quinta-feira, 30 de agosto de 2012


“Quem não se comunica se trumbica”.


A eleição para a prefeitura de Porto Alegre conta com sete candidatos. Cada um com a sua coligação. E cada coligação com a sua denominação. E cada uma com o seu slogan definido. Mas o que significa a expressão slogan? A palavra vem de slaugh-ghairm (se pronuncia slogorm), do gaélico escocês que designa a expressão "grito de guerra". Por isso, tem tudo a ver com campanha eleitoral. Mas não basta apenas ser bom de “grito”. Tem que ter argumentos que sejam do interesse do eleitor. Sendo assim, a mensagem, ou como alguns dizem, a bandeira, é o componente estratégico mais importante. O que um candidato e um partido dizem, com palavras ou sem elas, com argumento ou com imagem, é o coração da oferta política. É o que os eleitores tomam em conta no momento de definir o seu voto.  Daí a sua importância.

Vejamos então os slogans e as mensagens até agora divulgadas pelos candidatos a prefeito, com as minhas devidas considerações:

- José Fortunati:
Slogan: “Fazer mais, fazer melhor, fazer com todos”.
Mensagem: “Melhorou, vai melhorar”.

A indagação que fica da mensagem, a meu ver, é a seguinte: melhorou ou vai melhorar? Sim, pois é preciso que isso fique bem claro. Se for verdade que o eleitor vota no candidato que representa a esperança de atendimento de suas necessidades mais urgentes, esperar meses, e as vezes anos, para ser atendido num posto de saúde não representa nenhuma melhora. Por isso, mais do que dizer que já fez e que vai fazer mais, é preciso explicar porque não fez quando poderia ter feito. É a sina de quem é governo. Ou como se costuma dizer, “vidraça”. Sinto falta de explicações na propaganda eleitoral do atual prefeito. Mas não há como negar que ele tem a vantagem de mostrar suas realizações e, com elas, fortalecer a sua experiência enquanto administrador público. E isso pode ser comprovado com o elevado índice de aprovação de seu governo, segundo as pesquisas realizadas.

- Manuela D’Ávila:
Slogan: “Porto Alegre da inovação e da igualdade”.
Mensagem: “É hora de mudar”.

Tai uma mensagem adequada ao público alvo da candidata e, a meu ver, da eleição de Porto Alegre. Da candidata porque (e as pesquisas confirmam isto) inovação tem tudo a ver com o seu eleitorado em potencial: jovens. Ou inovação não representa, para eles, tecnologia? E tecnologia não significa Internet? E Internet não representa acesso às redes sociais? E utilizar a rede social não é o dia-a-dia dos jovens?  Da mesma forma a expressão igualdade tem tudo a ver com outro público-alvo de Manuela. As pessoas de menor poder aquisitivo, que são a maioria do eleitorado da capital. E se são a maioria do eleitorado, trata-se do segmento mais importante desta eleição. E qual o pobre que não quer melhorar de vida? Então a mensagem “é hora de mudar” soa como música para os seus ouvidos.  Por tudo isso não me surpreende o constante crescimento de Manuela nas pesquisas. Sua equipe acertou à mão. Falta ainda, em minha opinião, fortalecer a imagem de candidata preparada para o cargo. A oportunidade virá com a apresentação de propostas criativas e viáveis.

- Adão Villaverde:
Slogan: “Prefeito de verdade”
Mensagem: “Porto Alegre precisa entrar no compasso do que acontece com o Estado e o Brasil, com governos do PT”.

