sábado, 18 de agosto de 2012


O que se esconde por trás
 da crítica generalizada?


Perguntei a minha faxineira o que ela acha dos funcionários públicos? “Um bando de preguiçosos”, respondeu. E dos políticos? “Tudo corrupto”. E da Justiça? “Só prendem ladrão de galinha”. Agora eu me pergunto: deveria me surpreender com as respostas da dona Geneci? Claro que não! Primeiro pelas dificuldades intelectuais dela, que não conseguiu sequer concluir o 1º grau. Depois, porque com essa limitação é isso que ela depreende do que escuta nas ruas, lê nos jornais, ouve no rádio e vê na TV. Tentei contra-argumentar dizendo que sou jornalista e funcionário público e não sou preguiçoso e nem mentiroso. “O senhor não vale”, disse-me ela. Perguntei por quê? “Porque o senhor é gente boa”, respondeu. “Mas você acha que não tem juiz, deputado e ministro gente boa?”, indaguei. “Deve ter”, disse Geneci. 

Esse é o problema. De tanto desacreditar as instituições a exceção passa a ser regra. E a realidade não pode ser construída com estereótipos. Se há dúvidas sobre a isenção dos ministros do STF isto não significa que a Justiça brasileira não é boa. O mesmo vale, em relação à honestidade, para governantes e parlamentares.

Que eu saiba, ainda não surgiu um sistema mais eficiente para as relações interpessoais do que a democracia. Justamente por envolver pessoas ela não é perfeita. Portanto falível. Assim como a sociedade, que é composta pelos diversos tipos de pessoas, juízes, políticos e administradores públicos são passíveis de erros. E como toda peça que não funciona bem deve ser trocada. E substituída por outra melhor. Ah! Ai é que está o “X” da questão.

Se quem indica o político ou o governante é a urna, ou seja, o voto de cada eleitor, então o culpado maior pela escolha dos maus políticos e dos maus governantes é o próprio cidadão. E para que o substituto seja melhor, votar bem passa a ser uma obrigação. Já disseram, com propriedade, que o destino dos bons que não participam da política é ser governado pelos maus, que fazem.

Então, antes de rotular negativamente os políticos e as autoridades do judiciário e do executivo, é preciso fazer um “mea culpa”. Pergunte-se sobre o que está fazendo para mudar esse cenário negativo da vida brasileira, onde brotam mensalões, caixas 2, lavagem de dinheiro, corrupção, etc? Sem isso, as declarações da dona Geneci não passam de xingamentos improdutivos. E o pior, para muitos injusto e irresponsável.

Se optar por mudar seu comportamento, tornando-se mais proativo, tenho uma sugestão de data para iniciar a mudança: 7 de outubro. Dia em que iremos votar para prefeito e para vereador. Já pensou nisso. Ainda não? Não se preocupe, ainda faltam 50 dias. Bastante tempo prá você analisar, refletir e decidir. Mas cuidado para não errar na escolha, senão você estará colaborando para o fortalecimento de mais um estereótipo: a de que brasileiro não sabe votar.

Imagem: couratosabenfica.blogspot.com

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