O horário primavera-verão.
Teve início nesse domingo mais
uma edição do chamado “Horário de Verão”.
Digo chamado porque na prática não é isso que acontece. Primeiro porque
começa na primavera. Sim, 21 de outubro, ao que me consta, é o 30º dia de nossa
“primavera austral”, como é conhecida a estação no hemisfério sul (no
hemisfério norte é chamada de “Primavera boreal” e inicia em 21 de março e
termina em 21 de junho), restando, portanto, dois meses para o seu
encerramento. O verão, de fato, inicia no dia 22 de dezembro. E termina no dia
20 de março. Como o período de duração desse
o horário de verão brasileiro, fixado por decreto-lei vai, neste ano, de 21 de
setembro até 17 de fevereiro (32 dias antes do encerramento do verão), a
denominação correta do período deveria ser “horário da primavera-verão”.
O responsável pela formação das
estações é o tal de solstício (do
latim sol + sistere, que não se mexe), momento em que o sol, durante seu
movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior inclinação em latitude,
medida a partir da linha do equador. Quando ocorre no verão significa que a duração do dia é a mais longa do ano.
Analogamente, quando ocorre no inverno, significa que a duração da noite é a mais longa do ano.
Basicamente: no verão a claridade é maior que a escuridão e, no inverno, ocorre
o contrário. E se há mais luz, menos necessidade do uso da iluminação
artificial. E menos iluminação artificial mais economia, do ponto de vista
monetário. Essa é a tese do governo
brasileiro para a implantação do seu “horário de verão”.
Mas em se a tratando de um país continente, que possui estados localizados
acima e abaixo da linha do equador, o governo decidiu fixar o horário alternativo apenas para os estados localizados sob a linha
do equador. Em edições anteriores o horário de verão chegou a atingir alguns
países do nordeste, mas como por lá não houve a repercussão (popular e
econômica) pretendida, ficaram de fora
da edição deste ano. Ou seja, apenas os estados das regiões Sul, Sudeste e
Centro-Oeste, mais Tocantins, são atingidos pelo novo horário.
É ai que reside minha inconformidade. Como dividir igualitariamente, para
fins de aplicação do horário de verão, o Brasil em apenas duas partes? É óbvio
que os estados mais próximos da linha do
equador terão a luminosidade dos seus fins de tarde menores do que os estados localizados no
extremo sul do país, como é o caso de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ora,
se nesses dois estados a luminosidade solar dura mais do que nos outros, por
que não prolongar o horário de verão até o final da estação (20 de março)? Para
tanto basta incluir um adendo ao decreto-lei.
Claro que existe quem não goste do horário de verão. Mas pelo que tenho
conhecimento trata-se de uma minoria. A imensa maioria dos gaúchos, por
exemplo, gosta do novo horário. E o empresariado, especialmente os da área de
serviços, mais ainda. Do turismo então nem precisa falar. Ganha a economia
gaúcha e ganham as pessoas (qualidade de vida). Isso, ao meu ver, se enquadra
na filosofia do PT, partido da presidente Dilma, que prega a postura de tratar
diferente (privilegiando) os diferentes. Não dá para dar por encerrado o
horário de verão em pleno verão da região sul. Mesmo que se trate de um horário
primavera-verão.
Foto: Fabiano do Amaral

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