenha
paciência para tamanha insensibilidade. Aos invés de ficar falando bobagem,
Cardoso deveria estar pensando em como acabar com as ameaças do PCC. Afinal, é
para dar segurança à população que ele usufrui de toda a pompa e circunstância
ministerial. E ele não pode esquecer que
é sua a responsabilidade de melhorar as condições carcerárias.
Torço para que as autoridades
gaúchas estejam realmente preparadas para impedir as ações do PCC no estado. E
se não estiverem, que se preparem. Pelo menos para a reação popular que há de
vir em decorrência do que for acontecer. Não apenas através dos meios de
comunicação ou em manifestações de rua, mas principalmente nas urnas. Não dá
para fazer proselitismo político com a vida das pessoas, primeiro e maior
direito de um ser humano. É senso comum que entre o bandido e a polícia
(honesta e competente em sua imensa maioria) a sociedade ficará sempre ao lado
da polícia.
Imagem: diegofreire12.blogspot.com

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