Lula, a fábrica de postes.
E o milagre
se reproduziu. Depois de Dilma Rousseff, uma técnica competente, mas sem
histórico parlamentar, agora foi a vez de Fernando Haddad ser tocado pelo
verdadeiro Midas da política contemporânea brasileira, Luiz Inácio Lula da
Silva. No primeiro caso o feito levou Dilma ao posto de primeira mulher a
assumir a Presidência da República. No outro, Haddad saiu do anonimato (furando
a fila e passando a frente de petistas famosos e experientes, como é o caso de
Marta Suplicy) e se elegeu prefeito de São Paulo, maior cidade do país e a
sexta cidade mais populosa do mundo. Essas
vitórias inesperadas reforçaram a imagem popular de que Lula, se quiser, elege
até um poste.
Lógico que
se trata de uma manifestação figurativa, mas que retrata bem o fenômeno
político em que se transformou esse retirante nordestino, que se tornou
metalúrgico, líder sindical, fundador do PT, deputado federal e presidente da
República por dois mandatos consecutivos. Tal qual Getúlio Vargas, considerado
o “pai dos pobres”, Lula soube como poucos captar a simpatia da maioria dos
brasileiros, tornando-se o maior líder da recente história política do país,
refundando uma espécie de populismo contemporâneo.
Graças a
esta empatia e a implantação de programas voltados às classes menos favorecidas
economicamente, como o Bolsa-Família, Lula construiu uma “poupança de
credibilidade” cujos rendimentos tem sido a eleição de seus indicados. E, pelo
menos com Dilma Rousseff, tem dado certo. Que o digam as pesquisas de opinião feitas
para avaliar seu governo. Resta saber se acontecerá o mesmo com Haddad, que
iniciará seu mandato de prefeito com a suspeição sobre a sua capacidade de
gestor, fruto dos problemas ocorridos com o Enem. Mas como diz o ditado popular
“quem tem padrinho não morre pagão”, o prefeito Haddad certamente terá o
acompanhamento e o apoio de Lula. E isso, cá entre nós, não é pouco.
Resta saber,
agora que já se começa a pensar nas eleições de 2014, o que Lula está planejando.
Irá se candidatar à presidência da República? Irá apoiar a reeleição de Dilma?
Bem, tudo isso vai depender muito do desempenho dos seus “afilhados”, da sua
saúde, da situação pós-Mensalão do PT, mas principalmente, do seu interesse
pessoal. Independente de tudo, o certo é que Lula terá, mais uma vez, papel
fundamental no resultado das eleições. Afinal, apesar da sua baixa
escolaridade, ele já provou ser PhD em política e eleição. Com enorme feeling
na escolha de seus candidatos. Ou como gostam de dizer seus adversários, “uma
verdadeira fábrica de eleger postes”.
Imagem: josmarcontabil.com.br

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