segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Lula, a fábrica de postes.




E o milagre se reproduziu. Depois de Dilma Rousseff, uma técnica competente, mas sem histórico parlamentar, agora foi a vez de Fernando Haddad ser tocado pelo verdadeiro Midas da política contemporânea brasileira, Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro caso o feito levou Dilma ao posto de primeira mulher a assumir a Presidência da República. No outro, Haddad saiu do anonimato (furando a fila e passando a frente de petistas famosos e experientes, como é o caso de Marta Suplicy) e se elegeu prefeito de São Paulo, maior cidade do país e a sexta cidade mais populosa do mundo.  Essas vitórias inesperadas reforçaram a imagem popular de que Lula, se quiser, elege até um poste.

Lógico que se trata de uma manifestação figurativa, mas que retrata bem o fenômeno político em que se transformou esse retirante nordestino, que se tornou metalúrgico, líder sindical, fundador do PT, deputado federal e presidente da República por dois mandatos consecutivos. Tal qual Getúlio Vargas, considerado o “pai dos pobres”, Lula soube como poucos captar a simpatia da maioria dos brasileiros, tornando-se o maior líder da recente história política do país, refundando uma espécie de populismo contemporâneo.

Graças a esta empatia e a implantação de programas voltados às classes menos favorecidas economicamente, como o Bolsa-Família, Lula construiu uma “poupança de credibilidade” cujos rendimentos tem sido a eleição de seus indicados. E, pelo menos com Dilma Rousseff, tem dado certo. Que o digam as pesquisas de opinião feitas para avaliar seu governo. Resta saber se acontecerá o mesmo com Haddad, que iniciará seu mandato de prefeito com a suspeição sobre a sua capacidade de gestor, fruto dos problemas ocorridos com o Enem. Mas como diz o ditado popular “quem tem padrinho não morre pagão”, o prefeito Haddad certamente terá o acompanhamento e o apoio de Lula. E isso, cá entre nós, não é pouco.

Resta saber, agora que já se começa a pensar nas eleições de 2014, o que Lula está planejando. Irá se candidatar à presidência da República? Irá apoiar a reeleição de Dilma? Bem, tudo isso vai depender muito do desempenho dos seus “afilhados”, da sua saúde, da situação pós-Mensalão do PT, mas principalmente, do seu interesse pessoal. Independente de tudo, o certo é que Lula terá, mais uma vez, papel fundamental no resultado das eleições. Afinal, apesar da sua baixa escolaridade, ele já provou ser PhD em política e eleição. Com enorme feeling na escolha de seus candidatos. Ou como gostam de dizer seus adversários, “uma verdadeira fábrica de eleger postes”.

Imagem: josmarcontabil.com.br

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