Acho duvidosa a eficácia do slogan. Se o principal desafio de Villa é se tornar conhecido do eleitorado porto-alegrense, como fazer isso convencendo a população de que ele sim será um prefeito de verdade. Como fazer o eleitor confiar nisso, votando num candidato que pouco conhece? Além disso, o slogan soa meio agressivo (e com indícios de arrogância), tipo “ninguém foi tão bom como eu serei”. E tal postura, já está configurada, não é bem vista pelo eleitorado gaúcho e, consequentemente, de Porto Alegre. Vai ter que provar nos dias de campanha que restam porque será um prefeito de verdade. Quanto à mensagem, a idéia de alinhamento com os governos federal e estadual (administrados pelo PT) repete a estratégia da campanha bem sucedida de Tarso Genro em 2010. A mensagem tem forte apelo partidário (mobilização da militância) e atualidade eleitoral (ainda está na lembrança do eleitor que votou em Tarso), só não sei se ainda está adequada a expectativa do eleitor de Porto Alegre, que já experimentou o PT por 16 anos. Vai depender muito do desempenho de Villa nas próximas pesquisas.

- Roberto Robaina:
Slogan: “Porto Alegre para o povo”.
Mensagem: “Falar a verdade que os outros não têm coragem”.

- Érico Corrêa:
Slogan: “Porto Alegre para os trabalhadores”.
Mensagem: “Denunciar as mazelas que prejudicam os trabalhadores”.

A linha escolhida pelos dois candidatos para o slogan e para a mensagem é muito coincidente. Explico. Primeiro porque são exclusivas (de exclusão). O que significa governar para o povo e governar para os trabalhadores? Classe média (que representa boa fatia do eleitorado) não está incluída na expressão “povo”? E no caso do candidato do PSTU só os trabalhadores é que irão receber atenção? Por outro lado, mensagens como “falar a verdade que os outros não têm coragem” e “denunciar as mazelas que prejudicam os trabalhadores”, caracterizam-se pelo tom ameaçador (e agressivo), que não é bem aceito pela imensa maioria do eleitorado. A adoção da linha ideológica nos pronunciamentos se confronta com a tendência da maioria do eleitorado de valorizar mais as qualidades do candidato do que o partido que ele representa.

- Wambert Di Lorenzo:
Slogan: “As pessoas em primeiro lugar”.
Mensagem: “Acabar com a possibilidade do PT retornar à prefeitura de Porto Alegre, representada pelas candidaturas de Adão Villaverde, Manuela D'Ávila e José Fortunati, cujos partidos integram os governos federal e estadual”.

Trata-se de um slogan politicamente correto, mas muito abrangente (sem público alvo definido). Por não ser conhecido pela imensa maioria dos eleitores soa como uma promessa duvidosa, uma espécie de cheque em branco: cuide de mim agora (elegendo-me) que eu cuido de você depois. E voto é esperança e não aventura. Já a mensagem tem o mesmo caráter exclusivo da escolhida pelos candidatos do PSol e PSTU. No caso os excluídos são os partidos que compõe a base do governo Tarso (PT, PDT e PCdoB) e que possuem candidatos concorrendo na eleição de Porto Alegre. Identificando-se como representante do PSDB de Serra, Aécio e Yeda, a mensagem de Wambert soa como um revanchismo (Serra perdeu para Dilma e Yeda para Tarso). Numa eleição o embate deve entre projetos e propostas e não uma disputa partidária. O eleitor gaúcho não é simpático a este tipo de confronto, especialmente em eleição municipal.

Jocelin Azambuja:
Slogan: “Educação é a solução”.
Mensagem: Federalização dos professores da rede municipal.

Identificado com os Círculos de Pais e Mestres, Jocelin, ao colocar a Educação como prioridade de seu governo, define como público alvo o segmento educacional (Pais, alunos e professores). Ocorre que, embora já tenha sido vereador, Jocelin ainda é desconhecido da maioria dos eleitores da capital. Assim como o seu partido, o PSL. Sendo assim, apesar da relevância do tema Educação, o pouco tempo de exposição no programa eleitoral de rádio e TV não lhe permitirá o aprofundamento de propostas e projetos. Mesmo assim, poderá abordar ações importantes, como a luta para que os governos federal e estadual façam os investimentos determinados na Constituição para as áreas da Educação e da Saúde.

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