O que se esconde por trás
da crítica generalizada?
da crítica generalizada?
Perguntei a
minha faxineira o que ela acha dos funcionários públicos? “Um bando de preguiçosos”,
respondeu. E dos políticos? “Tudo corrupto”. E da Justiça? “Só prendem ladrão de
galinha”. Agora eu me pergunto: deveria me surpreender com as respostas da dona
Geneci? Claro que não! Primeiro pelas dificuldades intelectuais dela, que não
conseguiu sequer concluir o 1º grau. Depois, porque com essa limitação é isso
que ela depreende do que escuta nas ruas, lê nos jornais, ouve no rádio e vê na
TV. Tentei contra-argumentar dizendo que sou jornalista e funcionário público e
não sou preguiçoso e nem mentiroso. “O senhor não vale”, disse-me ela.
Perguntei por quê? “Porque o senhor é gente boa”, respondeu. “Mas você acha que
não tem juiz, deputado e ministro gente boa?”, indaguei. “Deve ter”, disse
Geneci.
Esse é o
problema. De tanto desacreditar as instituições a exceção passa a ser regra. E
a realidade não pode ser construída com estereótipos. Se há dúvidas sobre a
isenção dos ministros do STF isto não significa que a Justiça brasileira não é boa.
O mesmo vale, em relação à honestidade, para governantes e parlamentares.
Que eu
saiba, ainda não surgiu um sistema mais eficiente para as relações
interpessoais do que a democracia. Justamente por envolver pessoas ela não é
perfeita. Portanto falível. Assim como a sociedade, que é composta pelos
diversos tipos de pessoas, juízes, políticos e administradores públicos são
passíveis de erros. E como toda peça que não funciona bem deve ser trocada. E substituída
por outra melhor. Ah! Ai é que está o “X” da questão.
Se quem
indica o político ou o governante é a urna, ou seja, o voto de cada eleitor,
então o culpado maior pela escolha dos maus políticos e dos maus governantes é
o próprio cidadão. E para que o substituto seja melhor, votar bem passa a ser
uma obrigação. Já disseram, com propriedade, que o destino dos bons que não
participam da política é ser governado pelos maus, que fazem.
Então, antes
de rotular negativamente os políticos e as autoridades do judiciário e do
executivo, é preciso fazer um “mea culpa”. Pergunte-se sobre o que está fazendo
para mudar esse cenário negativo da vida brasileira, onde brotam mensalões,
caixas 2, lavagem de dinheiro, corrupção, etc? Sem isso, as declarações da dona
Geneci não passam de xingamentos improdutivos. E o pior, para muitos injusto e
irresponsável.
Se optar por
mudar seu comportamento, tornando-se mais proativo, tenho uma sugestão de data
para iniciar a mudança: 7 de outubro. Dia em que iremos votar para prefeito e para
vereador. Já pensou nisso. Ainda não? Não se preocupe, ainda faltam 50 dias. Bastante
tempo prá você analisar, refletir e decidir. Mas cuidado para não errar na
escolha, senão você estará colaborando para o fortalecimento de mais um
estereótipo: a de que brasileiro não sabe votar.
Imagem: couratosabenfica.blogspot.com

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