sexta-feira, 30 de novembro de 2012



É tempo de indignação.



Após quatro meses de muita expectativa finalmente sabemos o resultado do julgamento dos réus do Mensalão. Dos 37 réus, 25 foram considerados culpados e, juntos, foram condenados a 282 anos de prisão e ao pagamento de multas que superam os 22 milhões de reais. Independente do fato de que apenas alguns dos condenados irão cumprir a pena em regime fechado (e por tempo reduzido), o que importa é a condenação imposta pelo STF. Ela, além de atender um anseio popular, acaba com qualquer dúvida sobre a postura ética da suprema corte do país. Embora as divergências técnicas entre os ministros, o colegiado do STF demonstrou claramente que para a Justiça não há diferença entre crimes do “colarinho branco” e ladrões de galinha. O que existe são inocentes e culpados. Como tem que ser.

Trata-se, sem dúvida, de um sopro de esperança, um forte indicativo, de que no Brasil a corrupção não será tolerada. Era o que faltava, pois o Ministério Público e a imprensa já estavam fazendo seu papel. O primeiro investigando. A segunda, denunciando. Mas ainda há muito que fazer. As manchetes dos jornais, rádios e TVs, comprovam que, infelizmente, ainda continuam ocorrendo apropriações indevidas do dinheiro da população, por parte de detentores de cargos públicos (do maior ao menor escalão), políticos e empresários. O que é inadmissível.

Daí que é preciso pegar a onda gerada pela decisão do STF para criar um grande movimento cívico pela ética no serviço público e pelo fim da corrupção. E isso precisa ser gerado dentro do "útero" da sociedade. Nascer e crescer a partir de ações de sua iniciativa. Fizemos isto com os caras pintadas mas não demos continuidade. É preciso usar a indignação como combustível para as mudanças necessárias. E isso não cu$ta nada. Basta escolher melhor o candidato em que for votar (e a lei da ficha limpa está ai para ajudar) e, depois de eleito, fiscalizar a sua atuação parlamentar. E se souber de algum deslize do seu representante não se omita, denuncie. E nunca mais vote nele.

Da mesma forma, exija dos seus governantes a aplicação de critérios morais e éticos na escolha dos seus assessores diretos. E responsabilize-os pelas más escolhas. Não seja adepto da prática da “Lei de Gerson” nas negociações com empresários inescrupulosos. Não existe “almoço de graça”. Se você está levando vantagem é por que alguém está perdendo. E faça o mesmo com as obras e serviços públicos. Ao ver uma falcatrua não silencie. Reclame. E se não surtir efeito, denuncie. É preferível ser chamado de chato do que de omisso.

Em resumo: faça valer sua condição de cidadão. Nunca antes nesse país o terreno esteve tão fértil para o surgimento de uma nova mentalidade ética e comportamental. Mas não basta apenas criticar o que está errado. É preciso valorizar e mostrar o que está dando certo. E aí a escola e os meios de comunicação possuem papel importantíssimo. Não podemos nos deixar anestesiar pela vulgaridade das práticas equivocadas. E o começo dessa transformação começa pela indignação, desenvolve-se pela intolerância e se consolida com ações práticas e objetivas.

E não esqueça. Faça a sua parte. A mudança, para dar certo, tem que começar por você.

Imagem: capacitacao43.wordpress.com

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