O eterno exemplo de Ruy Barbosa.
Em meio a Semana da
Pátria e o 20 de setembro, encontrei um vídeo postado pelo colega jornalista Vitor
Vieira, onde o ator e cantor Rolandro Boldrin disserta o conhecido discurso de
Rui Barbosa que fala da sua vergonha de ser honesto pela impotência de poder lutar
contra a perda de valores importantes para o ser humano e para a cidadania.
Pela atualidade do discurso e pelo momento cívico pelo qual passamos, resolvi
publicar a manifestação, se não pela esperança de que gere modificações
comportamentais, pelo menos pela esperança de que leve a reflexão de quem o
ler. Eis então o discurso.
“Sinto
vergonha de mim. Por ter sido educador de parte desse povo. Por ter batalhado
sempre pela justiça. Por compactuar com a honestidade. Por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto
vergonha de mim. Por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela
liberdade de ser, e ter que entregar aos meus filhos, simples e
abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no
julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação com o eu feliz a qualquer custo, buscando a tal felicidade
em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.
Tenho
vergonha de mim. Pela passividade em ouvir,sem despejar meu verbo, a tantas
desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para
reconhecer um erro cometido, a tantos floreios para justificar atos criminosos,
a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre contestar, voltar
atrás e mudar o futuro.
Tenho
vergonha de mim. Pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por
caminhos que não quero percorrer. Tenho vergonha da minha impotência, da minha
falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para
enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de
nacionalidade.
Ao
lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro! De tanto ver
triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a
injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem
chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser
honesto”.
Ruy Barbosa
Imagem: valentebrasil.blogspot.com

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